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Cultura

Museu Judaico de Berlim celebra ‘Natanuca’

Este ano, o Hanuca e o Natal são celebrados na mesma semana. O Museu Judaico de Berlim aproveitou a ocasião para mostrar como as duas festas religiosas se desenvolveram. E revelando até mesmo alguns pontos em comum.

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Variações entre o quipá judaico e o gorro de Papai Noel

A música que recebe os visitantes no Museu Judaico de Berlim ilustra a combinação das tradições dos feriados: o cantor norte-americano Bing Crosby entoa a canção White Christmas, com texto original do compositor judeu Irving Berlin.

O Hanuca ( Hanukkah) ou Chanuca é festa judaica da Consagração ou das Luzes. Este ano, ele coincidiu com a semana quando a cristandade comemora o nascimento de Jesus, inspirando a mostra no museu de Berlim.

Nova York entre as duas tradições

Para realizar a pesquisa para a exposição, intitulada Weihnukka (mistura de Weihnachten – Natal, em alemão – e Hanukkah. Algo como "Natanuca" em português), Michal Friedländer, associada do museu, passou o Natal anterior em Nova York, onde judeus e cristãos geralmente conhecem bem ambas as tradições e “as lojas ficam tão excitadas com o Hanuca quanto com o Natal”.

“Eles decoram suas janelas em vermelho e azul, vermelho para o Natal e azul para o Hanuca”, afirma. “Queríamos aproveitar essa rara oportunidade, em que as duas festas caem na mesma semana, para mostrar de onde elas vêm, e como têm se transformado com o tempo.”

Nenhuma conexão histórica

Weihnukka Ausstellung im Jüdischen Museum in Berlin, Bild 2

Cartão de 'Feliz Natanuca'

As raízes na história judaica são a única conexão entre o Natal e o Hanuca, o Festival das Luzes, que dura oito dias e começa no 25o dia do mês hebreu de Kislev.

Para aqueles em Berlim – onde o Holocausto reduziu a população judaica de aproximadamente 190 mil para apenas dez mil judeus – que desconhecem os costumes do Hanuca, a exposição explica: a festividade comemora a vitória da revolta dos macabeus, em 165 a.C., contra a dominação sírio-helênica da Judéia sob o selêucida Antíoco 4º, com a conseqüente reconquista de Jerusalém.

Durante cada noite da comemoração, uma das oito velas da menorá, candelabro de nove braços, deve ser acesa, a partir da do meio. A oração que acompanha o ritual celebra a vitória do mais fraco sobre o poderoso.

Feriado moderno

Weihnukka Ausstellung im Jüdischen Museum in Berlin, Bild 5

Objetos da exposição 'Weihnukka', em Berlim

Uma parte da exibição, que se espalha por seis salões e conta com cerca de 700 objetos, aborda a questão do assim chamado “dilema de dezembro”: de que maneira enviar felicitações natalinas neutras e politicamente corretas?

Nas escolas norte-americanas tem havido uma certa "polinização transcultural" entre as duas festas de fim de ano, registra Friedländer. Prova disso é que os tradicionais Christmas pageants vêm sendo substituídos por "musicais de inverno", e os votos de “Boas férias” tomando o lugar do "Feliz Natal”.

“Tornou-se bastante comum nas famílias judias presentear suas crianças para Hanuca, porque a data está tão próxima do Natal”, comentou à agência de notícias AFP.

Consumo une as religiões

Weihnukka Ausstellung im Jüdischen Museum in Berlin, Bild 3

'The Night before Hanukkah', ilustração de 2000 para 'The New Yorker'

Talvez refletindo o inegável aspecto comercial do Natal, uma das salas é toda dedicada ao universo dos produtos vendidos por ocasião das festividades.

“Desenvolveu-se um verdadeiro mercado americanizado em torno do Hanuca”, afirma Friedländer. “Além dos doces e da menorá, que podem ser encontrados em todos os formatos possíveis, a verdadeira sensação é um boneco do guerreiro Judas Macabeus, que talvez esteja se tornando o equivalente ao Papai Noel, para as crianças judias.”

Ela também notou que muitos casais judaico-cristãos de Nova York começaram a combinar as duas tradições. “Encontram-se tanto árvores de Natal decoradas com objetos normalmente simbolizando o Hanuca, como pequenas menorás”, afirma.

A exposição Weihnukka pode ser vista até 29 de janeiro de 2006.

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