Nobel da Paz Liu Xiaobo é há décadas um crítico do comunismo chinês | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 09.12.2010
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Mundo

Nobel da Paz Liu Xiaobo é há décadas um crítico do comunismo chinês

Vencedor do Nobel da Paz já foi preso quatro vezes. A primeira após a repressão sangrenta ao movimento democrático de 1989. A última por um manifesto pela democracia que reuniu mais de 10 mil assinaturas na China.

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Governo chinês proibiu Liu de comparecer à entrega do Nobel

Há décadas Liu Xiaobo é um dos mais conhecidos críticos das estruturas de poder do comunismo na China. Para o ativista de 54 anos, os muros da prisão não são novidade. Ele foi preso pela primeira vez depois da repressão sangrenta ao movimento democrático de 1989.

Em entrevista à emissora alemã ARD em 2007, Liu recordou claramente o medo que sentira ao ser amordaçado e jogado dentro de um carro com os olhos vendados. "Eu não tinha ideia de para onde eles iriam me levar. Achei que iam simplesmente acabar comigo."

O escritor e professor de literatura ficou ao lado dos estudantes em 1989 e se posicionou claramente a favor da democratização da China. Mas os dois anos na prisão não conseguiram intimidar Liu, que foi preso novamente em 1995 e 1996.

Liu Xiaobo é impulsionado também por um sentimento de dever para com as vítimas da Praça da Paz Celestial em 1989. "Muitos inocentes morreram a tiros naquele 4 de junho. Eu acredito que, como sobrevivente, devo lutar por justiça em nome dos que perderam suas vidas."

Manifesto pela democracia

No final de 2008, Liu Xiaobo foi preso novamente como principal autor da Carta 8, publicada no 60ª aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos. A Carta 8 é um manifesto pela democratização e reforma política da China. A carta defende a separação dos poderes, a liberdade de opinião e a livre disputa entre partidos políticos.

China Liu Xia Ehefrau von Dissident Liu Xiaobo in Peking

Liu Xia: "Meu marido tem uma força de vontade inacreditável"

Para os detentores do poder na China, a Carta 8 é uma provocação, explica o jornalista e especialista em China Willy Lam. "A entrega do Nobel da Paz a Liu Xiaobo é para Pequim uma conspiração do Ocidente para minar a autoridade do governo chinês", diz Lam. Na opinião do especialista, a condenação de Liu a 11 anos de prisão deve ter sido uma decisão política unânime do Partido Comunista chinês.

A esposa do vencedor do Nobel da Paz, Liu Xia, disse em julho deste ano que já sabia que o Partido Comunista faria seu marido pagar caro pela Carta 8. "Muitos no lugar dele teriam desistido, mas Xiaobo tem uma força de vontade inacreditável", diz ela sobre o marido.

Cerca de 10 mil chineses assinaram a Carta 8. No Natal de 2009, Liu Xiaobo foi condenado a 11 anos de prisão, acusado de subversão. Olhando em retrospectiva, suas declarações dadas em 2007 num hotel de Pequim soam proféticas. Na entrevista à ARD, Liu disse que acabar na prisão é um risco profissional para um dissidente.

"Assim que você toma uma decisão, deve assumir os riscos e a pressão com otimismo, com confiança e em paz." Liu encara a pressão com uma atitude pacifista inabalável e não permite que lhe tirem a dignidade. Em fevereiro deste ano, vários jornais internacionais publicaram uma carta aberta de sua autoria com o título Eu não tenho inimigos .

Liu Xiaobo cumpre sua pena numa prisão a 500 quilômetros ao norte de Pequim, não muito longe de sua casa. Ele pode receber visitas uma vez por mês. Apenas sua mulher tem permissão para visitá-lo, mas ela está atualmente em prisão domiciliar.

Autores: Matthias von Hein/Yang Ying/Francis França
Revisão: Alexandre Schossler

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