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Economia

Negócios à parte

Representantes da economia alemã e norte-americana divergem sobre as conseqüências econômicas da dissonância entre os governos de Berlim e Washington em relação a uma intervenção militar no Iraque.

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Carros alemães nos EUA: ameaçados pela crise política?

Se a Confederação do Comércio Atacadista e de Exportação lamenta as relações abaladas, as grandes empresas, por sua vez, ainda não se sentem discriminadas e anunciam que os negócios correm normalmente. Já a Confederação Alemã da Indústria (BDI) manifestou-se preocupada com as tensões na área política e reivindica a retomada do diálogo.

A insistência do governo de Berlim contra uma invasão norte-americana no Iraque irritou não só o primeiro escalão em Washington. Também alguns membros republicanos no Congresso já defenderam publicamente a necessidade de "tomar medidas contra as rebeldes França e Alemanha", referindo-se à iniciativa teuto-francesa de pleitear a solução diplomática para o impasse em relação a Bagdá.

O líder da maioria republicana, Dennis Hastert, chegou a sugerir uma lei para limitar a importação de água e vinhos franceses. A França é a principal exportadora de água para os EUA. O republicano Peter King disse ao jornal Washington Post: "Eu apóio tudo o que podemos fazer para machucá-los, sem que doa em nós".

No tocante à Alemanha, o plano seria reduzir ainda mais as tropas norte-americanas estacionadas no país, o que traria sérias conseqüências econômicas às cidades onde ficam suas bases. A diminuição do contingente, atualmente de 71 mil homens, já havia sido defendida pela OTAN por questões de racionalização, mas agora tomou novo impulso.

Apenas conseqüência da conjuntura

Ao absorver 10% da exportação alemã, os Estados Unidos são o principal importador da Alemanha, depois da França. Entre janeiro e novembro do ano passado, os norte-americanos consumiram mercadorias alemãs no montante de 62 bilhões de euros. No sentido inverso, foram 37 bilhões de euros.

Enquanto o presidente da Confederação do Comércio Atacadista e de Exportação, Anton Börner, teme que a crise política possa afetar 10% do comércio bilateral, a especialista em EUA da Confederação Alemã da Indústria tranqüiliza: "As relações econômicas entre Estados Unidos e Alemanha vêm piorando no último ano, mas trata-se de uma conseqüência da conjuntura nos dois países", assinala Sigrid Zirbel.

Para intensificar o diálogo, a BDI e a Confederação das Câmaras de Indústria e Comércio estão organizando um encontro entre as lideranças econômicas das duas nações em Washington, no mês de maio. A delegação alemã deve ser chefiada pelo ministro da Economia e do Trabalho, Wolfgang Clement.

Só custo-benefício interessa ao consumidor

Os norte-americanos não se preocupam tanto com o tema como os alemães, garante o presidente da Câmara Norte-Americana de Comércio, co-organizadora do encontro . Segundo Fred Irwin, a Alemanha é um mercado tão importante que 40% das subsidiárias norte-americanas na Alemanha são responsáveis por quase 10% do faturamento mundial de suas matrizes.

Para Irwin, a história provou que as tensões políticas têm pouca influência na economia, como já aconteceu na guerra do Vietnã. "O consumidor só se interessa pela relação custo-benefício de um produto. Contatos econômicos e confiança mútua, que levaram décadas para amadurecer, são mais importantes que discussões políticas. As reformas fiscais preocupam muito mais os empresários do que a opinião do chefe de governo alemão, Gerhard Schröder, sobre o Iraque", destaca.

Mas medidas políticas podem se refletir sobre a economia. Neste sentido, Irwin não descarta que se dificulte nos Estados Unidos a aquisição de empresas por firmas alemãs, como no caso da compra da VoiceStream pela Telekom alemã.

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