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Mundo

Novo presidente toma posse e coloca fim à crise política no Afeganistão

Após quase três meses de impasses eleitorais, Ashraf Ghani assume cargo, marcando primeira transição de poder democrática do país. Líder promete combater a corrupção e convoca talibãs a participarem da política.

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Ashraf Ghani

Após quase 13 anos como chefe de Estado e governo, Hamid Karzai entregou o cargo a seu sucessor, Ashraf Ghani. O ex-ministro das Finanças e executivo do Banco Mundial tomou posse nesta segunda-feira (29/09), no palácio presidencial em Cabul.

Karzai foi o único homem a governar o país desde a queda dos talibãs, em 2001, e a posse de Gahni marca, portanto, a primeira transferência de poder entre dois chefes de Estado democraticamente eleitos na história do Afeganistão.

"Hoje, depois de 13 anos à frente do governo, tenho orgulho de transferir o poder para um novo presidente", disse Karzai durante a cerimônia no palácio presidencial.

"Prometo diante de Deus que vou obedecer e apoiar a santa religião do Islã. Vou respeitar a Constituição e as leis e aplicá-las", declarou Ghani ao prestar juramento.

Pouco antes da cerimônia de posse de Ghani, de 65 anos, um atentado suicida abalou a capital afegã. O homem-bomba detonou os seus explosivos num posto de controle próximo ao aeroporto, informou um funcionário das forças de segurança. A polícia afirmou que quatro pessoas morreram e duas ficaram feridas.

Também foram registrados atentados em outras partes do país. Na cidade de Kunduz, no norte do Afeganistão, outro atentado realizado por homem-bomba deixou ao menos dois feridos. Também na província de Paktia, os talibãs explodiram um automóvel num atentado suicida. Não se sabe ainda a quantidade de vítimas.

Eleições polêmicas

A transição democrática no Afeganistão coloca, oficialmente, um ponto final em três meses de crise política em torno dos resultados das eleições presidenciais. Ghani está agora à frente do governo de unidade que, além da resistência dos talibãs, deverá enfrentar também diferenças internas.

Nenhum dos candidatos havia conseguido se afirmar num primeiro turno. Mas a segunda rodada de votação foi ainda mais polêmica do que a primeira. Ambos os candidatos – Ghani e o rival Abdullah Abdullah, ex-ministro do Exterior – declararam-se vencedores e acusaram-se mutuamente de haver manipulado as eleições.

Somente depois de duas visitas do secretário de Estado americano, John Kerry, a Cabul, a situação voltou a se acalmar. E os candidatos, então, se dispuseram a negociar. Kerry intermediou um acordo: os votos tiveram de ser completamente recontados.

O resultado foi anunciado no dia 21 de setembro: sem informar o percentual de votos, a comissão eleitoral confirmou a vitória de Ghani nas eleições. Abdullah recebeu, então, o cargo de chefe de governo, uma espécie de primeiro-ministro – posto recém-criado e que permitiu o fim de um impasse político.

Ashraf Ghani Ahmadzai Vereidigung

Abdullah Abdullah (esq.) assume cargo de chefe de governo. Ao seu lado, Ashraf Ghani, que lidera governo de unidade

Inclusão dos talibãs

Ghani anunciou diante de 1.500 convidados presentes na cerimônia de posse desta segunda-feira o combate à corrupção. "Não iremos tolerar a corrupção em instituições do governo", afirmou o novo presidente. "Nossa mensagem é uma mensagem de paz", acrescentou Ghani. "Conclamamos os talibãs a participarem das conversações políticas."

Ghani disse ainda que irá combater a pobreza e criar postos de trabalho. "Paz sem justiça social não pode ser sustentável. Trabalharemos duro para criar uma paz duradoura."

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) esperava com ansiedade pela transição do poder no Afeganistão. A missão da Otan no país se encerra no fim deste ano. Uma missão menor para apoio e treinamento das forças de segurança afegãs está planejada, mas ela depende da assinatura do novo presidente de um acordo com os EUA e a Otan.

Sem o acordo, que concede aos soldados estrangeiros imunidade de perseguição judicial no Afeganistão, paira a ameaça da retirada de todas as tropas estrangeiras. Ghani prometeu que vai assinar o acordo em breve.

CA/dpa/rtr/lusa/afp

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