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Economia

Nova cúpula dos Brics foca em como aumentar comércio entre membros

Líderes dos Brics se reúnem na China para discutir trocas comerciais num contexto global de protecionismo. Para analista, mesmo com crise econômica, Brasil não se reduziu a papel de coadjuvante na aliança.

A cidade chinesa de Xiamen recebe a 9ª cúpula do Brics

A cidade chinesa de Xiamen recebe a 9ª cúpula do Brics

A cidade de Xiamen, no sudeste chinês, será palco, a partir deste domingo (03/09), da 9ª cúpula dos países do Brics – grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Entre os principais temas de discussão estão o aumento do comércio entre as nações da aliança num contexto global de protecionismo e o avanço de projetos voltados ao financiamento do desenvolvimento.

"Essas conversas passam tanto por entendimentos no nível bilateral entre os membros do grupo, como pelo reforço dos mecanismos de financiamento construídos pelo próprio Brics, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) e do Acordo Contingente de Reservas [uma espécie de fundo para ajudar países no caso de crises de balanço de pagamentos]", diz Marcos Troyjo, diretor do BRICLab da Universidade de Columbia, nos EUA.

Leia mais: Brics tenta avançar em meio a rivalidades e divergências  

O NBD, também conhecido como Banco do Brics, foi fundado em 2014 para financiar grandes obras de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável nos países que formam o grupo. Os primeiros projetos – todos na área de energias renováveis e no valor total de cerca de 800 milhões de dólares – foram aprovados em abril do ano passado.

"O futuro do agrupamento talvez passe também pela ideia de 'Brics Plus', quer dizer, eventualmente incluindo nas tratativas outros atores importantes do mundo em desenvolvimento", frisa Troyjo. "Como observadores, nesta cúpula estarão presentes o México, Tailândia, Tajiquistão, Egito e Guiné. Talvez faça sentido no âmbito do banco deixar a porta aberta a novos membros."

O especialista frisa ainda que, no momento em que os EUA se afastam de tratativas comerciais plurilaterais, como o Tratado Transpacífico (TTP) ou Acordo de Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP), os Brics podem reforçar os laços comerciais entre si. Porém, isso depende que a geometria comercial do grupo ganhe outros epicentros que não sejam somente a China. 

"Brasil, Rússia e Índia têm atualmente em Pequim seu principal parceiro comercial. Mas, entre os três primeiros, o comércio em si é ínfimo. Há muito no campo de software, farmacêuticos, têxteis e commodities minerais que deveriam catapultar, por exemplo, o comércio entre Nova Déli e Moscou", diz Troyjo. "Na mesma medida, o crescimento exponencial da economia cotidiana abre imensas avenidas de oportunidade para exportações brasileiras de commodities agrícolas e produtos alimentícios mais elaborados."

"China e Índia são fundamentais para Brasil superar a crise"

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Temer diz à televisão chinesa que Brics não está em declínio

Alguns especialistas não descartam, ainda, o avanço nas negociações ou até mesmo o anúncio da criação de uma agência de classificação de riscos do Brics, que competiria com instituições tradicionais como Moody's, Standard&Poor's (S&P) e Fitch. Mais do que uma alternativa, a medida se alinha à busca por maior "compliance” por parte das empresas e fundos de investimentos chineses.

"Há ainda no Brasil um certo ceticismo, mas a ideia surgiu sobretudo devido a críticas em Pequim e Moscou que, apesar do deslocamento de poder para a Ásia, as principais instituições [de classificação de risco] continuam sendo dos EUA", diz Oliver Stuenkel, professor de relações internacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV). "A importância é relativamente pequena, porque uma nova agência precisaria primeiro ganhar credibilidade do mercado. Portanto, o por agora impacto seria mais simbólico."

Stuenkel destaca a divisão clara entre os países do Brics: enquanto China e Índia seguem em ascensão econômica, Brasil, Rússia e África do Sul passam por crises. "Isso certamente dará a Pequim e Nova Déli um peso maior nos debates na cúpula, ou seja, o próprio grupo está se centrando mais na Ásia", conta. Apesar disso, essa situação não fragilizaria o Brics. "Os mercados da China e Índia serão fundamentais para que o Brasil possa superar a crise. E isso vale também para Rússia e África do Sul."

O especialista acredita que o Brasil, por causa da crise econômica e política, não é apenas um coadjuvante no Brics, porque há um reconhecimento dos outros países de que a crise brasileira é temporária. "O país tem um papel um pouco menor em função de Brasília não ter tanto tempo e energia para, de fato, pensar, debater e priorizar a questão do Brics. O grupo é um projeto de longo prazo e a crise temporária não deixa o país marginalizado nesta reunião", explica.

Temer busca investidores chineses para privatizações

Antes de partir para a cúpula em Xiamen, o presidente Michel Temer fez uma visita de Estado a Pequim na sexta-feira e se encontrou com seu homólogo chinês, Xi Jinping, e o premiê Li Keqiang. O principal objetivo das reuniões foi atrair novos investimentos chineses para o país, além de apresentar o conjunto de 57 projetos que deverá ser concedido à iniciativa privada, tais como a venda de empresas públicas, concessão de aeroportos e de linhas de transmissão.

"O Brics, mas sobretudo a China, têm um papel fundamental na retomada da economia brasileira. Os chineses deverão ser os principais investidores nessa próxima rodada de privatizações e concessões do governo e, de certa maneira, isso representa uma nova época na qual entramos", explica Stuenkel. "Não podemos mais pensar em um plano econômico de longo prazo para o Brasil sem levar em consideração o Brics e a China."

O país asiático já é um investidor com crescente presença em vários setores importantes da economia nacional, passando pelo automotivo, petrolífero, máquinas e equipamentos, eletrônico e comunicações e, ainda, o de commodities. Segundo dados do Conselho Empresarial Brasil-China, o gigante asiático investiu 37,1 bilhões de dólares no país entre 2010 e 2015. A China é ainda o maior parceiro comercial do Brasil, sendo que, em 2016, as trocas bilaterais alcançaram 58,5 bilhões de dólares.

"Creio que continuaremos vendo importantes aquisições de ativos empresariais brasileiros pelos chineses, mas a maioria dos investimentos de mais fôlego deverá aguardar os rumos que o Brasil vai tomar a partir do pleito presidencial de 2018", conta Troyjo. "Assim, a visita de Temer é mais semelhante a 'arar o terreno' do que algo que se possa colher já no ano que vem."

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