Novo Cinema Alemão comemora 50 anos | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 06.03.2012
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Cultura

Novo Cinema Alemão comemora 50 anos

"O cinema clássico está morto. Nós acreditamos no novo" – disseram 26 jovens cineastas alemães em 1962. O acontecimento entrou na história do cinema como Manifesto de Oberhausen e seus vestígios são visíveis até hoje.

Foi como qualquer outra revolução. Aqueles que tramaram a queda do cinema antigo desapareceram em algum momento das telas, apenas alguns poucos manifestantes conseguiram se manter. A longo prazo, sucesso mesmo só tiveram aqueles cineastas que vieram posteriormente.

A revolução em questão se chama Manifesto de Oberhausen e pode ser considerado o marco mais importante do cinema alemão pós-guerra. Na realidade houve precursores do movimento, mas eles acabaram caindo injustamente no esquecimento. Anos mais tarde ainda viriam a acontecer mudanças significativas, mas o que ficou na história foi o Manifesto.

'Abschied von Gestern' (Despedida de Ontem), de Alexander Kluge

'Abschied von Gestern' (Despedida de Ontem), de Alexander Kluge

Contra a falsa ilusão de um cinema nacional

Quais foram os motivos que levaram 26 jovens cineastas a exigir uma mudança no cinema alemão? Com a tomada de poder pelos nazistas em 1933, a veia artística do cinema alemão, antes significativo e influente mundialmente, foi podada. Na época muitos diretores famosos, assim como roteiristas, atores e equipes de filmagem deixaram o país e outros foram condenados à inatividade pelos nazistas. O cinema alemão não conseguiu suportar esse corte. Em 1945 faltou o ambiente econômico e cultural para que os diretores novos e aqueles retornando do exílio pudessem se reunir.

Discussão sobre o Manisfesto de Oberhausen

Discussão sobre o Manisfesto de Oberhausen

Os anos 1950 foram culturalmente desastrosos para o cinema alemão. Os filmes nacionais mostravam uma imagem de província da Alemanha que nada expressava a realidade. Comédias inocentes, filmes de guerra que não retratavam a verdade, entretenimento fútil – isso foi o ambiente cultural alemão por muitos anos. Contudo no final da década e início dos anos 1960 surgiu um protesto. E assim começou o tumulto no ambiente cinematográfico do país.

Histórias autênticas com pessoas "reais"

No começo dos anos 60 surgiu a televisão, que triunfou sobre as bilheterias da sétima arte. Toda a ira sobre a condição desastrosa do cinema alemão fluiu para o Manifesto de Oberhausen. "O colapso do filme convencional alemão afastou o incentivo econômico de um estado de espírito que rejeitamos. Assim, o novo cinema tem a chance de nascer", escreveram os 26 cineastas. E mais: "Declaramos nossa intenção de criar o novo longa-metragem alemão."

A exigência parecia ser: os filmes deveriam ser novamente autênticos, contar histórias que tratassem de pessoas "reais" das ruas, como também deveriam ser filmados em locações originais. O grande exemplo era a Nouvelle Vague, que tinha revolucionado o cinema francês pouco antes.

Cinema alemão dos anos 1950

Cinema alemão dos anos 1950

Entre os 26, somente poucos diretores viriam a ter sucesso duradouro e conseguiram implementar o que haviam proposto: "Nós temos ideias concretas, tanto espirituais, formais e financeiras sobre a produção do cinema alemão. Juntos, estamos dispostos a assumir os riscos econômicos." Alexander Kluge (Abschied Von Gestern, Die Artisten in der Zirkuskuppel: ratlos) era um deles, juntamente com Edgar Reitz (Mahlzeiten, Heimat).

Ambos formaram os alicerces do Novo Cinema Alemão. Peter Schamoni também conseguiu se afirmar como diretor, o ator Christian Doermer era um dos 26, Haro Senft trabalhava como diretor de filmes infantis, alguns outros encontraram trabalho pelo menos na década do Manifesto. Dos demais pouco se ouviu mais tarde.

A volta dos filmes alemães no mercado mundial

O grande sucesso do Novo Cinema Alemão veio a ser comemorado anos mais tarde por outros cineastas. Em 1966 em Veneza, Alexander Kluge foi premiado com um Leão de Ouro pelo filme Abschied von Gestern (Despedida de Ontem, 1965/1966). Após quatro décadas de abstinência, Rainer Werner Fassbinder, Werner Herzog, Wim Wenders e Volker Schlöndorff cuidaram para que a Alemanha voltasse novamente ao cenário mundial do cinema.

Heidi Stroh e Georg Hauke no filme de Edgar Reitz 'Mahlzeiten' (Refeições)

Heidi Stroh e Georg Hauke no filme de Edgar Reitz 'Mahlzeiten' (Refeições)

Na época, os 26 revolucionários de Oberhausen prepararam a base por meio do Manifesto. Eles asseguraram que a Alemanha recebesse uma infraestrutura de cinema. Nos anos seguintes surgiram escolas superiores de cinema e salas de exibição, surgiu o fomento à produção cinematográfica. Publicações sobre cinema atingiram um nível internacional e o cinema consolidou-se novamente na consciência do público interessado por cultura. Os signatários do Manifesto de Oberhausen fixaram as raízes do atual do cinema alemão com seu lema: "O cinema clássico está morto. Nós acreditamos no novo."

Autor: Jochen Kürten (aks)
Redaktion: Sarah Judith Hofmann

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