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Brasil

"Não respeito delator", afirma Dilma

Presidente responde acusações de empreiteiro investigado pela Lava Jato, dizendo ter apreendido na escola a não gostar daqueles que traem colegas. Ela também nega recebimento de doações ilegais, mas defende investigação.

A presidenta Dilma Rousseff disse, nesta segunda-feira (29/06), que não houve nenhuma irregularidade na sua campanha presidencial e que não respeita delatores.

Em entrevista a jornalistas em Nova York, na véspera do encontro com o presidente dos EUA, Barack Obama, ela comentou as informações divulgadas pela imprensa brasileira sobre a delação premiada de Ricardo Pessoa, presidente da empreiteira UTC, assinada com o Supremo Tribunal Federal (STF). De acordo com reportagens, Pessoa listou 18 pessoas que teriam recebido recursos do esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato.

"Não tenho esse tipo de prática [de receber doações ilegais]. Eu não aceito e jamais aceitarei que insinuem sobre mim ou sobre minha campanha qualquer irregularidade. Primeiro porque não houve. Segundo, porque se insinuam, alguns têm interesses políticos", disse.

A presidenta contou ter aprendido na escola, em Minas Gerais, a não gostar de pessoas que traem algum movimento e entregam colegas, como Joaquim Silvério dos Reis, o delator da Inconfidência Mineira, movimento que buscava libertar o Brasil de Portugal no século 19.

"Eu não respeito o delator. Até porque eu estive presa na ditadura, e sei o que é. Tentaram me transformar numa delatora. A ditadura fazia isso com as pessoas presas. E eu garanto para vocês que resisti bravamente. Até em alguns momentos fui mal interpretada quando disse que em tortura a gente tem de resistir porque senão você entrega seus presos. Então, eu não respeito nenhuma fala. Agora, acho que a Justiça tem de pegar tudo que ele disse e investigar. Tudo, sem exceção. A Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal", defendeu.

Dilma afirmou ainda que tomará providências "se ele [Ricardo Pessoa] falar sobre mim", e que no que diz respeito às citações aos ministros do seu governo, a situação será avaliada com cada um. Entre os citados pelo executivo, conforme as reportagens, aparecem os ministros da Casa Civil, Aloizio Mercadante, e o da Secretaria de Comunicação Social, Edinho Silva – como beneficiários do esquema.

Em delação premiada, Pessoa disse que doou 7,5 milhões reais à campanha de Dilma por temer prejuízos em seus negócios com a Petrobras. O montante foi doado legalmente. Em seus depoimentos, ele teria mencionado ainda doações ilegais de 15,7 milhões de reais a ex-tesoureiros do PT e da campanha de Dilma.

PV/ab/ots

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