″Não quero criar constrangimentos″, diz ministro do Turismo | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 17.06.2016
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Brasil

"Não quero criar constrangimentos", diz ministro do Turismo

Ao anunciar demissão, Henrique Eduardo Alves afirma que sua intenção é evitar dificuldades para o governo interino, que já sofreu três desfalques. Novas denúncias teriam motivado afastamento.

O governo interino de Michel Temer sofreu mais um desgaste em sua imagem nesta quinta-feira (16/06), ao perder seu terceiro ministro em pouco mais de um mês. Henrique Eduardo Alves, ministro do Turismo, pediu demissão do cargo após ser citado na delação premiada do ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado.

"O momento nacional exige atitudes pessoais em prol do bem maior", escreveu Alves em carta enviada a Temer, divulgada pelo ministério. "O PMDB, meu partido há 46 anos, foi chamado a tirar o Brasil de uma crise profunda. Não quero criar constrangimentos ou qualquer dificuldade para o governo, nas suas próprias palavras, de salvação nacional."

Segundo Machado, Alves teria recebido 1,55 milhão de reais em doações eleitorais com recursos ilícitos entre 2008 e 2014. De acordo com a imprensa, a existência de novas denúncias contra o ministro, além das delatadas pelo ex-presidente da Transpetro, motivaram sua saída do governo.

Alves disse estar seguro de que todas as "ilações" envolvendo seu nome serão esclarecidas e agradeceu o presidente interino pela "lealdade, amizade e compromisso de uma longa vida política e partidária".

Temer na mira

Antes de Alves, Romero Jucá, que foi ministro do Planejamento, e Fabiano Silveira, que comandou a pasta da Transparência, Fiscalização e Controle, deixaram os cargos após serem envolvidos na Lava Jato. Em trechos da delação de Machado, em áudio, os dois criticam a operação.

Há cerca de um ano, o ex-presidente da Transpetro – ramificação da Petrobras – é o maior colaborador do Ministério Público. Em sua delação, Machado também envolveu mais de 20 políticos, incluindo Temer e toda a cúpula do PMDB, num esquema de propina ligado a doações eleitorais.

Temer é particularmente acusado pelo delator de pedir 1,5 milhão de reais em doações para a campanha de Gabriel Chalita, candidato do PMDB à prefeitura de São Paulo em 2012. O dinheiro teria sido pago pela construtora Queiroz Galvão. O presidente interino chamou a delação de "absolutamente inverídica" e afirmou que sempre buscou recursos para campanhas eleitorais dentro da lei.

LPF/abr/rtr/ots

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