Nações ricas prometem bilhões a países árabes em revolução | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 21.09.2011
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Mundo

Nações ricas prometem bilhões a países árabes em revolução

Em encontro nos Estados Unidos, as oito nações mais ricas do mundo prometeram 80 bilhões de dólares aos países que vivenciaram a Primavera Árabe. Dinheiro serve para ajudar governos a implementar um regime democrático.

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Parceria Deauville: 80 bilhões de dólares para os países árabes

O ministro do Exterior do Egito, Mohamed Kamel Amr, foi direto ao ponto: "Nossos cidadãos estão cheios de esperança e precisam ver um progresso imediato". Amr falou sobre o tema nesta terça-feira (20/09), depois do encontro da Parceria Deauville, sob comando francês, no âmbito da Assembleia Geral das Nações Unidas em Nova York. O grupo foi fundado em maio no balneário francês de Deauville, durante o encontro do G8 – as oito nações mais ricas do globo.

As potências decidiram destinar, nos próximos dois anos, 80 bilhões de dólares em ajuda financeira a Tunísia, Egito, Marrocos e Jordânia. A intenção do G8  é apoiar a democracia nessas regiões.

Os manifestantes que saíram às ruas nos últimos meses nos países árabes, como Tunísia e Egito, exigiam não apenas democracia, mas também melhores condições de vida – como, por exemplo, a criação de postos de trabalho. De fato, a situação dos países que foram palco da chamada Primavera Árabe é ruim. A situação econômica nestas nações não mudou, apesar dos protestos ao longo dos últimos meses.

Preocupação com os jovens

Para Amr, os recursos financeiros da Parceria Deauville podem desempenhar um papel importante na melhora das condições de vida da população. O ministro egípcio do Exterior se disse otimista de que o dinheiro chegue em breve.

A economia do Egito não se encontra em boa forma: "Não é segredo para ninguém que a nossa situação é muito complicada e que precisamos de apoio financeiro imediato. A receita gerada pelo turismo caiu, assim como as exportações", comentou Amr.

Mustafa Abd al-Dschalil

Mustafa Jalil, líder do governo de transição da Líbia

Uma das prioridades é auxiliar a população mais jovem. Alain Juppé, ministro francês do Exterior, disse que "a formação escolar e profissional são decisivas para a cooperação". No documento final do encontro, os integrantes da Parceria se dispuseram a apoiar a melhoria da educação e também lutar contra o analfabetismo e o desemprego, principalmente entre os jovens. Juppé salientou, no entanto, que o impulso decisivo precisa vir dos países árabes – pois essa seria "a revolução deles, a fase de transição".

Caminho democrático

Taieb Fassi Fihri, ministro marroquino do Exterior, destacou três elementos centrais da parceria entre os países ricos e os árabes: esforços conjuntos, necessidade de avaliar  os progressos conquitados e diferenciação. As partes concordam: não há um modelo para o caminho rumo à democracia, até porque os países se encontram em estágios diferentes da revolução.

Mahmoud Jibril, do governo de transição na Líbia, mencionou ainda outro ponto importante: "A futura relação entre esses cinco países e o G8 precisa ser uma relação entre iguais." Caso contrário, acrescentou, irá se tratar apenas de "mais uma dependência, mesmo que em outra forma ou outra língua". Foi a primeira vez que a Líbia participa da parceria Deauville.

Novo governo líbio

Flagge Libyens

Nova bandeira da Líbia diante da ONU em Nova York

A nova liderança líbia foi bem recebida na sede das Nações Unidas, em Nova York – a nova bandeira do país foi hasteada pela primeira vez na ONU. Jibril prometeu avanços rápidos no desenvolvimento democrático na Líbia: "Eu espero que dentro de uma semana, ou no máximo em dez dias, seja nomeado um novo governo." A maior parte do trabalho já teria sido feita, acrescentou. Agora, seria preciso organizar os ministérios e decidir onde será sua base – em Trípoli ou divididos entre leste e oeste do país.

Também se fala em fortalecer os direitos das comunidades locais, disse Jibril, que  pediu paciência em relação a esse processo decisório. "Para um país que, por 42 anos, não teve nenhuma cultura democrática, esse desenvolvimento agora é natural", justificou. Ao contrário de Egito, Tunísia, Marrocos e Jordânia, a Líbia não vai receber ajuda financeira do G8. Em vez disso, será descongelado o dinheiro de Kadafi no exterior.

Em troca do apoio prometido, os cinco países árabes prometem levar adiante o processo democrático e a implementação de reformas políticas e econômicas. Os países do G8 não querem que isso demore muito, por temerem o fortalecimento das forças extremistas nesses países.

Arábia Saudita, Catar e Turquia, além de instituições como o FMI e o Banco Mundial, formam a chamada Parceria Deauville. O próximo encontro deve acontecer no fim de novembro, no Kuweit. A promessa de Juppé, cujo país detém a presidência temporária do G8, é que a cooperação prossiga o ano que vem, quando os Estados Unidos assumem a liderança do grupo dos oito mais ricos.

Autora: Christina Bergmann (np)
Revisão: Roselaine Wandscheer

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