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Mundo

Número de mortes por causa de monções passa de mil na Índia

Mau tempo prejudica o trabalho das equipes de resgate após as devastadoras enchentes na Índia. Sobreviventes criticam a ineficiência do governo em prestar socorro às vítimas.

Dezenas de milhares de pessoas já foram atingidas pelas enchentes no norte da Índia. Apenas neste domingo (23/6), 12 mil pessoas foram obrigadas a deixar a região, de acordo com dados oficiais. O número de mortos já chega a mil e deve subir ainda mais.

Estima-se que 90 mil pessoas já tenham sido evacuadas e em torno de 10 mil, em sua maioria peregrinos hindus, estejam ilhados em áreas remotas. Cremações em massas foram planejadas para conter a disseminação de doenças.

As devastadoras monções dos dias 15 e 16 de junho destruíram estradas, pontes, residências e locais sagrados. Deslizamentos de terra e de encostas isolaram vales e vilarejos nas montanhas, o que dificulta as ações de resgate

Os helicópteros saem em missões de busca sempre que as condições do tempo permitem, mas muitas vezes chegam tarde demais. Essa é a maior operação de resgate já realizada pelas Forças Armadas da Índia.

"Quando eles vieram, meu filho e minha irmã já estavam mortos", afirmou um dos sobreviventes. "Eles estavam exaustos e morreram de sede. Há dias não tínhamos nada para comer ou beber. Vagamos pelas montanhas, acenávamos com nossas roupas para que pudessem nos ver."

A região mais afetada é o estado de Uttarakhand, no norte do país, famoso por seus templos e santuários. O quente mês de junho, época de férias escolares, é o auge da temporada de visitação de peregrinos. Muitos deles estavam nas trilhas e estradas quando a água os atingiu numa enchente repentina.

Chuvas intermitentes

As equipes de resgate não conseguem chegar às áreas atingidas em razão do mau tempo

As equipes de resgate não conseguem chegar às áreas atingidas em razão do mau tempo

As autoridades alertam para a possibilidade de que o número de mortos possa aumentar ainda mais. Segundo o chefe do governo de Uttarakhand, é provável que a contagem seja superior a mil. "Não temos como fornecer dados precisos", explicou, devido às dimensões da catástrofe.

As monções chegaram antecipadamente ao norte da Índia, com violência inesperada. As massas de água em pouco tempo transbordaram os rios Ganges e Yamuna, e logo atingiram os vales estreitos entre as montanhas.

Sobreviventes criticaram o governo por falhas nas missões de resgate, uma vez que milhares de pessoas correm risco de passar fome ou de adquirir doenças infecciosas. Muitos afirmam que as autoridades sequer emitiram alertas à população, o que poderia ter evitado muitas mortes. Alguns também denunciaram saques e abusos.

"É vergonhoso que os que sobreviveram tenham que passar por mais ameaças, agora pelas mãos de humanos. Não há lei nas áreas atingidas", denunciou Ragini Rawat, professor de uma escola no estado de Dehradun, onde familiares e amigos das vítimas realizaram um protesto em frente à sede do governo.

"Tsunami do Himalaia"

No estado de Uttarakhand, as enchetes deixaram muitos peregrinos ilhados

No estado de Uttarakhand, as enchetes deixaram muitos peregrinos ilhados

A ativista ambiental Sunita Narain afirma que essa é uma tragédia causada pelo homem, culpando construções ilegais próximas a leitos de rios e desmatamento de florestas. Ela afirma que encostas de montanhas teriam sido danificadas em muitas áreas em razão da construção de represas.

O ministro da Ação de Resgate de Uttarakhand, Yashpal Arya, rebateu as críticas afirmando que o que ocorreu foi um verdadeiro "Tsunami do Himalaia", causado pelas piores chuvas na região em quase 88 anos.

"O que o governo pode fazer? Não podemos prevenir catástrofes naturais", disse Arya, e enfatizou que "estamos trabalhando 24 horas por dia nas operações de resgate e socorro, nossas tropas então pondo em risco suas próprias vidas para salvar as vítimas".

É uma corrida contra o tempo, observou um dos pilotos. Eles estão de prontidão, mas as más condições do tempo não permite decolagens. "Os helicópteros estão preparados, abastecidos com suprimentos de socorro, mas não podemos fazer nada", afirmou.

As estações de chuva entre os meses de junho e setembro são consideradas tanto um bênção com uma maldição. São bem-vindas porque aliviam o calor e impulsionam a agricultura, mas também levam centenas de vidas todos os anos.

O departamento de meteorologia da Índia prevê ainda mais formações de nuvens pesadas e temporais para os próximos dias.

RC/dw/dpa

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