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Ciência e Saúde

Nascidos em anos de crise têm mais chance de ter demência, diz estudo

Problemas cognitivos relacionados à idade são mais frequentes em pessoas que nasceram em períodos de estresse e instabilidade econômica, quando as mães tiveram menos acesso a recursos.

Cientistas da Universidade de Rostock, na Alemanha, descobriram uma relação direta entre a situação econômica no país onde nasce uma pessoa e as chances de ela sofrer algum tipo de doença cognitiva na velhice. O modelo sugere que mulheres grávidas de países que enfrentaram crises econômicas teriam sido submetidas a grandes cargas de estresse e provavelmente teriam tido menos acesso a nutrientes importantes durante a formação do bebê. O mesmo método já havia sido usado para prever a incidência de doenças cardiológicas.

As evidências foram coletadas a partir do cruzamento de dados de 17.070 pessoas de dez países com mais de 60 anos. Elas responderam a um questionário sobre saúde, envelhecimento e aposentadoria na Europa. Os dados foram relacionados com informações macroeconômicas de Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, Itália, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça em diferentes momentos, a partir de 1889.

Os anos da Segunda Guerra Mundial foram excluídos da análise. "Para evitar erros", alega Thomas Fritze, um dos autores do trabalho. Isso porque, segundo o pesquisador, em alguns países ocorreu um boom econômico decorrente da produção de armas que não condiz com as condições gerais que a população vivia.

Crise atual tem novos contornos

Segundo os autores, as conclusões do estudo, no entanto, estão voltadas mais ao provimento de dados para nortear necessidades futuras no sistema de saúde do que em estabelecer um método para apontar novas gerações mais suscetíveis a problemas cognitivos na velhice.

Fritze explica que os efeitos que uma crise provoca na sociedade atual são diferentes do que ocorria no passado e, por isso, não se pode afirmar que quem está nascendo agora em países que enfrentam duros programas de austeridade tem mais chances de sofrer de demência na velhice. "O acesso aos produtos e serviços é diferente", justifica.

Modelo não garante se países europeus em crise venham a enfrentar mais casos de demência

Modelo não garante se países europeus em crise venham a enfrentar mais casos de demência

O pesquisador usou apenas dados europeus na pesquisa e prefere não comparar os números com a realidade de países mais pobres em outros continentes, onde a economia é geralmente mais fragilizada que os momentos de crise europeus.

Ele ressalta, porém, que a demência é relacionada ao envelhecimento e aumenta sua incidência de acordo com a idade do paciente. Para ele, a baixa expectativa de vida em países com renda muito baixa e condições de saúde e alimentação precárias podem contribuir para que não figurem na lista daqueles em que os índices de morte resultante da demência são mais elevados.

O estudo da Universidade de Rostock também não relaciona a pesquisa a números absolutos de novos casos. Quem faz isso é a Organização Mundial da Saúde, que estima em 35,6 milhões o número de pessoas que viviam com algum tipo de demência em 2010. A entidade inclui uma série de problemas cerebrais degenerativos na definição da doença, com ênfase no Mal de Alzheimer, que soma entre 60% e 70% dos casos. A doença também pode ser a associação de mais de um problema de ordem cognitiva ligada ao envelhecimento.

A OMS pede a ampliação da assistência a pessoas que padecem do problema e prevê uma ampliação da carga no sistema de saúde. Só em 2010 foram gastos 604 bilhões de dólares com tratamentos e ações em todo o mundo. Mas o número de pacientes deve crescer, chegando a 65,7 milhões de casos até 2030 e 115,4 milhões de pessoas vivendo com demência até 2050. Nascidos em tempos de crise ou não.