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Ciência e Saúde

Na luta contra mudanças climáticas, Brasil quer focar no setor de energia

Governo considera o desmatamento da Amazônia, maior fonte de emissão brasileira, sob controle. Dados de 2012 apontam queda recorde da destruição da floresta. Para ambientalistas, número deve subir neste ano.

Enquanto negociadores-chefes de 192 países se reúnem em Bonn, na Alemanha, para fechar os últimos ajustes antes da Conferência do Clima, o governo brasileiro anuncia um novo plano para combater os efeitos das mudanças climáticas, em Brasília. As medidas foram apresentadas nesta quarta-feira (05/06) durante o Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas.

Após considerar a maior fonte de emissão de gases do efeito estufa no Brasil – o desmatamento na Amazônia – sob controle, a presidente Dilma Rousseff estabeleceu novas prioriedades, como o setor energético. "Temos que enfrentar o fato de que, se continuarmos a fazer hidrelétricas a fio d'água, se continuarmos a ter a fórmula e também a arquitetura da energia renovável como temos neste momento, haverá uma tendência inexorável de aumento das térmicas na nossa matriz”, disse.

Quando não há água o suficiente para gerar eletricidade nas centrais hidrelétricas, as térmicas precisam entrar em ação. Essas usinas são movidas na maioria dos casos a carvão e óleo e são, portanto, mais poluentes. Em seu discurso, Dilma, no entanto, não disse diretamente qual ação será adotada.

Outras medidas para forçar a queda das emissões incluem mudanças no uso da terra, outra grande fonte de emissão no país. O Programa de Agricultura de Baixo Carbono (ABC) acaba de liberar 4,5 bilhões de reais para produtores investirem em práticas como plantio direto, alternância de culturas e integração lavoura-pecuária-floresta.

A administração federal também deu início à terceira fase do Plano de Ação para a Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, o PPCDAM, criado em 2004, ainda quando Marina Silva estava à frente do Ministério do Meio Ambiente. O programa é visto como a grande força motriz por trás da queda da destruição da Floresta Amazônica.

Menor desmatamento da história

Dados consolidados apresentados nesta quarta-feira pela ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, apontam que o desmatamento na Amazônia foi de 4.571 quilômetros quadrados em 2012. A notícia, celebrada pela cúpula do govern,o não é necessariamente nova. Em novembro do ano passado, a estimativa já fora divulgada pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

O único fato novo é que o dado consolidado corrigiu em 2% para baixo a área de floresta destruída. Foi o menor corte da floresta desde 1988, época em que o monitoramento via satélite começou a operar. Ainda assim, as árvores eliminadas em 2012 poderiam ocupar praticamente todo o Distrito Federal.

Os números significam uma redução de 84% em relação a 2004. "O Brasil já atingiu 76% da meta voluntária de desmatamento", ressaltou Izabella Teixeira, referindo-se ao compromisso de diminuir em 80%, até 2020, a destruição da floresta em comparação a 2005. "Também já cumprimos 62% da meta de redução das nossas emissões."

Elogios de Merkel, crítica de ambientalistas

As ações do Brasil, segundo Izabella, foram elogiadas por Angela Merkel, chefe do governo alemão. "A chanceler alemã sinaliza a contribuição do Brasil como a maior contribuição no combate às mudanças climáticas por meio da redução do desmatamento", disse a ministra.

A declaração de Merkel foi feita no último diálogo de Petersberg, na Alemanha, em maio último, reunião que marca o início não oficial das negociações climáticas.

"Queremos ver o desmatamento chegar a zero. Porém, os sinais que vêm da Amazônia mostram que ele está crescendo novamento este ano", alerta o Greenpeace.

Dados divulgados essa semana pelo Inpe e SOS Mata Atlântica não foram citados pela ministra: o desmatamento da Mata Atlântica, considerado o bioma mais ameaçado do país, aumentou 29% no último ano em relação ao período entre 2010 e 2011.

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