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Mundo

Nascido para roubar

Cresce na Alemanha o número de crianças estrangeiras trazidas ao país com um único objetivo: roubar e servir às quadrilhas do crime organizado. Colônia é a campeã dos trombadinhas.

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Crianças sem futuro?

Eles são, em sua maioria, jovens com menos de 14 anos que não têm outra opção na vida do que servir a seus "patrões". A rotina diária se restringe a roubar lojas e supermercados, bater carteiras e invadir moradias. Escola ou o aconchego do lar é algo muito além do que eles podem sonhar.

O perfil dos pequenos ladrões que circulam pelas ruas da Alemanha lembra a realidade brasileira. São crianças pobres, algumas de famílias numerosas e sem instrução, largados à mercê da própria sorte, ou melhor, à mercê de seus "donos", pessoas que supostamente os libertaram de sua triste realidade em seus países de origem para uma vida melhor na abastada Alemanha.

Desde que as fronteiras foram abertas, os jovens só precisam de um passaporte válido para entrar no país acompanhados por um adulto, sem maiores problemas. Os integrantes das quadrilhas fazem um negócio bastante rentável: oferecem um dinheiro para que a família do menor permita sua saída e depois dispõem de um serviçal para cometer delitos pelos quais não podem ser presos. Na Alemanha, quem tem menos de 14 anos não pode ser indiciado.

Em Hamburgo, a presença de menores romenos, por exemplo, já virou tradição no cotidiano da cidade. Eles são treinados para roubar e não têm outra alternativa. Sem documento, sem falar o alemão e sem qualquer outra referência de vida, eles são obrigados a aceitar o que o destino lhes reservou.

Medo sem limite

Essas crianças vivem em constante medo. De serem presas pela polícia ou de sofrerem maus-tratos de seus algozes, que vão desde surras, tapas até ameaças de estupro e morte. "Se eu não consigo pelo menos 70 carteiras de cigarro por dia, eles batem nas minhas mãos e pés com um cano e ameaçam me mandar para um bordel", revelou uma garota de 13 anos.

A presença de meninas é bem menor do que a de garotos. Eles saem em bandos e um dá cobertura para que o outro possa roubar. As técnicas são as mais variadas. Vale até uma folgada calça de ginástica com um fundo falso para armazenar a mercadoria tirada de forma sorrateira das prateleiras do supermercado. Com o tempo, eles adquirem um ar sisudo, desconfiado e até malvado.

Quando são pegos, esses menores dificilmente delatam seus mandantes. O temor de uma vigança é bem maior do que a promessa de segurança. Como não podem ser expulsos de uma hora para outra e tampouco ser presos (a não ser que cometam crimes graves ou sejam considerados de alta periculosidade), o resultado é a reincidência. Se caem nas mãos das autoridades, sabem que logo, logo, estarão nas ruas novamente.

Colônia, a campeã

Enquanto em Hamburgo, como em outras cidades alemãs, existe um lar para menores onde essas crianças podem dormir e comer, em Colônia a situação é dramática. A cidade não oferece qualquer local que funcione como centro de correção e ponto de referência para os pequenos criminosos.

Colônia já é considerada o paraíso dos trombadinhas em território alemão. Um título nada honroso, mas real: com 11.543 roubos de carteira registrados em 2002, a cidade é, disparado, a líder nacional e, pelos últimos dados, tudo indica que manterá o recorde. Em relação ao ano passado, os roubos no primeiro semestre de 2003 aumentaram em 10%.

As autoridades locais mantêm policiais à paisana pelo centro, desconhecidos da população mas manjados pelos delinqüentes. O jogo de gato e rato não tem surtido o efeito desejado. Políticos exigem uma revisão nas leis para inibir e acabar com este tipo de crime, cujos reais responsáveis quase sempre conseguem ficar no anonimato.

O pior de tudo é que esses menores são, ao mesmo tempo, culpados e vítimas. E reverter esta situação, oferecendo uma vida mais digna a essas crianças é um trabalho que não depende apenas de leis, nem se restringe a um só país.

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