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Mundo

Novas forças políticas em ascensão na Espanha

Eleições regionais podem abalar legendas tradicionais e redesenhar cenário político, marcado há décadas pelo bipartidarismo. Podemos e Ciudadanos impulsionam mudanças, ao capitalizar insatisfação com corrupção e crise.

Em Alcala de Henares, uma pequena cidade próxima a Madri, uma multidão se aglomera em frente ao ginásio municipal de esportes. A poucos dias das eleições municipais na Espanha, os apoiadores de um novo partido de nome Ciudadanos (cidadãos) estão animados: eles apostam que a ascensão da legenda nos últimos meses pode fazer dela uma das principais forças políticas do país.

Poucos minutos mais tarde, dentro do ginásio, o líder do partido, Albert Rivera, de 35 anos, sobe ao palco para transmitir uma mensagem poderosa a seus adversários eleitorais.

"Alguns não compreendem o que está se passando na Espanha. Não estamos apenas nos aproximando do dia das eleições, estamos, sim, próximos de uma nova era", afirma. "Quem não entende isso não é capaz de liderar a mudança. A Espanha não vai bem, apenas vai bem para uma minoria."

Essa promessa de iniciar uma "nova era" bastou para mudar o cenário político do país. No domingo, quando as eleições decidirão quem terá com o controle das administrações municipais em toda a Espanha, além de 13 dos 17 Parlamentos regionais, espera-se que o mapa político do país seja drasticamente redesenhado.

Fim do bipartidarismo

Nas últimas três décadas e meia, o Partido Popular (PP) e o Partido Socialista Operário Espanhol (Psoe) têm dominado a política nacional. Entretanto, a recente crise econômica e uma enxurrada de escândalos de corrupção ameaçam, pela primeira vez durante o período democrático, a quebra desse bipartidarismo.

Spanien Ciudadanos Albert Rivera

O líder do partido Ciudadanos, Albert Rivera, anuncia o início de uma "nova era" na política espanhola

O Ciudadanos, juntamente com o Podemos, a outra nova força política espanhola a contar com uma liderança jovem, se beneficiam do desencanto da população com a situação atual. As pesquisas nacionais de opinião os colocam em um empate virtual com o PP e os socialistas.

"Essas eleições representam uma revolução, porque em vez de termos apenas dois partidos capazes de governar, poderemos ter um cenário político com quatro partidos, todos eles com esta capacidade", observa o cientista político José Ignacio Torreblanca, que publicou recentemente um livro sobre o Podemos.

A repentina ascensão das novas forças políticas espanholas fez com que a situação ficasse ainda mais dramática.

O Podemos foi formado em 2014 por um grupo de professores universitários de tendência esquerdista. Após angariar 1,2 milhão de votos nas eleições europeias, há um ano, sua base de apoio continua aumentando – o partido chegou a liderar pesquisas de opinião no início do ano.

Liderado por Pablo Iglesias, de 36 anos, o partido declarou ter ligações próximas com o esquerdista Syriza, que conquistou recentemente o poder na Grécia. As plataformas políticas antiausteridade e anticorrupção de ambas as legendas reforçam as comparações.

"Mudança com sensibilidade"

No entanto, as últimas pesquisas de opinião demonstraram uma queda no apoio ao Podemos, atribuída por alguns a uma tentativa do partido de apresentar uma imagem mais moderada. Outras análises apontam que a sigla sofreu com a ascensão do Ciudadanos.

Fundado em 2006 na Catalunha, o Ciudadanos surgiu com um partido que se opunha ao nacionalismo regional, antes de expandir sua presença até o ponto de se tornar, no início do ano, uma força reconhecida em todo o país. Seu objetivo é combater a corrupção ao mesmo tempo em que propõe políticas econômicas liberais, o que levou muitos a rotularem a legenda de "Podemos da direita".

Essa é uma descrição que seu candidato ao governo regional de Madri, Ignacio Aguado, rejeita categoricamente.

"Propomos mudança, mas uma mudança com sensibilidade", afirmou Aguado, antes de discursar no comício de seu partido em Alcala de Henares. "Somos sensíveis à escolha por mudança. O Podemos, em minha opinião, é um partido que propõe uma ruptura com o passado, enquanto se volta para o passado. Nós preferimos olhar para o futuro e tentar compreender a economia e a sociedade globais."

O Partido Popular, atualmente no poder, tenta minimizar o apelo das novas legendas com uma campanha voltada ao crescimento da economia, que deverá ser de quase 3% neste ano, longe das circunstâncias de 2012, quando o déficit espanhol, as dívidas e os bancos estavam no epicentro da crise da zona do euro.

Mariano Rajoy PK Madrid 12.11.2014

O Partido Popular do premiê Mariano Rajoy centraliza sua campanha no crescimento econômico do país

"Quem, ainda hoje, fala em recessão, resgate financeiro e desemprego?", perguntou nesta semana o primeiro-ministro Mariano Rajoy, ao tentar angariar os votos dos eleitores indecisos.

Indignação levada às urnas

Entretanto, a indignação amplamente difundida em relação aos políticos e banqueiros do país, que levou à ascensão do Ciudadanos e do Podemos, ainda não arrefeceu. O desemprego está em queda, mas ainda no patamar de 24%, com cerca de metade da população jovem do país sem trabalho. Famílias estão sendo com frequência despejadas de suas casas por não conseguirem pagar suas hipotecas.

A rejeição por parte de muitos espanhóis ao discurso de recuperação promovido pelo governo explica, por exemplo, por que o Podemos – dentro de uma coalizão de esquerda – disputa com o PP o primeiro lugar nas eleições para o governo municipal de Madri, segundo as pesquisas.

"O PP e os socialistas provaram que são incompetentes e incapazes de implementar uma perspectiva nacional que garanta um futuro digno à maioria da sociedade", afirma Miguel Vila, de 30 anos, um dos candidatos do Podemos ao Legislativo regional de Madri.

"O maior problema é que esses dois partidos têm governado em nome dos interesses de uma minoria privilegiada – seus amigos" observa. "E também tem a corrupção, porque não nos esqueçamos que a Espanha é um país corrupto, da primeira à última instituição."

O pleito regional será seguido por eleições gerais, em dezembro deste ano, que poderão confirmar a decisão espanhola de descartar o longevo sistema bipartidário e levar adiante a mensagem de uma regeneração democrática no país.

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