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Alemanha

Nobel reacende debate sobre crise da pesquisa científica alemã

Entrega do prêmio sueco a logo dois alemães reabriu a discussão sobre a qualidade da pesquisa científica no país. Políticos atribuem méritos a recentes reformas, enquanto jornais alertam contra diagnósticos precipitados.

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Prêmio é indicador de situação da pesquisa no país?

O anúncio da entrega de dois prêmios Nobel a cientistas naturais alemães contribuiu para reacender a recente polêmica sobre a qualidade da infra-estrutura de pesquisa na Alemanha, e os riscos que o país enfrenta como pólo científico inovador e internacionalmente reconhecido.

Seriam Peter Grünberg, Nobel de Física, e Gerhard Ertl, Nobel de Química, apenas exceções, que chegaram até onde estão por mero acaso? Ou seriam injustas as inúmeras críticas feitas ao sistema de pesquisa alemão?

Acaso ou não, os dois premiados elogiam a infra-estrutura alemã de pesquisa. Ertl garante que nunca teve "problema nenhum" e tampouco consegue entender "por que é que tanto se reclama de falta de verba", enquanto Grünberg não vê "nenhum motivo para complexos de inferioridade científica".

Deutschland Nobelpreis in Chemie für Gerhard Ertl Symbolbild

Gerhard Ertl, Nobel de Química

Além disso, ambos optaram por permanecer no país. "Tenho que admitir que a pesquisa de base na Alemanha é incentivada de uma forma que você não encontra em outros países", afirma Ertl. "Sempre recusei ofertas de fora, pois acredito que aqui temos as melhores condições."

Políticos ressaltam incentivos

É possível que a euforia da homenagem tenha afetado seus julgamentos. Mas políticos se apressam em assegurar que os elogios são plenamente justificados. Kurt Beck, presidente do Partido Social Democrata alemão (SPD), viu o anúncio como "uma bela confirmação do status das ciências naturais na Alemanha e um estímulo para jovens pesquisadores". E o presidente alemão, Horst Köhler, em sua carta de felicitação, caracterizou a premiação como algo que "lança uma luz positiva sobre as ciências naturais, como um todo, na Alemanha".

A ministra alemã de Ensino e Pesquisa, Annette Schavan, aproveitou a ocasião para salientar o engajamento do governo alemão na pesquisa científica. "No mundo todo, se fala do clima de recomeço na ciência e na pesquisa alemãs. Não se pode mais falar em estagnação, estamos a caminho da meta dos 3%", disse.

Até 2010, a Alemanha pretende investir 3% do PIB na pesquisa científica. De acordo com pesquisas recentes, hoje esse índice é de 2,5%, o que rende ao país a 9ª posição no ranking internacional, bem atrás dos Estados Unidos, do Japão, da Suécia e da Finlândia. O governo cobra da iniciativa privada que também faça sua parte, agora que os subsídios do governo foram elevados consideravelmente.

Setor econômico otimista

Também o setor econômico acredita que os prêmios trarão efeitos positivos. Em entrevista ao Handelsblatt, o presidente da Confederação Alemã de Empregadores (BDA), Dieter Hundt, disse acreditar que a condecoração "estimulará o interesse dos jovens pelas disciplinas técnicas e biológicas", pois só assim será possível manter o desempenho tecnológico do país.

Schweden Deutschland Nobelpreis in Physik für Peter Grünberg Symbolbild

Peter Grünberg, Nobel de Física

Matthias Kleiner, presidente da Sociedade Alemã de Pesquisa (DFG), espera que o Nobel ajude a criar "novos ídolos inspiradores, combatendo a falta de mão-de-obra especializada em determinados setores". Segundo relatório recente do governo alemão sobre a capacidade de desempenho tecnológico do país, a cada ano faltam cerca de 62 mil profissionais formados, dos quais 12 mil são engenheiros.

Diagnóstico precipitado

No entanto, especialistas advertem para os perigos de superestimar o significado do Nobel, lembrando que há ainda muito a ser feito, por exemplo para tornar os resultados da pesquisa de base mais aproveitáveis pela indústria alemã.

Afinal, Ertl começou seus trabalhos nos anos 60, enquanto a contribuição decisiva de Grünberg para o desenvolvimento de discos rígidos foi feita há 20 anos, embora baste "olhar no verso de um deles, para perceber quem está ganhando dinheiro com isso no Extremo Oriente", lembra o jornal Süddeutsche Zeitung.

Na avaliação do jornal, "o fato de políticos e instituições de pesquisa tentarem reverter o brilho da premiação sueca para seus próprios fins é apenas um efeito colateral previsível e inoportuno", como "se a Alemanha se tivesse convertido, da noite para o dia, do país da evasão de cérebros para uma centro de pesquisa de ponta". O jornal alerta para os perigos de um diagnóstico precipitado, como se fosse possível avaliar o sistema científico a partir do prêmio sueco.

Nem tudo são trevas

Por outro lado, o Handelsblatt lembra que nem tudo são trevas, e que o governo alemão está investindo 1,9 bilhão de euros em universidades selecionadas. Ao mesmo tempo admite que "a pesquisa científica alemã há anos já não desfruta do renome internacional que possuía nos primeiros anos do pós-guerra" e que as universidades alemãs seguem caindo no ranking mundial, hoje liderado pelos EUA e cada vez mais na mira de instituições asiáticas..

Além disso, o jornal lembra que os dois cientistas premiados são exemplos de uma perfeita combinação entre pesquisa dentro e fora das universidades. Assim, eles representam uma exceção à tradicional – e freqüentemente criticada – separação alemã entre universidades e instituições independentes de pesquisa, em geral melhor financiadas.

Como resumiu o Frankfurter Allgemeine Zeitung (FAZ), "a pátria de Grünberg e Ertl também pode se orgulhar, afinal, com eles também é homenageado o ambiente em que foram à escola, estudaram e onde puderam desenvolver seus talentos". No entanto, "nada pode ser mais equivocado do que repousar sobre os louros. Muito melhor seria refletir sobre o que virá depois".

E o próprio jornal responde: "Se cuidarmos suficientemente desta infra-estrutura, não seria ilusão se a Alemanha logo passasse a ocupar a liderança na pesquisa climática". (rr)

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