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Cultura

Nova montagem de "Tristão e Isolda" aclamada na abertura de Bayreuth

Contrariando as piores expectativas, a encenação da bisneta do compositor convenceu até os mais céticos. E, ao que tudo indica, o "regietheater" vai cedendo o primeiro plano à música no Festival Wagner.

Uma princesa é sequestrada: Isolda deve se casar contra a própria vontade com Marke, rei de uma terra estranha. Tristão, sobrinho e homem de confiança do monarca, a leva até sua destinação. Isolda ama Tristão, e vice-versa. Uma situação, porém, sem saída: esse amor só poderá se realizar depois da morte.

A música de Richard Wagner sinaliza inequivocamente esse "final feliz" no além. E essa música é reproduzida fielmente em cada apresentação de suas óperas. Já a encenação é outra história. Aqui, os diretores de cena têm – ou melhor, tomam – a liberdade de reinterpretar a ação e situação cênica.

Isso foi o que fez a diretora Katharina Wagner na versão de Tristão e Isolda que abriu neste sábado (25/07) o Festival de Bayreuth 2015. O que ela apresentou é bem deste mundo: depois de cantar o célebre Liebestod – o canto final de "morte de amor" – sobre o cadáver de Tristão, Isolda não morre, mas sim é levada embora pelo rei Marke. O poder terreno vence.

Bayreuther Festspiele - Inszenierung Tristan und Isolde EINSCHRÄNKUNG

Primeiro ato: labirinto de escadas

Leitura cuidadosa

No primeiro ato, os cantores se movem desorientados pelo cinzento labirinto de escadas criado pelo cenógrafo Frank Philipp Schlössmann. No espaço negro do segundo ato, barras redondas de metal, lembrando suportes de bicicleta, são erguidos para formar uma grade de prisão onde Isolda e Tristão ficam como presos indefesos, à luz violenta dos projetores. A poção de amor não é bebida, mas derramada. Planeja-se um duplo suicídio; os dois se arranham com as barras de metal.

O terceiro se compõe essencialmente dos sonhos e delírios do Tristão ferido. O palco é ainda mais escuro do que antes, imagens de Isolda aparecem em construções triangulares subitamente iluminadas – no nível do palco, depois flutuando no ar, para de repente desaparecerem de novo. Por uma vez Tristão toca a imagem, ela parece se desfazer no ar, só lhe sobra um vestido na mão.

No fim das contas, é possível encontrar ou compreender tudo a partir do texto e música de Wagner. A cuidadosa montagem de Katharina Wagner não é nenhuma reinterpretação revolucionária.

Bayreuther Festspiele - Inszenierung Tristan und Isolde EINSCHRÄNKUNG

Grades no segundo ato de Katharina Wagner

Contagem de aplausos

Por outro lado, não se cumpriram as piores expectativas do público do Festival de Bayreuth, de que a bisneta do compositor fosse colocar a trama de ponta-cabeça, como em seu Mestres-Cantores de Nurembergue de 2007, sufocar essa história profundamente séria sob um excesso de ideias cênicas. A obra da também diretora do festival, de 37 anos, é antes discreta, incapaz de incomodar muito quem quer que seja.

Como se mede o sucesso de uma estreia operística? Pela duração dos aplausos, quantas vezes os intérpretes retornam ao palco para agradecer ao público. Desse ponto de vista, a nova montagem de Tristão e Isolda é um sucesso. Inegavelmente, só houve umas poucas vaias, misturadas ao aplauso ensurdecedor para o maestro Christian Thielemann e a soprano Evelyn Herlitzius.

A alemã de 52 anos assumiu o papel de Isolda na última hora, ninguém sabe se por necessidade ou como solução de emergência. Seja como for, sua participação foi impecável, e ela ainda se superou no canto final. Mais brilhante ainda, mais preciso na afinação e mais claro na dicção, foi o americano Stephen Gould, como Tristão. São pouquíssimos os tenores que realmente dominam esse papel, mesmo entre os que têm se apresentado no Festival Wagner.

Bayreuther Festspiele - Inszenierung Tristan und Isolde EINSCHRÄNKUNG

Stephen Gould e Evelyn Herlitzius brilharam nos papéis principais

Música de volta ao primeiro plano?

Quanto à direção de cena, se esse Tristão for o anúncio de uma tendência, então os wagnerianos devotos podem estar tranquilos. A direção é oposta às controvertidas ramificações do regietheater, em que o encenador se coloca acima da trama e do texto, para apresentar no palco uma "viagem" totalmente pessoal. São muitos os que não aguentam mais montagens como a presente tetralogia O Anel do Nibelungo de

Frank Castorf

em Bayreuth.

O atual diretor musical do Festival de Bayreuth, Christian Thielemann, já se queixou várias vezes de que as novas produções dedicam toda a atenção à direção de cena, não à música.

O fato de ele ter sido chamado ao palco cinco vezes, sozinho ou junto com os solistas, parece ter peso simbólico. Já a equipe teatral, incluindo a diretora, só apareceu uma vez, brevemente. A mensagem parece ser que em Bayreuth a música está em boas mãos.

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