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Mundo

Não quero mortes em Gaza em meu nome, diz sobrevivente do Holocausto

Em carta aberta publicada no jornal "NYT", sobreviventes do nazismo condenam ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, classificando-a de "genocídio". A alemã Edith Bell, de 91 anos, é uma das signatárias do texto.

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"A população em Gaza vive num constante estado de sítio", diz Bell

Nascida em 1923 em Hamburgo, na Alemanha, Edith Bell é um dos sobreviventes do Holocausto que assinaram uma carta aberta publicada no jornal The New York Times no último fim de semana. O documento critica duramente a atual ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, chamando-a de "genocídio".

Bell sobreviveu aos campos de concentração de Theresienstadt e Auschwitz, entre outros. Após a Segunda Guerra Mundial, emigrou para Israel e, depois, mudou-se para os EUA em 1954, onde vive até hoje. Para a alemã, ninguém mais deveria ser tratado da maneira sub-humana como os judeus foram tratados durante o Holocausto.

DW: Por que a senhora decidiu assinar uma carta que critica publicamente Israel e os Estados Unidos de forma tão severa?

Edith Bell: Estou muito chateada com o que vem acontecendo em Israel e em Gaza. E estou convencida de que o poder militar não resolve nenhum desses problemas. Acima de tudo, estou amargurada pelo fato de o Holocausto, meu próprio sofrimento durante a guerra, ser usado para justificar a morte de inocentes.

A senhora faz referência a Eli Wiesel que, através de um anúncio – também no The New York Times –, fez uma conexão entre o Hamas e os nazistas e acusou o Hamas de fazer culto aos mortos. Quais são seus argumentos?

Cresci na Alemanha. Meu pai lutou na Primeira Guerra Mundial, a chamada Grande Guerra, que deveria acabar com todas as guerras para sempre. Nós descobrimos que lutas provocam ainda mais lutas. Isso não resolve nada. Fomos tratados como sub-humanos, como o senhor sabe. Lutei grande parte da minha vida por paz e justiça, para evitar que isso aconteça novamente algum dia com alguém, seja um nativo americano, afroamericano, gay ou lésbica, judeu ou árabe.

Por que a senhora acredita que o ataque de Israel a Gaza pode ser chamado de genocídio?

Porque eles matam as pessoas cegamente. Uma população inteira está sendo morta. Meu sobrinho israelense me disse há 20 anos: vocês [americanos] mataram seus índios. Sim, tem razão. Mas duas coisas erradas não formam uma coisa correta.

Há muito furor entre as linhas da carta aberta e em suas respostas. Por quê?

Eu não quero que as pessoas façam essas coisas em meu nome. O dinheiro dos meus impostos é usado para isso. O governo dos EUA parece pensar que o Aipac (o American Israel Public Affairs Committee, que, segundo sua própria descrição, é uma organização lobista pró-Israel) nos representa, mas isso não é verdade. É uma organização que tem muita influência sobre o Congresso dos EUA e que alega representar os judeus americanos. Mas, obviamente, não o faz.

A senhora quer que o governo americano deixe de apoiar Israel?

Sim, exatamente. Eu tenho sido há muito tempo um membro da Women's International League for Peace and Freedom, e somos a favor de que se acabe com a ocupação ilegal de Gaza e a matança. Defendemos um cessar-fogo, negociações com todas as partes e ajuda humanitária multinacional a Gaza e exigimos que os Estados Unidos e Israel sejam responsabilizados.

A chanceler federal alemã, Angela Merkel, apoia firmemente Israel e seu direito de se defender. Ela deveria mudar sua política?

Esta autodefesa é bastante desproporcional. Israel é a nação mais poderosa do Oriente Médio. Os palestinos em Gaza não têm exército, força aérea, marinha ou armas comparáveis às do lado israelense. A população de Gaza vive num constante estado de sítio. As pessoas foram expulsas de suas casas para campos de refugiados sem água suficiente, comida, cuidados médicos e eletricidade. Agora são até mesmos expulsos dessas acomodações. Para onde eles devem ir?

A senhora acabou de dizer que é uma sobrevivente do Holocausto. Como suas experiências de então influenciam suas opiniões sobre Gaza?

Eu cresci em Hamburgo, e minha família se mudou mais tarde para Amsterdã. Os alemães levaram meus pais. Meu pai morreu em Theresienstadt, minha mãe em Auschwitz. Sobrevivi, por pura sorte, a vários campos de concentração. Fomos tratados como sub-humanos. Isso nunca mais deve acontecer a alguém.

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