1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Nova Constituição egípcia mantém referência aos princípios da lei islâmica

Radicais islâmicos dão o tom na acelerada votação do projeto de uma nova Constituição para o Egito. Há manifestações marcadas e teme-se choques entre facções. Ministro alemão alerta para perigo de retrocesso democrático.

Uma Assembleia Constituinte dominada por membros da Irmandade Muçulmana e radicais salafistas já havia aprovado metade dos artigos do controverso esboço da nova Carta Magna do Egito, no início da noite desta quinta-feira (29/11).

A Constituinte manteve a referência aos "princípios" da sharia (lei islâmica) na futura Constituição, que ainda será submetida a referendo. A formulação já figurava na lei fundamental no tempo do ex-ditador Hosni Mubarak.

O artigo 2 do projeto de Constituição afirma que "os princípios da sharia" são a "principal fonte da legislação". Os salafistas queriam que essa referência tivesse um caráter "mais vinculativo", enquanto os liberais e a igreja copta ortodoxa – que representa de 6% a 10% da população – não queriam ir além da formulação da antiga Constituição.

A votação individual dos 234 artigos se dá em caráter de urgência. Nas últimas semanas, representantes da minoria cristã e vários liberais e seculares se retiraram da Constituinte, em protesto.

Sem aviso prévio, os islâmicos anteciparam a votação originalmente marcada para o início de dezembro. A medida visou esvaziar a resistência da oposição, que nos últimos dias vinha protestando veementemente contra o decreto que amplia os poderes do presidente Mohammed Morsi, em detrimento da Justiça. Morsi é oriundo da Irmandade Muçulmana.

Para evitar protestos no local da sessão, na noite anterior a polícia do Cairo erguera um muro de concreto diante do prédio. Algumas centenas de cidadãos protestaram na Praça Tahrir contra o "reino estatal dos radicais islâmicos" e o "novo faraó Morsi".

Está planejada para esta sexta-feira uma grande manifestação oposicionista. No sábado, serão os muçulmanos radicais a mobilizar suas forças. Observadores temem choques entre as duas facções.

Críticas de Berlim

Westerwelle empfängt den ägyptischen Außenminister Amr

Guido Westerwelle (dir.) recebe em Berlim ministro egípcio do Exterior, Kamel Amr

Comentando a votação no Cairo, o ministro alemão do Exterior, Guido Westerwelle, disse temer que, caso ocorra um retrocesso político no país, o movimento democrático do mundo árabe, como um todo, possa sair prejudicado.

"As revoluções nessa região só terão sucesso se a revolução no Egito tiver sucesso", declarou o político liberal, durante um encontro com seu colega de pasta egípcio, Kamel Amr, nesta quinta-feira em Berlim. Westerwelle instou extremistas islâmicos e oposição a procurarem uma solução de consenso. A autonomia da Justiça precisa ser mantida, insistiu.

Também falando de Berlim, o bispo cóptico-católico da província de Assiut e administrador do patriarcado de Alexandria, Kyrillos William Samaan, criticou: "Esta Constituição não representa todos os egípcios nem as ideias da Primavera Árabe".

AV/dpa/kna/afp/lusa
Revisão: Alexandre Schossler

Leia mais