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Eleição na Alemanha

Na reta final, partidos tentam capitalizar polêmicas na Alemanha

Líder do Partido Verde acusado de defender a legalização da pedofilia, político dos social-democratas criticado por acumular salários ilegalmente: especialistas lembram que ataques finais podem, sim, mudar o jogo.

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Os políticos Jürgen Trittin e Katrin Goering-Eckardt: verdes no centro de polêmica na reta final

Na reta final da campanha eleitoral na Alemanha, o Partido Verde vem sendo confrontado com um capítulo sombrio do início de sua história: sua relação com o tema pedofilia. Em maio passado foi revelado que, nos anos 1980, vários diretórios regionais da legenda colocaram-se a favor da legalização das relações sexuais não violentas, sob certas condições, entre adultos e crianças.

Naquele mês, com o tema ganhando espaço na imprensa, os verdes decidiram contratar o cientista político Franz Walter para avaliar a situação e descobrir qual era o papel dos ativistas da pedofilia nos primeiros anos do partido. As explosivas descobertas foram recentemente divulgadas por Walter no jornal Tageszeitung, famoso por seu posicionamento à esquerda.

Verdes na mira

Jürgen Trittin Die Grünen 1988

O político Jürgen Trittin em 1988

Um dos principais envolvidos na história é Jürgen Trittin, um dos dois políticos de frente do partido nestas eleições. Em 1981, Trittin era o responsável legal pelo programa eleitoral da Lista Alternativa da Iniciativa Verde (Agil, sigla em alemão) na cidade de Göttingen. O programa previa que os parágrafos 174 e 176 do Código Penal fossem relativizados: atos sexuais com crianças só deveriam ser punidos, segundo o documento, se fossem cometidos com "uso ou ameaça de violência" ou sob "abuso de uma relação de dependência".

Apesar de essas colocações terem sido feitas há mais de 30 anos, elas ainda têm impacto sobre os eleitores, como afirma o pesquisador Marcel Solar, do Instituto de Ciência Política e Sociologia da Universidade de Bonn. "Há sempre uma parte da população para quem tais coisas nunca envelhecem", diz.

Com a Alemanha em forte clima eleitoral, os governistas aproveitaram o momento para atacar os verdes. A ministra da Família, Kristina Schröder, criticou o fato de Trittin precisar da mediação de um especialista para "trazer à tona as lembranças pessoais dele sobre pedofilia entre os verdes e divulgá-las".

Mais radical, Alexander Dobrindt, secretário-geral da União Social Cristã (CSU), parceira bávara da União Democrata Cristã (CDU, partido de Angela Merkel), pediu com todas as letras que Trittin renuncie à candidatura ao governo alemão.

"Trittin era parte do cartel da pedofilia dentro do Partido Verde, portanto intragável como homem de frente da legenda", afirmou o governista.

Conquistando indecisos

O debate sobre pedofilia vem ocorrendo há meses, mas nestes últimos metros da corrida eleitoral a discussão inflamou. "Algumas declarações ouvidas recentemente por parte dos governistas soam como se o próprio Trittin tivesse abusado de menores, o que obviamente não é o caso", opina Lothar Probst, professor do Instituto de Ciência Política da Universidade de Bremen. A briga agora, afirma, é para conquistar o voto dos indecisos. "Por isso faz todo o sentido continuar buscando pontos vulneráveis no adversário e se colocar em vantagem sobre eles."

Para se ter um exemplo do sucesso de uma campanha negativa não é preciso ir muito longe no tempo – basta dar uma olhada das eleições de 2005, lembra Solar. Na época, o Partido Social-Democrata (SPD) aparecia bem distante da CDU nas pesquisas de opinião. Mas o então chanceler federal, Gerhard Schröder, começou a mirar no especialista em economia da CDU, Paul Kirchhof, contratado pelos democrata-cristãos para mostrar a competência do partido em política tributária.

"Gerhard Schröder pôde virar a situação em um debate na televisão, no qual ele apresentou Kirchoff como um professor lunático", lembra Solar. Schröder chamou o programa tributário do especialista da CDU de injusto e antissocial. "Com isso ele conseguiu uma virada por completo na eleição. A diferença entre os dois grandes partidos ficou bem pequena de novo", ressalta. No fim, essa tática do SPD rendeu os pontos necessários para que o partido conseguisse negociar uma grande coalizão.

Ataques ao SPD

Matthias Machnig

Machnig acumulou salários de maneira irregular

Um político do SPD que nestas eleições esteve sob intensas críticas é o secretário de Finanças do estado da Turíngia, Matthias Machnig. Segundo a revista alemã Der Spiegel, entre 2009 e 2012 Machnig acumulou o salário de secretário com pagamentos extras e aposentadoria de seu cargo anterior, de vice no Ministério do Meio Ambiente.

A história é especialmente incômod para o SPD porque Machning é o especialista em Meio Ambiente da equipe do candidato social-democrata, Peer Steinbrück. O pagamento extra recebido por Machning, segundo a revista, ficou em torno dos 100 mil euros. Agora, ele precisa engolir as duras críticas – que obviamente foram jogadas no ventilador pelos partidos adversários.

"Há hoje uma enxurrada de esclarecimentos à imprensa como nunca", observa Volkhard Paczulla, editor de política do jornal Ostthüringer Zeitung. "Vejo nos comentários da nossa página na internet que há grande interesse sobre o tema. Muitos de nossos leitores reafirmaram sua 'frustração política'."

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