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Ciência e Saúde

Negociações do clima pouco avançam em Varsóvia

Passada uma semana, balanço é de muito trabalho e pouco resultado na conferência que ocorre na capital polonesa. Critério da responsabilidade histórica, defendido pelo Brasil, é criticado por europeus e ativistas.

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Manifestantes pedem mais decisões dos países envolvidos nas negociações

"Não há um planeta B" e "Deixe o carvão nas minas e assim haverá um futuro para todos" foram alguns dos slogans ouvidos em um protesto pelas ruas de Varsóvia, na Polônia, durante a Conferência Mundial do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), que começou na segunda-feira passada (11/11) e prossegue até esta sexta.

Cerca de mil jovens de toda a Europa partiram do centro da capital polonesa rumo ao estádio onde ocorre a conferência. Dezenas de policiais acompanharam a manifestação, equipados com cassetetes e gás lacrimogêneo para proteger os ativistas de eventuais reações contrárias.

"O nome da marcha é 'contra as mudanças climáticas e por justiça social'", explicou Filip Ilkowski, um dos poucos manifestantes da própria Polônia. "É realmente importante associar esses dois temas. As mudanças climáticas precisam ser interrompidas, mas de maneira que o mundo se torne mais justo e não injusto."

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"Não há ainda nenhum resultado concreto", afirma Christiana Figueres, chefe do clima da ONU

Dentro do estádio, as negociações continuam. Muitas questões técnicas devem ser esclarecidas para que a partir desta terça-feira, com a chegada dos ministros, estejam em aberto apenas as questões políticas.

Mas há várias divergências nas questões técnicas. "Estamos trabalhando nelas", assegura Christiana Figueres, secretária-executiva da ONU para as mudanças climáticas. "Mas não há ainda nenhum resultado concreto que eu possa reportar aqui." Segundo ela, o que prevalece é um clima de arregaçar as mangas.

Mas nem todos concordam. O negociador-chefe da Suíça, Franz Perrez, disse estar desapontado após a primeira semana. "Começamos esta conferência com a proposta de não seguir adiante como sempre, mas de chegar a decisões concretas. Mas, em vez disso, estamos novamente apontando o dedo uns para os outros", afirma.

Responsabilidade histórica

Um exemplo disso são as negociações para um novo acordo climático global, que deverá estar pronto para ser aprovado na próxima conferência do clima, em Paris, daqui a dois anos. Pela primeira vez não apenas os países industrializados, mas todas as nações deverão colocar seus números sobre a mesa e comunicar com que redução nas suas emissões de gases estufa pretendem se comprometer.

Para que daqui a dois anos haja critérios claros sobre, por exemplo, qual será o ano-base para comparações ou como se calcula a emissão de uma tonelada de gases do efeito estufa, os debates sobre esses critérios estão sendo conduzidos já agora em Varsóvia. E as opiniões mais distintas vêm à tona: o Brasil, por exemplo, propôs que seja considerada a responsabilidade histórica dos países industrializados.

Klimakonferenz Warschau Pressekonferenz Proteste

Ativistas protestam após Japão anunciar que abandona meta de redução de emissões

O argumento brasileiro é que as indústrias desses países emitem gases poluentes desde o fim do século 18 – há muito mais tempo do que as indústrias dos países emergentes e em desenvolvimento. O argumento, no entanto, não convence a União Europeia.

"A União Europeia não vê problema em falar sobre as emissões históricas", diz o negociador europeu Jürgen Lefevere. "Mas temos algumas objeções a essa proposta." Ela faz das emissões históricas o único indicador, diz Lefevere. "Essa proposta esconde um risco enorme: o de que o acordo seja empurrado para depois de 2015, porque é preciso tempo para que esse indicador possa ser desenvolvido e aplicado."

O especialista em clima Martin Kaiser, do Greenpeace, vê o mesmo risco. Os países emergentes têm razão quando afirmam que as nações desenvolvidas devem arcar com a sua responsabilidade histórica, diz ele. Mas também é importante que não se use a questão histórica para segurar as negociações. "O Brasil é o país que mais chama a atenção de forma negativa, por ser um dos países que querem adiar ou atrasar negociações, também por conta das eleições presidenciais no próximo ano", comenta.

Retrocesso no Japão

De qualquer forma, a primeira semana teve mais retrocessos do que avanços. Apesar de estar previsto que os países apresentassem o quanto estão dispostos a reduzir suas emissões de gases estufa já antes da entrada em vigor do novo acordo global em 2020, o Japão comunicou que está abandonando sua meta.

Em vez de reduzir suas emissões em 25% até 2020, em comparação a 1990, o país prevê um aumento de 3%. Conforme explicou o negociador-chefe do Japão, Hiroshi Minami, em tom de desculpas, desde o acidente nuclear de Fukushima, em março de 2011, nenhum dos 50 reatores nucleares está produzindo energia. Quando os objetivos climáticos assumido pelo país foram calculados, 40% da energia demandada deveria ser fornecida por usinas nucleares, que estão paradas. Isso significa que essa demanda precisa agora ser suprida por matrizes fósseis.

A União Europeia mostrou ter ficado desapontada com esse passo. Também Figueres, da ONU, lamentou a decisão. Para Martin Kaiser, do Greenpeace, o passo dado pelo Japão é mais do que apenas lamentável. "O anúncio do Japão é um sinal fatal para países como a China e a Índia", afirma. "E esses são países que precisamos urgentemente incluir num futuro acordo do clima."

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