1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Brasil

Novo ministro da Fazenda tem missão de restaurar credibilidade da economia

Workaholic, com fama de durão e vasta experiência na área fiscal, Joaquim Levy é escolha acertada, dizem analistas. Mas há dúvidas se Dilma dará à nova equipe econômica espaço para tomar medidas consideradas drásticas.

A presidente Dilma Rousseff apresentou nesta quinta-feira (27/11) sua nova equipe econômica, com Joaquim Levy como ministro da Fazenda. O ex-diretor do Bradesco Asset Management e ex-secretário do Tesouro no primeiro mandato de Lula será o homem forte do governo federal. Ele vai substituir Guido Mantega, o qual Dilma já havia indicado durante a campanha eleitoral que não manteria no cargo.

Especialistas ouvidos pela DW Brasil dizem que a presidente acertou ao escolher Levy para a pasta e que ele deverá dar uma guinada de 180 graus na política econômica do país. Porém, ainda há dúvidas se Dilma dará à nova equipe econômica – incluindo aí o novo ministro do Planejamento, Nelson Barbosa; e o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, que segue no cargo – espaço para atuar e tomar as medidas necessárias.

Os principais desafios de Levy incluem restaurar a credibilidade da economia para receber investimentos estrangeiros; não fazer com que o Brasil perca o grau de investimento de agências de classificação de risco; e investir em obras de infraestrutura para estimular a economia, apesar do escândalo da Petrobras. Além disso, ele deve tentar segurar o crédito disponibilizado por bancos públicos, já que o orçamento nacional está apertado.

Para alcançar esses objetivos, Levy deverá colocar em prática uma política fiscal mais dura e ortodoxa que a de Mantega. Entre as medidas que podem ser anunciadas até o início de 2015 estão o corte dos gastos públicos, a restauração da meta de superávit primário (economia para o pagamento dos juros da dívida pública), compromisso com a meta de inflação; e o fim da chamada contabilidade criativa (uso de truques contábeis para despistar problemas nas contas do governo).

"Levy é muito qualificado e tem farta experiência na área pública. Não há ninguém que seja mais qualificado que ele para embutir confiança nas contas brasileiras e na política fazendária do Brasil", diz Antônio Carlos Porto Gonçalves, professor de economia da FGV. "Mas, dos três grandes problemas do governo, Levy resolve somente um, que é na área das contas públicas."

Porto Gonçalves, que foi professor de Levy durante a pós-graduação, diz, porém, que ainda há questões que estão fora da alçada do novo ministro da Fazenda: a intervenção do governo na área energética e a corrupção em grande escala. "A escolha por ele está na direção certa, mas não é suficiente. O investidor não vai querer colocar dinheiro no país se há potencial de crise energética e política, mesmo que as contas estejam arrumadas", opina.

Brasilien-EU Gipfeltreffen 2013

Durante a campanha eleitoral, Dilma indicou que não manteria Guido Mantega (em segundo plano) como ministro da Fazenda

Agrado ao mercado

Inicialmente, Dilma havia convidado o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, para ser o novo titular da pasta. Trabuco não aceitou o convite por ter compromissos com o banco. A escolha de Levy – independente, workaholic e com fama de durão, e com vasta experiência na área fiscal – acalma o mercado financeiro, já que o ponto negativo dos primeiros quatro anos de Dilma foi a política fiscal.

"A escolha por Levy é uma reviravolta de 180 graus, já que ele terá que assumir uma postura de austeridade fiscal", afirma José Matias-Pereira, professor de administração pública da UnB. "Levy já mostrou que tem condições de fazer isso pela experiência que acumulou em sua vida pública e no mercado financeiro. Mas Dilma terá que dar espaço e apoio para ele colocar a economia de volta nos trilhos."

A decisão é acertada do ponto de vista macroeconômico, já que, nos últimos anos, dentro do capitalismo de Estado, aumentaram-se os gastos públicos e gerou-se inflação, avalia José Niemeyer, professor de relações internacionais do Ibmec/RJ. Para ele, agradar o mercado pode desagradar o cidadão comum, que teve aumento real no salário mínimo e crédito fácil para comprar bens duráveis.

"Se ela fizer uma política fiscal mais para o mercado e conservadora, pode fazer com que o PT perca eleitores em 2018", opina Niemeyer. "Levy representa mais os interesses do mercado e de alguns empresários específicos contra empresários de setores, como o sucroalcooleiro, que estão em crescimento e dependem de empréstimos mais baratos de bancos públicos como o BNDES".

Assim que vazou, na última sexta-feira, a informação de que Levy se tornaria ministro da Fazenda, uma ala do PT já começou a atingi-lo com "fogo amigo". Alguns membros do partido se queixam de que Levy não tem filiação partidária.

Além disso, desagrada o fato dele ser liberal e ligado ao PSDB e a Armínio Fraga, que seria o ministro da Fazenda caso Aécio Neves fosse eleito presidente. O novo titular da pasta também foi secretário da Fazenda do Rio de Janeiro, entre 2007 e 2010, e já passou pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e pelo Banco Central Europeu (BCE).

Leia mais