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Alemanha

No aniversário do Muro, Berlim homenageia vítimas da divisão da Alemanha

De 1961 a 1989, ao menos 138 pessoas foram mortas nas proximidades do Muro de Berlim, a maioria ao tentar fugir da Alemanha comunista. Cerimônias lembram importância de recordar, mas também de perdoar para se libertar.

O transcurso dos 53 anos desde o início da construção do Muro de Berlim foi relembrado nesta quarta-feira (13/08), na capital alemã, com uma cerimônia para as vítimas da divisão do país. A data também foi registrada em outras cidades alemãs.

Segundo enquete recente, a metade dos cidadãos do país desconhece que a construção do Muro começou em 13 de agosto de 1961. O divisor físico entre as duas Alemanhas foi erguido por ordens do regime comunista do lado oriental. O tortuoso paredão de cerca de 155 quilômetros de extensão cortou Berlim durante 28 anos.

Até sua queda, em 9 de novembro de 1989, numerosos cidadãos foram mortos em suas proximidades, a maioria ao tentar atravessá-lo para sair clandestinamente da Alemanha comunista, uns poucos, por acidente. As estatísticas sobre o número total das "vítimas do Muro" divergem, indo de 138 a 245.

Mauerbau Berlin

Construção do Muro começou no dia 13 de agosto de 1961

Recordação e perdão libertador

Da solenidade principal na capital alemã participaram cem convidados, entre os quais Roland Jahn, encarregado dos arquivos do Stasi, órgão da polícia secreta da Alemanha Oriental. Num artigo de jornal recente, ele apelara para que a história da separação do país fosse transmitida aos jovens escolares alemães com ênfase reforçada.

Após um culto na Capela da Reconciliação, na antiga "faixa da morte" do Muro, o prefeito berlinense, Klaus Wowereit, depositou uma coroa de flores no Memorial do Muro de Berlim, na rua Bernauer. O político social-democrata enfatizou que lembrar a construção do Muro e honrar às vítimas é uma "tarefa voltada para o futuro".

Perto do "Checkpoint Charlie", juntamente com o presidente do legislativo da cidade, Ralf Wieland, e Friede Springer, coproprietária da editora de periódicos Springer, Wowereit também depositou flores no monumento a Peter Fechter, uma das primeiras e mais conhecidas vítimas do Muro. Durante uma tentativa de fuga em agosto de 1962, o pedreiro de 18 anos foi fuzilado próximo ao Muro por guardas de fronteira da Alemanha Oriental, e sangrou até a morte.

O pastor Curt Stauss, encarregado da Igreja Evangélica da Alemanha (EKD) para assuntos ligados ao regime comunista, apelou às vítimas de injustiça por perdão e reconciliação. "Quem é perdoado pode voltar a caminhar ereto e se confrontar com as consequências dos próprios atos", disse. Isso pode exigir ainda muitos anos, "mas é um trabalho necessário".

O teólogo lembrou que, mesmo 25 anos após a queda do Muro, ainda há vítimas da opressão estatal que seguem trabalhando com terapeutas, aconselhadores e psicólogos para "libertar-se da fixação nos agressores".

AV/dpa/epd

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