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Cultura

Museu do Cinema Alemão comemora os 25 anos de "O Barco"

Exposição em Frankfurt relembra o filme "Das Boot", de Wolfgang Petersen, um dos maiores êxitos da história cinematográfica alemã.

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Em cartaz, a exposição de um clássico do cinema

O Museu do Cinema Alemão situado em Frankfurt, à margem do Rio Meno, abre suas portas até 7 de janeiro de 2007 para comemorar um filme que surpreende o mundo inteiro – e até os próprios alemães – desde o seu lançamento, em 1981.

Dirigido pelo consagrado cineasta Wolfgang Petersen, autor também da obra-prima A História Sem Fim, baseado em romance de Michael Ende, o filme O Barco – Inferno no Mar é com certeza um dos maiores libelos pacifistas levados às telas em todos os tempos. A superprodução dos estúdios Bavaria não precisou apelar para mirabolantes efeitos especiais nem para o sentimentalismo barato, para impressionar o seu público.

A exposição, intitulada Das Boot Revisited. Auf der Suche nach der Crew der U 96 (O Barco revisitado. À procura da equipe do U 96) foi inaugurada em 17 de setembro, contando com a presença de importantes nomes do elenco, de seu produtor Günter Rohrbach aos atores Jan Fedder, Claude-Oliver Rudolph, Martin May, além do festejado cameraman Jost Vacano. A mostra ganhou também um belo e providencial catálogo publicado pelo Museu do Cinema Alemão e pelo Instituto do Filme Alemão.

Concepção visual da exposição

Não bastasse a quantidade e apuro das informações acerca do filme disponíveis na mostra, outro detalhe muito importante é a forma como as salas foram decoradas, dando ao visitante a incômoda impressão de estar realmente no interior de um claustrofóbico submarino.

A iluminação dos objetos é minimalista, e os spots de luz vermelha presos nas paredes simulam o constante estado de alerta dentro da nave que nos remete ao filme. A indumentária usada pelos atores, os objetos usados pela cenografia, como uma velha garrafa de cerveja Becks da época da Segunda Guerra, o instrumental de navegação submarina dos anos 40, bem como uma série de cartazes do filme publicados nas línguas mais remotas, tudo é um encanto só para os fãs de O Barco.

Das Boot

Pequena mas de grande efeito: a miniatura do submarino

Nada no entanto causa mais impacto que a miniatura do submarino construída para as trucagens do filme, que está posicionada estrategicamente ao lado da bilheteria da exposição. Diante do resultado exposto na tela, o visitante mal acredita que aquele barco de lata pintado de cinza tenha parecido tão verossímil como poderosa arma de guerra no filme. São os milagres da sétima arte, promovidos por um grande mestre de fotografia.

Mais à frente, o visitante se depara com um gigantesco torpedo usado pelos produtores da Bavaria. Pela incrível dimensão da bomba, essa sim parece ser o verdadeiro submarino.

Sucesso internacional

No documentário exibido ininterruptamente na exposição, o produtor Günter Rohrbach lembra das dificuldades que o filme teve para ser aceito pela crítica especializada alemã há 25 anos. "O filme fez muito mais sucesso nos países que eram os nossos inimigos na Segunda Guerra do que por aqui. Tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos, o filme foi muito querido."

Das Boot acabou sendo indicado para seis Oscars, e por mais incrível que hoje possa parecer, nenhuma indicação foi como "melhor filme estrangeiro". O produtor e diretor geral da Bavaria Günter Rohrbach conta que a película de Wolfgang Petersen foi preterida como candidata pelos próprios alemães, que preferiram enviar ao Oscar Lili Marleen, de Rainer Fassbinder, "que a meu ver não é dos melhores filmes do diretor, e ainda por cima foi filmado em inglês".

Das Boot, Wolfgang Petersen

Jürgen Prochnow (d) e Herbert Grönemeyer numa cena do filme

Dimensão humana

A grandiosidade de O Barco está na tragédia humana de seus personagens, extraídos do romance de Lothar-Günther Buchheim. No filme de Petersen, o que está em jogo não são os marinheiros de Adolf Hitler, que mal tem seu nome pronunciado pelos personagens. Não há grandes referências ao nazismo que eclodira com o conflito mundial que representou um bestial contigente de vítimas pelo mundo afora. O que está em foco é o drama humano daqueles que estão numa guerra totalmente perdidos, ou seja, a própria humanidade.

Não é surpresa, portanto, que o filme tenha desencadeado tanta admiração no mundo inteiro. Das Boot, uma produção alemã bem diferente dos tradicionais e incontáveis filmes de Hollywood sobre a guerra, entrou para a história da cinematografia por ser um tocante manifesto antibélico, que não precisou apelar para maniqueísmos quaisquer.

O protagonista Jürgen Prochnow conta também no documentário sobre a forma com que foi recebido nos Estados Unidos, numa receptividade inconcebível para um ator alemão em seu próprio país. Para Prochnow, um dos maiores talentos do filme foi a fotografia. "Ela parecia ter sido feita por alguém que realmente esteve na guerra, dentro de um submarino."

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