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Alemanha

Não, não e não

Berlim reafirma ser contra guerra no Iraque e rejeita uma nova resolução do Conselho de Segurança da ONU. Ministro diz que interesse americano está no petróleo e na posição geoestratégica do Iraque.

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Desarmamento do Iraque, pivô da crise transatlântica

Nada mudou na política alemã sobre a crise iraquiana, garante o ministro do Exterior, Joschka Fischer, apesar de a declaração conjunta de chefes de Estado e de governo da União Européia admitir o uso da força militar como último recurso para desarmar o regime de Saddam Hussein. Até segunda-feira, Berlim rejeitava categoricamente tal possibilidade.

Segundo o ministro verde, a menção no documento de uma eventual guerra não passa de uma formulação teórica. Na prática, o governo Schröder segue comprometido com a solução pacífica e em hipótese nenhuma participará de uma intervenção militar.

Ação militar para pressionar, mas sem guerra

Fischer considera, entretanto, importante a ameaça representada pela mobilização das Forças Armadas americanas no Golfo Pérsico, como "um fator" de apoio ao trabalho dos inspetores da ONU. O ministro adverte, porém, para o perigo de se ficar "refém da lógica" da escalada militar, a ponto de uma guerra tornar-se inevitável.

Pressekonferenz Joschka Fischer Irak

Joschka Fischer, ministro do Exterior e vice-chanceler federal da Alemanha

Em contraponto aos EUA, o vice-chanceler federal lembrou que as resoluções das Nações Unidas não visam uma mudança de governo no Iraque. Fischer destacou que o tema foi discutido na reunião de cúpula da UE em Bruxelas e o próprio governo britânico teria reconhecido não sentir-se comprometido com a tese da troca de regime.

Em novo recado a Washington, o ministro admitiu que os EUA são fortes o suficiente para "promoverem sozinhos uma possível ação militar no Iraque". No entanto, para "instaurar a paz, os Estados Unidos precisam da ONU, de importantes aliados, em primeiro lugar os europeus". Em pleno "início do século 21", não se pode seriamente tentar alcançar "o desarmamento" através de guerra.

Petardos verdes rumo a Washington

Bombásticas foram, porém, as declarações do ministro do Meio Ambiente, Jürgen Trittin, ao jornal Die Welt. Pela primeira vez, um membro do governo Schröder acusa os EUA de terem no petróleo e na posição geoestratégica do Iraque as verdadeiras razões para derrubar o ditador Saddam Hussein. O líder verde responsabiliza também a mudança da política externa americana no governo Bush pelas desavenças transatlânticas.

Hosni Mubarak und Gerhard Schröder

O chanceler federal Gerhard Schröder (dir.) com o presidente do Egito, Hosni Mubarak, em Berlim

"A abolição do primado do direito e do multilateralismo gerou o conflito. O governo americano declarou ser a guerra preventiva um meio legítimo. É uma mudança estratégica fundamental", disparou Trittin. E exatamente pelas divergências serem "de princípio", o ministro acredita que a crise entre Washington e Berlim não só continuará, como tende a se agravar.

Outro político verde a torpedear o governo Bush é o deputado Thilo Hoppe. O parlamentar diz haver indícios sérios de que Washington estaria ameaçando cortar recursos financeiros dos países que não apoiarem sua política para o Iraque. Os principais alvos da chantagem seriam os africanos atualmente com assento no Conselho de Segurança da ONU: Angola, Camarões e Guiné Equatorial. "Quem exige dos países em desenvolvimento a introdução da democracia e o respeito da liberdade de opinião, tem de também se orientar por estes princípios", cobrou Hoppe, em entrevista ao jornal protestante Evangelische Zeitung, de Hanôver.

Não a uma nova resolução da ONU

O prosseguimento do embate transatlântico parece evidente. Assim como Joschka Fischer, o chanceler federal Gerhard Schröder reafirmou que a Alemanha continuará fazendo tudo para impor meios pacíficos no desarmamento do Iraque. O social-democrata rejeita uma nova resolução do Conselho de Segurança sobre o Iraque, cujo projeto deverá ser apresentado ainda esta semana pelos governos George W. Bush (EUA) e Tony Blair (Grã-Bretanha).

Minister gegen den Krieg

Ministro Jürgen Trittin (centro) e outros líderes verdes na manifestação pacifista de Berlim em 15 de fevereiro

"O correto é manter a resolução 1441. Ela dá aos inspetores a possibilidade de fazer e ampliar seu trabalho. Não vejo, portanto, neste momento, qualquer razão para uma nova resolução. Estou pessoalmente convencido de que nós todos, parceiros deste mundo, temos de agir para dar uma chance à paz e evitar a guerra", disse o chefe de governo alemão, que recebeu nesta quarta-feira o presidente do Egito.

Preocupado com as conseqüências em seu país de uma guerra no Iraque, Hosni Mubarak apóia a iniciativa pacifista alemã e igualmente defende mais tempo para os inspetores, mas defende a fixação de um prazo para o encerramento dos trabalhos. Para o presidente egípcio, a crise iraquiana não é o principal problema do Oriente Médio, mas o conflito israelense-palestino, que igualmente precisa de solução urgente.

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