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Cultura

Museu mostra "medicina mortal" dos nazistas

Uma exposição no Museu de Higiene de Dresden documenta a política extermínio de Hitler. Organizada pelo Museu do Holocausto, de Washington, ela despertou protestos, mesmo antes da abertura.

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Entrada da exposição no Museu de Higiene

O assassinato de dezenas de milhares de pessoas com deficiências, doentes mentais e incuráveis foi o primeiro ato sistemático de extermínio do regime nazista, que mais tarde teria pavorosa continuação nos campos de concentração. Além disso, cerca de 400 mil pessoas sofreram esterilização compulsória, sob a alegação de "inferioridade genética".

Ausstellung Tödliche Medizin im Deutschen Hygiene-Museum

Capa da brochura nazista 'Saúde é alegria de viver'

A mostra Medicina mortal – Delírio racial no nacional-socialismo documenta no Museu de Higiene de Dresden essa política racial aniquiladora. O evento tem gabarito internacional, pois foi organizado pelo United States Holocaust Memorial Museum de Washington, uma das mais conceituadas instituições de pesquisa sobre o Holocausto.

"É a primeira vez que o acervo do Museu do Holocausto é exibido fora dos Estados Unidos", diz Klaus Vogel, diretor do museu anfitrião. "Trata-se, portanto, de uma grande honra e uma grande distinção para nós". Por outro lado, ele sublinha a importância de, enquanto alemão, se ocupar da própria história.

Deturpado pelo nazismo

O Museu da Higiene foi fundado em 1911 com o fim original de divulgar conhecimentos científicos sobre higiene e uma forma de vida saudável. Entretanto, a partir de 1933, os nazistas o instrumentalizaram cada vez mais como instituto de propaganda, a fim de difundir sua política racial exterminadora.

Ausstellung Tödliche Medizin, Deutsches Hygiene-Museum

'Mulher saudável, povo saudável', cartaz de 1932

"O Museu da Higiene não era uma instituição assassina no sentido de que pessoas fossem mortas aqui. Mas, através de exposições itinerantes e painéis didáticos, maciçamente utilizados na época nazista, manipulou-se a definição do que fosse supostamente digno ou indigno de vida", explica Vogel.

Através de fotos, textos e filmes, a atual exposição demonstra como os nazistas desenvolveram uma assim chamada "política de saúde". Com o apoio de médicos e antropólogos, esta desembocaria no extermínio de milhões de judeus na Europa.

Após o "decreto da eutanásia" de Adolf Hitler, de 1º de setembro de 1939, começou, sob enorme sigilo, o extermínio de deficientes e doentes psíquicos ou incuráveis, incluindo crianças. Trabalhadores forçados desabilitados, presos dos campos de concentração e soldados doentes da Wehrmacht também foram sacrificados pelo programa.

Codinome T4

A operação foi realizada sob o signo secreto "T4", a partir do endereço da central de organização: Tiergartenstrasse 4, em Berlim. Entre 1940 e 1941, mais de 70 mil pessoas morreram através de gás letal ou fuzilamento, nas mãos dos médicos e enfermeiros de seis instituições centrais. Uma delas situava-se em Pirna, Saxônia, e outra no Castelo Grafeneck, em Württemberg.

BdT Ausstellung Tödliche Medizin Rassenwahn im Nationalsozialismus

'Medicina mortal' em Dresden

Em decorrência de protestos da população e das Igrejas, o genocídio oficial foi suspenso em meados de 1941. Porém, a matança seguiu ocultamente: dezenas de milhares de pessoas continuaram morrendo por ingestão de medicamentos ou inanição, em inúmeros hospitais e clínicas.

Grande parte dos médicos participantes dessas atrocidades jamais respondeu por seus atos, continuando a clinicar após a guerra. Durante décadas, o tema permaneceu tabu na Alemanha. Somente nos anos 80 começou a grande elaboração. Desde 1989, uma placa relembra as vítimas, no edifício número 4 da Tiergartenstrasse.

Necessidade atual de tolerância

Diversos hospitais já se ocupam criticamente deste capítulo de sua história. Com a presente mostra especial, o Museu de Higiene também assume a própria responsabilidade, na qualidade de instituição que, sem reservas, prestou-se a apoiar e propagar os "programas de higiene de massa" dos nacional-socialistas.

Schwarzer Mann vor Hakenkreuz- Graffiti

Extremismo de direita na Alemanha: triste atualidade

Em face à recente avanço do partido de extrema direita NPD na Saxônia e em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, a mostra pretende ser também um brado por maior consciência democrática e tolerância social na sociedade. Ela é acompanhada por projetos teatrais pedagógicos, conversas com testemunhas da época e leituras, todos dirigidos ao público jovem.

Mortes continuaram após 1945

Nos EUA, a mostra recebeu 720 mil visitantes, num espaço de dois anos. Porém, na Alemanha, ela já sofreu críticas de diversas associações. O Grupo de Trabalho Federal dos (ex-)Pacientes Psiquiátricos (BPE) realizou no próprio dia da inauguração, 12 de outubro de 2006, uma ação de protesto em Dresden.

Segundo o grupo, a exposição oculta o fato que as mortes em massa por inanição continuaram nas instituições psiquiátricas, mesmo após a guerra. Apenas entre 1948 e 1949, mais de 20 mil pacientes teriam sido vítimas da arbitrariedade do pessoal médico.

Um dos casos documentados é o de um menino de quatro anos, assassinado no final de maio de 1945 com uma injeção fatal em Kaufbeuren (Baviera), embora a cidade já houvesse sido ocupada pelo Exército estadunidense.

A mostra Medicina mortal – Delírio racial no nacional-socialismo permance no Museu de Higiene de Dresden até 27 de junho de 2007.

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