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Cultura

Nassau, um humanista nos trópicos

Governador das possessões holandesas no Brasil, Maurício de Nassau demonstrou grande habilidade e visão nos seus 7 anos no Nordeste.

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Retrato de João Maurício em sua juventude

O documento da nomeação de Maurício de Nassau pela Companhia das Índias Ocidentais em 1637 e um dos 12 anuários da companhia sobre os acontecimentos no Brasil são alguns dos objetos expostos no Museu de Arte Moderna de Siegen, onde se encontra a parte brasileira da exposição "Partida para novos mundos – Johann Moritz von Nassau-Siegen, o Brasileiro".

Os livros de História do Brasil ressaltam a regência humana, a tolerância e o impulso que Nassau deu ao Nordeste até 1646. Essa visão positiva é a base das comemorações do quarto centenário de seu nascimento, este ano. Mas não apenas no Brasil: a Universidade de Siegen, região alemã onde ele nasceu, realizou um simpósio de 18 a 20 de fevereiro com participação de cientistas do Brasil, Holanda e Alemanha.

Obras que traçaram imagem do Brasil na Europa

Maurício de Nassau embarcou com uma comitiva de pintores, artistas e cientistas, 150 anos antes das expedições de Alexander von Humboldt pela América Latina. O resultado foram quadros, gravuras e desenhos únicos, mapas e levantamentos da fauna e flora brasileiras ricamente ilustrados.

Eles ajudaram a formar a imagem do Novo Mundo na Europa, numa época em que só havia relatos mais ou menos fantasiosos sobre os nossos índios canibais. Entre os livros preciosos expostos em Siegen está o que Jean de Léry escreveu sobre os dez meses vividos entre os tupinambás, publicado em 1586 em Genebra – um dos poucos com visão etnográfica.

Muitas dessas obras de Georg Markgraf e Willem Piso, autores da Historia Naturalis Brasiliae (Amsterdã, 1648), a primeira obra científica sobre a natureza brasileira serviram de referência a estudiosos por mais de um século. Desenhos da nossa flora e fauna feitos durante os anos de Nassau foram copiados, mesmo 100 ou 200 anos depois, como os peixes brasileiros magistralmente coloridos por Marcus Elieser Bloch, incluídos na "História Natural dos Peixes Estrangeiros", publicada em Berlim no século 18.

Curioso é ver original e cópia, lado a lado, como as lindas cartas de Olinda de Markgraf e suas reproduções por José e Oliveira Barbosa no século 19. Se algumas delas traçam apenas poucas linhas dos contornos geográficos, outras estão repletas de desenhos detalhados com cenas de índios, lutas, guerras e engenhos de cana.

Visão, diplomacia e tolerância

A produção de açúcar desempenhou um importante papel na regência de Nassau. Após uma tentativa frustrada de tomar Salvador e evitar a retomada de Pernambuco pelos portugueses, Nassau se dedicou a consolidar o domínio holandês e a recuperar a indústria açucareira, que sofrera os efeitos da guerra e da fuga de escravos e donos de moinhos.

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