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Cultura

Novo disco marca 20 anos de carreira da banda «Die Toten Hosen»

O lançamento do 16º álbum do grupo alemão de mostrou que a banda ainda tem muita força. Em poucos dias, "Auswärtsspiel" vendeu 300 mil cópias e rendeu um disco de platina aos roqueiros.

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Campino, líder do Die Toten Hosen

Há cerca de 20 anos uma desconhecida banda da cidade de Düsseldorf se apresentava pela primeira vez num palco em Bremen, no norte da Alemanha. O dia do show era domingo de Páscoa e a banda se intitulava "Die Toten Hasen" (As lebres mortas). O som ensurdecedor da banda foi ganhando fãs de forma cada vez mais rápida. Hoje, os Die Toten Hosen já são consagrados como a banda de punk rock mais bem sucedida da Alemanha.

A mudança de apenas uma letra no nome da banda foi fundamental para a sua projeção. O novo nome do conjunto musical, Die Toten Hosen, significa literalmente "as calças mortas", uma expressão idiomática usada na Alemanha para designar aqueles que são ruins de cama, preguiçosos e desanimados, ou mesmo classificar um lugar onde não acontece nada.

A banda conhecida desde a Argentina até a Austrália lançou no final do mês de janeiro o seu 16º álbum, chamado Auswärtsspiel (jogo disputado no campo do adversário), com o qual vai começar mais uma turnê pela Alemanha, depois de mais de dois anos sem se apresentar. Os dois primeiros shows serão realizados na cidade de origem da banda, em contraste com o título do disco. Campino, o líder do grupo, explicou que a música título está baseada num ditado da região de Düsseldorf: "a vida é como um jogo fora de casa".

Paixões do grupo

Os Die Toten Hosen ficaram conhecidos por pregarem a mistura de cerveja, futebol e rock punk. As letras do grupo e sua ideologia costumam dialogar e parafrasear bastante com o futebol. A banda já chegou ao extremo de patrocinar o clube de futebol de sua cidade, o Fortuna Düsseldorf, cuja camisa é estampada com uma caveira. Porém, o apoio parece não estar sendo muito eficiente, o time está na segunda divisão e não consegue sair da zona de rebaixamento.

Nos últimos anos, os roqueiros punks também passaram a defender uma ideologia política clara no cenário nacional. O grupo defende um aumento dos direitos dos exilados no país, principalmente para os menores de idade, e condenam qualquer tipo de movimento político de extrema direita.

O vocalista dos Toten Hosen, Campino (seu nome verdadeiro é Andreas Frege), já prometeu um show bem interessante em Munique no Dia Internacional do Trabalho. Munique é o reduto eleitoral do candidato da direita a chanceler federal, Edmund Stoiber, que tem no número de desempregados na Alemanha seu grande trunfo para as eleições de setembro. "Não existe nenhuma alternativa séria para Schröder", disse Campino.

A trajetória do conjunto musical está recheada de escândalos e provocações. Além de protestos, suas letras primam pelo uso de palavrões e expressões de baixo calão. Um dos discos da banda tinha uma capa preta, apenas com a mensagem "compre-me".

O novo disco

O novo álbum da banda já chegou às lojas mais agressivo e pesado do que o último disco, Unsterblich (Imortal). Este álbum tinha um pouco das características do início da carreira do conjunto, mas Campino afirmou que os tempos mudam e a banda não pode ficar presa ao passado. Auswärtsspiel poderia até ser visto como uma obra de velhice – com reflexões sobre o passado, a velhice, a morte, a bíblia e o chefe de Estado alemão –, se não contivesse uma forte dose de auto-ironia.

Seja como for, os Toten Hosen voltam com freqüência ao passado no seu último trabalho. Os exemplos são "Was zählt", "Schlampe" e "Du lebst nur einmal". A faixa "Graue Panther" fala um pouco desta longa carreira da banda. Em um verso, Campino canta "Wir sind Punks, alte Punks - schweinealt" ("Nós somos punks, velhos punks - velhos pra cacete").

A primeira música a criar polêmica foi "Kein Alkohol ist auch keine Lösung" (Não beber também não é uma saída). Algumas emissoras de rádio da Alemanha já anunciaram que não vão tocar a canção por causa de sua letra.

A turnê

A banda de punk rock já programou 80 shows por toda a Alemanha para divulgar o novo trabalho. Os ingressos das duas primeiras apresentações em Düsseldorf, dias 8 e 9 de fevereiro esgotaram-se em poucas horas. Para os demais shows, cerca de 110 mil bilhetes já foram vendidos pelo país afora.

"Nós estamos muito contentes com os resultados das vendas de discos e ingressos, depois de tantos anos a gente nunca sabe em que pé está, realmente ", declarou Campino, que prometeu noites malditas nas duas apresentações em Düsseldorf.

Futuro da banda

Como músicos, os Die Toten Hosen conseguiram alcançar quase todos os seus objetivos. Eles já tocaram com AC/DC, U2 e Rolling Stones e em lugares como prisões, manicômios, mosteiros e até no desfile carnavalesco de Düsseldorf.

Segundo Campino, um dos desejos da banda é ainda poder tocar em Medellín, capital da Colômbia, para onde gravou uma versão cover da música "Cokane in my brain" (Cocaína no meu cérebro), do cantor de reggae Dillinger.

Os Toten Hosen também se tornaram famosos por serem leais aos seus conceitos. Eles são fiéis aos seus clubes, aos seus fãs, à ideologia política de esquerda e às atitudes do rock punk.

A fidelidade entre os integrantes do grupo até ultrapassa os limites da vida. Há pouco tempo a banda adquiriu um jazigo, onde todos os componentes do conjunto devem ser enterrados juntos e permanecerem punks para toda eternidade, além do amargo fim.

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