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Especial

Novo estádio deixa atletas sem local para treinar em Salvador

Antiga Fonte Nova foi demolida juntamente com único ginásio e piscina olímpica da cidade. Novas estruturas para a prática de esportes mal saíram do papel.

Quando foi inaugurado em abril de 2013, o novo estádio de futebol de Salvador foi celebrado como o terceiro a ser concluído para a disputa da Copa de 2014. Para o Comitê Popular da Copa da Bahia e esportistas soteropolitanos, a nova Arena Fonte Nova é, porém, o pior legado do Mundial de futebol para a cidade-sede baiana.

A nova estrutura substituiu o estádio Octávio Mangabeira – conhecido como Fonte Nova e inaugurado em 1951 no coração de Salvador. Em 2010, o estádio e o ginásio poliesportivo adjacente foram demolidos, e as piscinas olímpica e semi-olímpica do parque aquático da Fonte Nova foram soterradas para dar lugar à arena.

"Hoje, não temos nenhuma quadra, nenhuma piscina olímpica que atenda às exigências mínimas para que o atleta de Salvador possa treinar. Como queremos investir na formação de competidores sem infraestrutura?", questiona Argemiro Ferreira de Almeida, um dos coordenadores do Comitê Popular.

"Com a reconstrução da Fonte Nova, foram cortadas as oportunidades de ver o surgimento de novos talentos nos esportes", diz Hércules Pimenta, presidente da Federação Baiana de Voleibol. "Mais de 6 mil pessoas praticavam ali diversas modalidades. Hoje não se faz mais nada pelo esporte amador", lamenta. Pimenta conta que uma escolinha de esportes também funcionava no antigo ginásio.

"A única coisa que a nova Arena Fonte Nova representou para os atletas foi o declínio do esporte, no país que só valoriza o futebol", completa Ari Souza, professor de Educação Física em Salvador.

Nilton Vasconcelos, secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), argumenta que o ginásio da Fonte Nova estava com a estrutura comprometida e "praticamente desativado". "Os padrões da única quadra também não eram oficiais. Um ginásio maior está em projeto", diz. Segundo o secretário, a licitação para a construção do novo espaço, no bairro de Pituaçu, ainda não foi feita.

Uma nova piscina olímpica no centro de treinamento da Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac), que atenderia aos mais de 1,3 mil atletas que treinavam no parque aquático da Fonte Nova, também deveria ter ficado pronta em 2011. As obras, orçadas em 4,5 milhões de reais, não saíram do estágio inicial, mas Vasconcelos diz que devem ser concluídas ainda no primeiro semestre deste ano.

Financiamento e iniciativa privada

Para viabilizar as obras da Arena Fonte Nova, no valor final de 689,4 milhões de reais, o governo do Estado da Bahia recorreu a uma parceria público-privada com a concessionária Fonte Nova Negócios e Participações (FNP), composta pelas construtoras OAS Arenas e Odebrecht. Contratos de financiamento no valor de R$ 323,6 milhões foram feitos com o BNDES. O restante da verba foi concedido à FNP pelo Banco do Nordeste do Brasil, pelo Desenbahia – a Agência de Fomento do Estado da Bahia - e pelo Santander.

"O governo do estado começa a pagar agora pela obra", diz Vasconcelos. A estrutura segue, portanto, pertencendo ao estado, mas a FNP terá o direito de operar a Arena durante 35 anos. Receitas e despesas da estrutura - que deve abrigar não apenas partidas de futebol, mas também shows e eventos corporativos - serão divididas entre estado e a empresa.

Segundo Vasconcelos, a ideia era buscar "sustentabilidade econômica", já que os custos de construção e manutenção do estádio são altos. "A falta de investimentos sistemáticos foi motivo para a deterioração do antigo estádio."

Almeida, do Comitê Popular, critica a entrega do estádio à iniciativa privada. "A construção só trouxe o endividamento para o estado e a negação do direito do cidadão de ter um espaço público de uso coletivo e plural."

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