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Ciência e Saúde

Nova barraca pode melhorar condições de vida em acampamentos de refugiados

Assim como as barracas tradicionais, o Domo é fácil de montar. Só que ele dura mais e é também altamente adaptável a mudanças climáticas e às necessidades das pessoas.

Muitos acampamentos de refugiados estão localizados em ambientes inóspitos. E, em fuga de desastres naturais ou conflitos, as pessoas deslocadas podem acabar vivendo durante anos, em alguns casos até décadas, em barracas e tendas improvisadas.

"Uma tenda é boa para oferecer socorro por um curto espaço de tempo. Ela é leve e pode ser transportada para qualquer lugar de forma bem rápida. Mas, depois desse tempo, começam os problemas", afirma o designer alemão Daniel Kerber, diretor da organização Morethanshelters (mais que abrigos).

Kerber e sua equipe criaram um novo modelo de moradia para acampamentos de refugiados, chamado Domo, que, assim como as tradicionais barracas, é fácil de montar. Só que o Domo dura mais e é também altamente adaptável a mudanças climáticas e às necessidades das pessoas.

Segundo Kerber, o novo conceito se orienta principalmente pelas necessidades dos refugiados, em vez de simplesmente atender às necessidades das agências humanitárias, preocupadas em organizar rapidamente abrigos emergenciais em larga escala. "Temos que considerar que essas pessoas, de onde quer que elas venham, trazem consigo sua cultura, e dela faz parte um padrão espacial."

DOMO Zelt Prototyp

Testes mostraram que o Domo é mais confortável do que as tendas tradicionais

Fácil de montar

O Domo foi projetado para pesar o mesmo que uma tenda padrão, ou seja, cerca de 50 quilos. Do lado de fora, ele se parece com um grande iglu. Tem seis lados, recobertos com algodão do lado de dentro. Andar dentro da barraca de 25 metros quadrados é confortável, pois seu teto tem quase três metros de altura.

A estrutura em forma de cúpula possui seis braços dobráveis, que podem ser feitos de madeira compensada, metal ou até mesmo plástico reciclado. "Essa é nossa invenção principal. Tivemos de criar uma estrutura que possa ser montada do nada", conta Kerber. Ele afirma que os braços dobráveis permitem que o Domo seja facilmente montado por duas pessoas, sem a necessidade de ferramentas.

Enquanto as barracas tradicionais dos acampamentos de refugiados precisam ser substituídas a cada seis ou oito meses, a estrutura principal do Domo pode durar até dez anos, assegura Kerber. Só a cobertura externa precisa ser substituída ou ao menos reforçada, dependendo das condições climáticas.

"Uma família africana de 20 pessoas precisa viver separada nos atuais acampamento, pois as barracas comportam no máximo cinco pessoas." Muitas vezes, crianças vivem separadas das mães, afirma. O Domo pode mudar isso.

Vida mais digna

Daniel Kerber Designer

Kerber, que criou o Domo, afirma que ele pode ser montado por duas pessoas sem ajuda de ferramentas

O estresse por viver num acampamento de refugiados é muito alto. O acampamento de Zaatari, por exemplo, para refugiados sírios no norte da Jordânia, é a atual morada de mais de 100 mil pessoas. Desde sua criação, em 2012, ele se tornou uma cidade gigantesca e, diversas vezes, foi cenário de violência. A isso somam-se tempestades de areia e condições climáticas extremas: calor intenso no verão e temperaturas muito baixas no inverno. Kerber afirma que o Domo pode ajudar a aliviar tensões nesses locais.

As barracas, por exemplo, podem ser agrupadas para grandes famílias. E, se os refugiados precisarem morar nesses locais por um longo período, o Domo pode ser transformado em cabana ou, até mesmo, numa casa. Os primeiros testes na Dinamarca, na África do Sul e na Namíbia mostraram que o sistema de fato oferece mais conforto do que o abrigo padrão para refugiados.

Segundo Stefan Tahn, especialista em emergência da agência alemã Technische Hilfswerk que ajudou a construir o campo de Zaatari, o Domo pode mudar a maneira como os funcionários das agências humanitárias veem os acampamentos de refugiados. "Ele é fácil de ser ajustado, e eu acho importante que as pessoas possam ajustar e modificar elas mesmas sua morada", opina Tahn.

O sistema está agora em fase de testes para a certificação. No próximo ano, ele poderá estar liberado para uso em campos de refugiados.

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