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Economia

Número de recalls triplica na Alemanha

Chamadas de carros às oficinas das montadoras aumentaram de 35, em 1993, para 114, em 2003. Especialistas atribuem defeitos à pressão da competitividade e excesso de componentes eletrônicos nos veículos.

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Automóveis ou computadores ambulantes?

A série de panes da indústria automobilística assume dimensões ameaçadoras e não tem preferência de marca. A Chrysler chamou 2,7 milhões de carros de volta, por causa de um defeito no câmbio automático. A General Motors mandou 824 mil veículos para a oficina, devido a defeitos na direção. A Mercedes convocou 33 mil proprietários de automóveis dos modelos C, CLK e E, para verificar problemas na fivela do cinto de segurança. No final do mês passado, a Volkswagen fez um recall mundial de 870 mil carros, dos quais 10 mil circulam no Brasil.

Na Alemanha, o número de recalls mais do que triplicou nos últimos dez anos, aumentando de 35 em 1993 para 114 em 2003. As convocações do ano passado envolveram 940 mil veículos, o que representou um aumento de 13% em relação a 2002. E não há perspectivas de melhora.

Os defeitos mais freqüentes são falhas de motor, eixos, direção, freios, ignição e airbags. Segundo o Automóvel Clube da Alemanha (ADAC), 50% das panes são causadas por defeitos eletrônicos. Pelos dados do Departamento Federal de Veículos (KBA) da Alemanha, apenas 11% dos recalls de 2003 decorreram de falhas na eletrônica.

Eletrônica fora de controle

Segundo analistas do setor, a indústria automobilística está diante de dois grandes desafios: aumentar a confiabilidade dos componentes eletrônicos e aperfeiçoar sua integração com outras peças nos veículos. Cada vez mais sensores, motores elétricos e equipamentos de comando precisam ser conectados em rede. Os automóveis estão virando computadores ambulantes. "Noventa por cento das inovações da indústria automobilística ocorrem no campo da eletrônica. Aqui é necessária uma padronização geral, que facilite o ajuste dos sistemas e reduza os riscos de falhas", afirma Ferdinand Dudenhöffer, do Instituto B&D-Forecast.

Segundo o KBA, os recalls não são necessariamente um indício de que as montadoras relegam o aspecto da segurança a segundo plano. "Pelo contrário, os proprietários de veículos vêem nisso uma preocupação do fabricante com a qualidade do produto", diz o vice-presidente da institituição, Ekhard Yinke. "As montadoras reagem cada vez mais cedo, para evitar pedidos de indenização", diz Peter Brietsche, da GfK, empresa de pesquisa de mercado.

Os recalls registrados pelo KBA são apenas a ponta do iceberg, pois se limitam aos casos em que as montadoras pedem à instituição os endereços dos donos de veículos, para realizarem suas convocações. Quando as panes envolvem modelos novos, cujos compradores ainda estão registrados nas concessionárias, os recalls não aparecem nas estatíticas oficiais. A troca de peças defeituosas, então, é feita sob o manto da inspeção técnica de rotina, prevista na garantia.

Defesa do consumidor

Oficialmente, as montadoras do mundo todo fizeram pelo menos dois recalls por semana no ano passado. Especialistas calculam que, na realidade, esse número pode ser quadruplicado. Eles atribiuem o crescente número de panes das montadoras à redução do tempo investido no desenvolvimento de novos modelos e ao uso excessivo de novas tecnologias não consolidadas. "Além disso, a legislação sobre garantia de produtos e direitos do consumidor tornou-se mais rigososa em todos os países", diz Dudenhöffer.

A lei sobre segurança de produtos em vigor na Alemanha desde 1997 obriga os fabricantes a reagir imediatamente, ao percerber a existência de qualquer defeito que represente risco para o usuário. Não podem ficar esperando o dano ou prejuízo se consumar para depois dizer: "Desculpem a nossa falha técnica".

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