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Mundo

"Não há critérios claros para definir o que é nação"

Os catalães aprovaram em plebiscito um estatuto que reforça a autonomia da região. Konrad H. Jarausch comenta em entrevista à DW-WORLD questões ligadas ao regionalismo e fala sobre o conceito de nação no mundo de hoje.

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Europa: entre o regional e o supranacional

No último domingo (18/06), os catalães passaram a se sentir "mais catalães". O plebiscito realizado na região espanhola, aprovado por 74% da população, prevê maior autonomia financeira e política para a Catalunha em relação a Madri. No novo estatuto, a bandeira, o hino e os feriados regionais catalães são descritos como "símbolos nacionais".

Também o Judiciário ganha poderes mais amplos e nas escolas deverá aumentar o número de aulas em catalão. A "recaída" nacionalista da região tem razões históricas. Sob a ditadura de Franco, houve forte pressão para que desaparecessem quaisquer registros de identidade local no país. Os catalães, como os bascos e os galegos, por exemplo, insistem há muito na afirmação de uma identidade própria distinta do resto do país.

Em entrevista à DW-WORLD, o professor do Centro de Pesquisa Histórica de Potsdam, Konrad H. Jarausch, explica por que o conceito de nação desperta tanta polêmica na Europa, aponta a tendência de "culpar os Estados nacionais" pelas mazelas do século 20 e diz que o regionalismo, muitas vezes, serve como forma de proteção contra os efeitos da globalização.

DW-WORLD: Os catalães insistem em compor uma nação. É possível existir uma nação sem Estado?

Jarausch: Na história européia, os poloneses existiram, durante alguns séculos, sem Estado. A combinação é, portanto, possível. Sem dúvida, no século 20, com a união entre os conceitos de nação e Estado, começou-se a falar de Estados nacionais.

O objetivo de toda nação é se converter em Estado?

Não necessariamente. Depende do tipo de agrupação política. Durante o período anterior à emergência dos Estados nacionais, no Sacro Império Romano-Germânico, havia uma convivência de diversos grupos étnicos, lingüísticos.

Por um lado, é possível que agrupamentos convivam sob o conceito de uma nação e que diferentes partes de uma mesma nação habitem diversos Estados, territórios, regiões ou cidades. Ao mesmo tempo, é possível que acima da nação se situem outras unidades.

Quanto de simbólico e quanto de definição política autêntica estão dentro do conceito de "nação"?

Na Espanha, a controvérsia ou a ambigüidade se dão a partir do fato de que a Espanha vê a si mesma como um Estado nacional, mas os catalães se consideram também uma nação. Disso resulta um embate de reivindicações, que se colidem e que afetam o mesmo símbolo.

Algo similar acontece na Alemanha. A Alemanha do Leste, a República Democrática Alemã (RDA), também foi um Estado independente, que durante um período de tempo se autodefiniu como nação socialista. Sem dúvida, a cidadania exigiu que o povo e o Estado pertencessem a uma mesma nação, a alemã.

Estas questões têm resultados políticos muito controversos e o significado do conceito de "nação" não se limita ao que escrevem os livros ou ao que dizem as teorias, mas ao que os envolvidos diretos fazem dele.

Por que o senhor acredita que a palavra "nação" desperta tantas paixões, fazendo com que seja impossível falar racionalmente sobre o assunto?

Uma nação é quase sempre uma confluência de pessoas culturalmente parecidas, com objetivos políticos comuns. Trata-se de uma forma de organização maior que a cidade, a região. É o primeiro grande agrupamento. Por isso, o conceito possui uma carga simbólica enorme. Nos últimos 200 anos, os Estados que se relacionaram com ela introduziram, por exemplo, depois da Revolução Francesa, o serviço militar obrigatório.

Todos os sistemas sociais foram implantados através da nação, como os sistemas de ensino ou a imposição de um idioma, convertido em idioma nacional, em literatura nacional, até se consolidar uma arte nacional.

Agora mesmo estamos vendo, de perto, uma Copa do Mundo de futebol: a maior parte dos Estados que participam do Mundial se consideram nações. Atualmente, o Estado nacional segue sendo a forma dominante de organização política e social.

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