Na Tailândia, incerteza ronda anúncio de eleições antecipadas | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 19.05.2010
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Mundo

Na Tailândia, incerteza ronda anúncio de eleições antecipadas

Mesmo depois de o líder dos Camisas Vermelhas, que faz oposição ao governo na Tailândia, ter pedido o fim do movimento de resistência, as batalhas nas ruas de Bangkok continuam. Entenda o pano de fundo desse conflito.

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Barricada montada na capital tailandesa

O atual confronto entre os Camisas Vermelhas e o governo tailandês tem sua raiz na ascensão do político populista Thaksin Shinawatra que, em 2001, foi eleito primeiro-ministro. Thaksin distinguia-se a si próprio como o representante dos tailandeses pobres – especialmente dos que vinham do campo – contra a elite urbana, os militares e os monarquistas.

Se de um lado, a distância entre pobres e ricos aumentou com o desenvolvimento econômico da Tailândia; de outro, a pobreza no campo diminuiu. A ascensão de Thaksin e a revolta de seus seguidores, os Camisas Vermelhas, não foram, portanto, uma insurgência dos pobres, mas trouxeram uma nova esperança, acredita o cientista político e especialista em Tailândia Paul Chambers, da Universidade de Heidelberg.

"Eu acho que o que mudou é o reconhecimento por parte da população do campo de que pode melhorar as coisas. Que Thaksin e a política podem trazer uma vida melhor para as pessoas."

Thaksin Shinawatra

Ex-primeiro-ministro tailandês, Thaksin Shinawatra

Essa dimensão social é, de fato, apenas o cenário de fundo sobre o qual os acontecimentos políticos da década passada se desdobraram. Os seguidores de Thaksin se sentem traídos porque o herói popular foi deposto em 2006 por meio de um golpe militar e precisou se exilar devido a acusações de corrupção. Segunda queda de Thaksin

Depois de uma nova vitória eleitoral dos apoiadores de Thaksin, seu governo voltou a ser derrubado em 2008 – principalmente depois dos protestos, que duraram semanas, dos chamados Camisas Amarelas, que apoiam a elite tradicional. Como resultado, o governo oficial do primeiro-ministro Abhisit Vejjajiva, que está até hoje no poder, foi organizado com apoio de militares influentes.

"Os militares e, talvez, parte dos monarquistas, conseguiram se livrar do governo pro-Thaksin e instituíram um governo anti-Thaksin, como num golpe silencioso. E assim Thaksin e outros o viram: como um segundo golpe! Hoje se vê os Camisas Vermelhas fazendo arruaças porque eles estão muito furiosos com esse tipo de trapaça, como o governo de Abhisit chegou ao poder."

Mas se elite acreditou ter conseguido se livrar de Thaksin, ela cometeu um erro. "Thaksin e muitos membros de seu atual partido, Puea Thai, têm muito dinheiro. E eles estão usando este dinheiro na comunicação, em rádios locais, para organizar encontros dos Camisas Vermelhas e construir um movimento para o retorno de Thaksin", analisa Chambers.

Novas exigências dos Camisas Vermelhas

Nattawut Saikur Anführer der Rothemden in Thailand

Líderes dos Camisas Vermelhas, Nattawut Saikua (d) e Weng Tojirakarn (e)

O ponto alto desse movimento foi a ocupação do centro de negócios de Bangkok, o Ratchaprasong, por milhares de Camisas Vermelhas nas últimas semanas. A campanha não errou o alvo: o primeiro-ministro, Abhisit Vejjajiva, ofereceu a convocação de novas eleições. Mas quando uma solução parecia já estar negociada, os mais radicais entre os Camisas Vermelhas repentinamente fizeram novas exigências.

"Naturalmente que não tenho provas disso, mas tenho a impressão de que também há outros interessados em que essa situação continue. Thaksin, por exemplo. Eu acredito que é do interesse dele fazer com que esse governo pareça uma ditadura sanguinária. Se os soldados atiram contra grupos de pessoas, em nível internacional ele pode se apresentar como uma espécie de Aung San Suu Kyi [líder política e ativista birmanesa]", avalia Chambers.

É justamente o que poderia acontecer agora, quando escala o conflito em Bangkok. Paul Chambers acredita que o Estado reassumirá o controle por meio de um conflito armado. E as eleições antecipadas, que praticamente já estavam conquistadas através dos protestos dos Camisas Vermelhas, agora parecem incertas.

"Eu acho que os Camisas Vermelhas cometeram um belo erro de cálculo", finaliza Chambers.

Autor: Thomas Bärthlein (np)

Revisão: Roselaine Wandscheer

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