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Mundo

Na morte assim como na vida: os mortos do Père Lachaise

Entre gatos e árvores centenárias, repousam Edith Piaf, Allan Kardec, Marcel Proust e tantos outros no cemitério do Père Lachaise de Paris. Um local de passeio e contemplação e uma das maiores áreas verdes da Cidade Luz.

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Cemitério do Père Lachaise: uma das maiores áreas verdes de Paris

Localizado no 20° arrondissement parisiense, os 44 hectares do Cemitério do Leste, também conhecido como Cemitério do Père Lachaise, não diferem dos de outros espalhados pelo mundo.

Famosos ou não, todos encontram, mais cedo ou mais tarde, um lugar para seu repouso final. Como local de passeio e contemplação, entretanto, o Cemitério do Père Lachaise é imperdível para aqueles que querem reverenciar a memória de seus heróis e heroínas, além de ser uma das principais áreas verdes da capital francesa.

Friedhof Père Lachaise in Paris

Monumento aos Mortos no cemitério parisiense

Ele deve seu nome ao Père Lachaise, padre confessor de Luís 14, que muito fez para embelezar a colina onde hoje repousam nomes como Edith Piaf, Allan Kardec, Oscar Wilde, Jim Morrisson, Frédéric Chopin, Marcel Proust e tantos outros.

As horas, os anos e os mundos

Friedhof Père Lachaise in Paris

Marcel Proust 'dorme' no Père Lachaise

“Acho bem razoável a crença celta de que as almas daqueles que perdemos estão cativas em algum ser inferior, em um animal, um vegetal, uma coisa inanimada, perdidas para nós, com efeito, até o dia, que para muitos nunca chega, onde nos ocorre passar perto da árvore, entrar na posse do objeto que é sua prisão. Elas então tremem, nos chamam, e assim que as tenhamos reconhecido, o encanto é quebrado. Por nós libertadas, elas venceram a morte e retornam a viver conosco.”

Marcel Proust, escritor destas linhas, talvez não imaginasse que sua última morada seria como um jardim botânico, repleto de árvores centenárias providas de designação latina. O local da última morada de Proust também é repleto de gatos que, alimentados pela vizinhança, hoje são mais de trezentos, segundo estimativas.

Proust não deixou epitáfio, mas deixou versos inesquecíveis como os do início de Em busca do tempo perdido: “Um homem que dorme sustenta em círculo, em torno de si, o fio das horas, a ordem dos anos e dos mundos”.

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei”

Friedhof Père Lachaise in Paris

A sepultura de Allan Kardec é uma das mais impressionantes

Na parte superior da colina do cemitério, próximo ao columbário e não muito longe de Marcel Proust, encontra-se o túmulo de Allan Kardec. Pedagogo que era, seu busto ali se ergue como um professor a observar se tudo está em ordem com seus alunos.

Sempre com muitas flores e transeuntes em volta, seu jazigo é um dos mais impressionantes. Construído como um dólmen, mesa de pedra funerária dos antigos habitantes da Europa, ele faz alusão, certamente, à origem do nome do fundador da doutrina espírita. Informado supostamente por um espírito que havia sido druída [sacerdote celta, que acumulava funções de educador e juiz] em vida anterior, Denizard Rivail adotou seu nome druídico – Allan Kardec.

“Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei” são as palavras gravadas no granito de sua sepultura.

“Borboleta gentil, vá dizer a ele que o amo”

Friedhof Père Lachaise in Paris

Edith Piaf: 'diga-lhe que o amo'

Entre milhares de sepulturas, muitas delas tombadas pelo patrimônio histórico, é aconselhável adquirir um mapa para encontrar aquela que se procura. Tamanho não é documento no Père Lachaise. Nomes mundialmente conhecidos encontram-se em jazigos relativamente pequenos para sua fama.

A sepultura de Edith Piaf não é grande, mas está sempre bem cuidada e florida. Edith Gassion, apelidada de Edith Piaf – passarinho, pardal, por sua voz e seu tamanho – nasceu, diz a lenda, numa casa do bairro de Belleville. Lá está escrito “nestes degraus nasceu Edith Piaf”.

Dali ao Père Lachaise, seu epitáfio repete o que mais cantou em vida: “Borboleta gentil, vá dizer a ele que o amo”. Ao chegar ao seu jazigo, não é difícil encontrar clochards com garrafas de vinho e flores vermelhas a dizer: Ah, la belle Edith!

A importância de ser Oscar Wilde

Friedhof Père Lachaise in Paris

Fãs não resistem ao charme de Oscar Wilde

“O amor que não ousa dizer o nome” era como Oscar Wilde denominava o amor homossexual. Foi por causa deste amor que, após dois anos de prisão no Reino Unido, Wilde acabou se exilando em Paris, onde faleceu em 1900.

Nu e como uma esfinge, o escultor norte-americano Jacob Epstein o retratou após sua morte. A sepultura de Oscar Wilde é, como o próprio escritor irlandês, uma obra de arte.

Coberta de beijos de batom, seu jazigo é um dos mais alegres e simpáticos do Père Lachaise. Não há fã que resista ao charme do escritor de O Retrato de Dorian Gray e perca a oportunidade de deixar sua homenagem marcada sobre a pedra de seu túmulo.

Coração polonês

Friedhof Père Lachaise in Paris

Chopin no 'setor romântico'

Embora seu corpo tenha sido enterrado no Père Lachaise, o coração do compositor Frédéric Chopin está depositado numa urna junto a um dos pilares da Igreja de Santa Cruz em Varsóvia, capital de seu país de origem.

Sua sepultura se encontra no chamado “setor romântico” do Père Lachaise, assim chamado devido aos representantes deste período artístico que ali próximo estão enterrados. A sepultura de Chopin não é grande, mas é lírica como suas sonatas.

Mas a poesia não morre jamais

Friedhof Père Lachaise in Paris

Jim Morrison: a poesia que não morre

Depois de Chopin, “você sabe que não seria verdade, se eu lhe dissesse que não poderíamos ir ainda mais além” – os versos de Light my fire , compostos por Jim Morrison, justificam a localização de seu jazigo próximo ao setor romântico.

Morrison mudou-se para Paris para dedicar-se à poesia antes de falecer aos 27 anos. Hoje, seu túmulo é lugar de peregrinação de jovens de todo o mundo, provando que a poesia não morre jamais.

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