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Alemanha

Neonazistas planejavam ação na volta às aulas

Organizações de extrema-direita planejavam distribuir 50 mil CDs grátis em escolas de todo o país. O governo alemão proibiu a ação, mas especialistas alertam para nova e eficiente estratégia dos neonazistas.

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Música é um meio cada vez mais eficaz de divulgar conteúdo neonazista

Pelo menos 50 mil CDs intitulados "Conformação é covardia - Músicas do underground" deveriam ser distribuídos gratuitamente por neonazistas em escolas de todo o país na chamada "Operação Recreio". Mas a iniciativa, planejada para a volta às aulas no país, foi proibida pela procuradoria da república alemã por ser prejudicial à juventude. "Só o fato dos alunos entrarem em contato com extremistas já seria motivo suficiente", explicou o procurador Jürgen Konrad ao site alemão tagesschau.de.

Segundo Konrad, "o novo código de proteção à juventude, que entrou em vigor em primeiro de abril último, proíbe não apenas a distribuição, mas também o armazenamento de material nocivo à juventude". A polícia apreendeu o recibo de entrega dos 50 mil discos, mas o material ainda não pôde ser encontrado. Os especialistas em movimentos de extrema-direita Jan Raabe e Andreas Speit acreditam que os discos serão distribuídos mesmo assim. Afinal, já são muitas as músicas proibidas por lei que alcançaram valor de culto na cena neonazista.

Neonazistas usam nova estratégia

Speit e Raabe alertam para o emprego de novas estratégias. Segundo eles, cerca de 50 grupos extremistas, bandas de rock, associações neonazistas e distribuidoras musicais estariam envolvidas na rede. Há dez ou 15 anos, eles teriam se organizado em partidos ou associações convencionais. Mas atualmente, alertam Speit e Raabe, vem-se notando a formação de um movimento.

Saufen für das Reich

Manifestação neonazista na Baviera

O motivo para isso, dizem, foi o choque que a cena sofreu no começo dos aos 90, quando o governo alemão fechou inúmeras organizações de extrema-direita como resposta a incêndios e agressões que causaram a morte de mais de 70 pessoas.

As "camaradagens livres" como são chamadas as associações neonazistas, foi a solução para driblar a ilegalidade, uma vez que elas não possuem o caráter de uma organização. Além do mais, elas atraem jovens, oferecendo cerveja e música ao invés de encontros políticos.

Também a produção de um CD não deve ter sido problema para os extremistas, uma vez que gravadoras e distribuidoras estão envolvidas tanto no planejamento quanto na produção. Segundo Speit e Raabe, hoje há cerca de 380 bandas que divulgam conteúdo neonazista nos países de língua alemã.

Não apenas skinheads

Mas neonazista já não mais implica necessariamente skinhead. "Neonazistas não saem mais por aí vestindo uniformes da SA, a cena está cada vez mais colorida", explica Raabe. A cena mistura-se cada vez mais com outras subculturas, caracterizando o que os especialistas chamaram de "uma nova qualidade da extrema-direita na Alemanha".

Demonstrierende Neonazis

Passeata na cidade de Munique

Eles agora agem de maneira ofensiva e dirigida a certos grupos e não buscam apenas alvos fáceis como jovens com problemas. Cada vez mais estudantes colegiais e universitários se envolvem com organizações neonazistas.

Mas também há resistência. Em diversas escolas, foram criadas iniciativas contra o extremismo e até um CD foi planejado em resposta. Instituições do governo também estão cientes do problema, o que para Raabe e Speit é um bom sinal de que o governo parou de pensar que a influência dos neonazistas diminuiu, só porque o número de associações registradas diminuiu.

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