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Mundo

Novo presidente tem tarefa de tirar o Mali da crise pós-golpe

Resultado oficial ainda não saiu, mas adversário já reconheceu vitória de Ibrahim Boubacar Keïta para a presidência. Um ano e meio após o golpe, ele precisa fechar as feridas abertas e impulsionar a economia do Mali.

O político de 68 anos nunca deixou dúvidas sobre seu objetivo: ele queria a todo custo se tornar presidente do Mali, ressaltou Ibrahim Boubacar Keïta [foto principal] pouco antes do segundo turno da eleição presidencial, no domingo (11/08). "Eu exijo de vocês uma clara maioria, uma maioria da qual não se pode duvidar!", declarou a seus apoiadores. E eles atenderam ao pedido.

O adversário de Keïta na disputa pelo mais alto cargo legislativo, o antigo ministro das Finanças Soumaila Cissé, já admitiu a derrota. "Eu o procurei para felicitá-lo e para desejar-lhe boa sorte para o Mali", disse Cissé, de 63 anos, mesmo antes da divulgação do resultado oficial. Informações extra-oficiais afirmam que Keïta não pode mais ser ultrapassado na contagem de votos.

Clara maioria em Bamako

Ibrahim Boubacar Keïta – também chamado de IBK – é muito popular principalmente no sul do país e sobretudo na capital, Bamako. Já no primeiro turno, ele conseguiu a maioria absoluta em todos os distritos da capital.

Muitos dos votos vieram de pessoas jovens, que afirmam que o político seria honesto e justo, e que lutaria pelo país. Ele também é apoiado por muitos taxistas. "Sim, é verdade, eu votei em IBK", afirma Issa Konaté, apontando com orgulho para o cartaz de seu candidato predileto, colado no vidro traseiro do táxi. "IBK é alguém de muita experiência. Eu tenho confiança que ele irá realmente trabalhar duro pelo Mali."

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"Ele já é presidente", diz um apoiador do novo presidente

Compromisso com a terra natal: esse trunfo foi usado habilmente por IBK, que foi primeiro-ministro do Mali de 1994 a 2000 e presidente do Parlamento de 2002 a 2007. Os gestos falam mais do que as palavras.

"Ele é um homem que transpira tranquilidade, o que demonstra com todo o corpo. Para nós, isso é muito importante", explica o jornalista Hamidou Konaté, chefe da estação de rádio Jamana, em Bamako. Segundo ele, é justamente isso que cria confiança numa crise, como a que o Mali tem de superar após as eleições.

Representante do velho Mali

Não se pode esperar de IBK uma mudança política. Ele estudou história, ciências políticas e relações internacionais em Paris e Dacar. Já há quase duas décadas, vem se movimentando na arena política. Por duas vezes já tentou ser presidente, mas sem sucesso. O segundo turno no último domingo seria sua última tentativa de assumir o cargo.

O novo presidente dispõe de bons contatos internacionais. "Ele é conhecido entre a comunidade de países doadores e sempre manteve o diálogo conosco, mesmo quando não assumia nenhuma função", afirmou Richard Zink, chefe da delegação da União Europeia em Bamako.

Esses bons contatos devem ser mais importantes do que nunca, porque, desde o golpe de Estado de 22 de março de 2012, a economia do país está estagnada. Os investimentos estão congelados. Na grande conferência de doadores, em maio deste ano em Bruxelas, a União Europeia prometeu conceder 520 milhões de euros em ajuda financeira para os anos de 2013 e 2014 – um dinheiro de que o país necessita urgentemente para voltar a funcionar.

Boas relações com o Exército

Dentro do país, muitas pessoas, no entanto, anseiam por algo completamente diferente: eles acham que é absolutamente necessário negociar um acordo de paz duradouro com o Movimento Nacional de Libertação de Azawad (MNLA). Nos últimos tempos não houve mais atentados na cidade de Kidal, mas a região homônima ainda é considerada instável.

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Primeira aparição pública após a eleição presidencial atraiu centenas de apoiadores e jornalistas

No topo da lista de tarefas está também o fortalecimento do Exército. Uma parte dos soldados participou do golpe de Estado por não terem, segundo declarações próprias, obtido apoio suficiente do governo para conter as tentativas separatistas no norte do país.

É dito que IBK tem bons laços com o Exército. "Quase todos têm bons contatos", comenta, com uma dose de ironia, o jornalista Konaté. Segundo ele, com o golpe de Estado, os políticos finalmente ficaram cientes do que seria capaz um Exército considerado fraco há muitos anos. IBK manteve uma posição ambígua em relação ao golpe, diz Konaté. "Ele condenou o golpe, mas também visitou os golpistas."

Com essa visita, Keïta se distanciou do antigo presidente Amadou Toumani Touré. Os soldados, afinal, deram um golpe contra Touré. Também para muitos malineses, ATT – como era conhecido o antigo chefe de Estado – tornou-se símbolo da estagnação, corrupção e da lenta desintegração do país. No segundo turno, em última análise, Keïta marcou pontos ao distanciar-se da antiga liderança do país.

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