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Brasil

#NãoQueroFlores: o que as mulheres querem?

Campanha lançada por ocasião do Dia da Mulher convoca brasileiras a manifestarem reivindicações nas redes sociais. Hashtag viraliza e é usada para abordar temas como aborto, igualdade de salários e violência doméstica.

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Mulheres protestam contra Eduardo Cunha

Nesta terça-feira (08/03), comemora-se o Dia Internacional da Mulher, quando é tradição presentear as mulheres com uma rosa vermelha. Mas a viralização de hashtags como #meuprimeiroassedio, #meuamigosecreto e, mais recentemente, #NãoQueroFlores mostra que muitas brasileiras querem muito mais do que uma rosa neste e em todos os outros dias do ano.

A plataforma Lado M, que produz conteúdo para a "promoção do empoderamento feminino", lançou a campanha #NãoQueroFlores por ocasião do dia 8 de março. "Não quero flores de comerciantes, não quero chocolate no trabalho e nem mensagens 'fofinhas' como 'Eu respeito as mulheres, então parabéns pelo seu dia", diz um trecho do manifesto publicado pelo site.

O texto ressalta a importância de se tratar com as mulheres com respeito não somente no Dia da Mulher, mas em todos os dias do ano. "Use a hashtag #Nãoqueroflores e grite para o mundo o que te deixa indignada, o que te revolta, o que te machuca", convoca a plataforma. E foi o que fizeram centenas de usuárias do Facebook e do Twitter. Confira algumas das principais reivindicações:

- Descriminalização do aborto

O aborto é um dos principais temas de debate quando o assunto é direito da mulher no Brasil. "Quero ser respeitada pelos médicos caso tenha tentado fazer um aborto num momento de desespero, já que o Estado acredita ser dono do meu corpo e não me dá escolhas melhores a não ser práticas ilegais", diz o manifesto publicado pelo Lado M. O assunto foi tema de grande parte dos posts acompanhados da hashtag.

Atualmente, só é permitido interromper uma gestação no Brasil em caso de risco à vida da mãe, quando a gravidez é resultado de estupro ou quando o feto é anencéfalo. Na prática, o aborto é realizado ilegalmente em muitos outros casos, mas de forma segura somente para mulheres com condições financeiras de realizá-los numa clínica particular, argumentam defensores da descriminalização.

Neste ano, a permissão do aborto voltou a ocupar manchetes devido à possível relação entre o surto do zika e o aumento de casos de microcefalia no Brasil. A

ONU inclusive defendeu o acesso à interrupção da gravidez

em países atingidos pelo vírus.

- Salários iguais

Segundo a última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em novembro do ano passado, as mulheres brasileiras ganham em média, 74,5% do salário dos homens. A defesa da igualdade de salários para posições iguais é uma das principais lutas das mulheres no país.

- Viajar sozinha

O recente assassinato das jovens argentinas Marina Menegazzo e María José Coni quando viajavam pelo Equador gerou uma onda de protestos em defesa dos direitos das mulheres, particularmente do de viajar sozinha em segurança.

Um texto sobre o assunto, intitulado Ontem me mataram e escrito por uma estudante de Comunicação Social do Paraguai, Guadalupe Acosta, circulou pelas redes sociais, sendo compartilhado mais de 716 mil vezes no Facebook.

"Fazendo o que queria, encontrei o que merecia por não ser submissa, por não querer ficar em casa, por investir meu próprio dinheiro nos meus sonhos. Por isso e muito mais, me condenaram", diz o texto. A hashtag #NãoQueroFlores também foi usada por usuárias para defender o direito de viajar sozinha.

- Vestir o que quiser

No final de fevereiro, centenas de alunas do Colégio Anchieta, de Porto Alegre, protestaram contra a proibição de usar shorts na instituição. As jovens foram à escola com as pernas à mostra e criaram o abaixo-assinado online "Vai ter shortinho sim", que já conta com mais de 24 mil signatários no site Change.org.

"Exigimos que a instituição deixe no passado o machismo, a objetificação e sexualização dos corpos das alunas; exigimos que deixe no passado a mentalidade que cabe às mulheres a prevenção de assédios, abusos e estupros", diz o texto.

Segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 47,6 mil estupros foram registrados no Brasil em 2014 – o que equivale a um a cada 11 minutos. Além disso, 90,2% das mulheres têm medo de sofrer violência sexual.

O direito de vestir o que quiser foi tematizado no manifesto da campanha #NãoQueroFlores: "Quero poder andar com a roupa que eu quiser em qualquer dia do ano sem ouvir comentários sujos e sem ter medo de ser estuprada." O assunto também foi abordado por internautas que aderiram à hashtag:

- Fim da violência doméstica

De acordo com o

Mapa da Violência 2015:homicídio de mulheres no Brasil

– elaborado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais(Flacso), com o apoio da ONU Mulheres Brasil, da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do governo brasileiro –, foram registrados 4.762 homicídios de mulheres no Brasil em 2013. Metade dos crimes foi cometida por um familiar, e 33,2% dos homicidas eram parceiros ou ex-parceiros da vítima.

Diante desse cenário, muitas internautas partiram em defesa do auxílio às vítimas.

No manifesto da campanha #NãoQueroFlores , o Lado M pede que a Delegacia da Mulher funcione em todos os dias da semana, que a Lei Maria da Penha, que completa dez anos em 2016, seja de fato posta em prática, e que cada vez mais mulheres vítimas de violência doméstica sejam socorridas.

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