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Mundo

"Não podemos permitir um novo muro", diz Gorbachev em Berlim

Após encontro com Merkel, ex-líder da União Soviética volta a abordar crise na Ucrânia, pedindo a reconciliação entre a Rússia e a UE. Governo alemão rebate críticas à política do Ocidente diante do conflito ucraniano.

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Gorbachev em reunião com Merkel

Após reunir-se com a chanceler federal alemã, Angela Merkel, em Berlim, o último líder da União Soviética, Mikhail Gorbachev, pediu nesta segunda-feira (10/11) a reconciliação imediata entre Rússia e União Europeia (UE).

"Não podemos deixar que um novo muro seja erguido", disse, referindo-se às tensões entre Moscou e a UE no contexto da crise da Ucrânia. "Precisamos superar essas rachaduras."

A reunião com Merkel durou cerca de 40 minutos e tinha na pauta as comemorações dos 25 anos da queda do Muro de Berlim deste domingo e as relações russo-alemãs.

Neste sábado, em Berlim,

Gorbachev já havia comentado

a tensa situação atual envolvendo rebeldes pró-Rússia no leste ucraniano. "O mundo está à beira de uma nova Guerra Fria. Muitos dizem até que ela já começou", disse.

Ele acusou o Ocidente de não cumprir as promessas feitas desde os tempos da bipolarização mundial. Para ele, os países ocidentais simplesmente se declararam vencedores da Guerra Fria e tentaram obter vantagem do enfraquecimento da Rússia.

Após o encontro com Merkel nesta segunda-feira, Gorbachev baixou o tom de crítica. "Enquanto russos e alemães se entenderem e cultivarem boas relações, todos ficarão bem." Sobre Merkel, ele disse ter grande respeito por ela e que ela é muito benquista na Rússia.

Antes da viagem à Alemanha, Gorbachev havia anunciado que, no encontro com a chanceler federal, defenderia o presidente russo, Vladimir Putin.

Treffen Michail Gorbatschow und Angela Merkel 10.11.2014

Após encontro com Merkel, Gorbachev disse ter grande respeito pela chanceler federal alemã

Alemanha reage a críticas

Nesta segunda-feira, antes do encontro entre Merkel e Gorbachev, o governo da Alemanha já havia rebatido as críticas do ex-líder da União Soviética em relação à política do Ocidente diante do conflito ucraniano.

"É preciso lembrar que não foi a Otan que violou o direito internacional recentemente, mas sim a Rússia", disse o porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert. Ele justificou a acusação fazendo referência à anexação da Crimeia por Moscou – uma "desestabilização ativa" do leste ucraniano e uma violação do Memorando de Budapeste, que estipula a integridade territorial da Ucrânia.

Seibert afirmou que a Otan segue disposta a cooperar com a Rússia, mas que o governo alemão também vai continuar, junto com seus parceiros, a chamar atenção para injustiças.

"A chanceler federal reiterou que, apesar de todas as diferenças envolvendo questões atuais, a longo prazo, boas relações entre a Alemanha, a UE e a Rússia são de grande importância", disse o porta-voz. A Alemanha não esqueceu os méritos de Gorbachev "para o fim da Guerra Fria, para a concretização da unidade alemã", destacou.

As reformas promovidas na então União Soviética por Gorbatchev, hoje com 83 anos, ajudaram a pavimentar o caminho para a queda do Muro de Berlim, seguida pelo fim do regime comunista no leste europeu. Por isso, muitos alemães que viviam no lado oriental do muro e participaram de manifestações naquele ano de 1989 consideram o vencedor do Nobel da Paz, ainda hoje, um herói.

LPF/dpa/afp

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