Museu de Wolfsburg explora fronteira entre arte e moda | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 20.03.2011
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Cultura

Museu de Wolfsburg explora fronteira entre arte e moda

Vestido ou arte? Saias com buracos de bala, coletes de porcelana: as fronteiras entre a moda e a arte estão abertas na exposição "Art&Fashion. Entre a pele e o vestido", do Museu de Arte de Wolfsburgo.

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Fantasia ou obra de arte?

O vestido de tule é ao mesmo tempo um sonho e um pesadelo: longo, laranja brilhante, sexy. Mas em um dos lados há um buraco, como se uma bala de canhão tivesse simplesmente atravessado o tecido.

Os estilistas holandeses Victor & Rolf batizaram sua criação de "vestido serra elétrica" e levaram o conceito do corte ao pé da letra. A peça é um dos objetos mais espetaculares que há para se ver na exposição Art&Fashion. Entre a pele e o vestido.

Algumas pessoas torcem o nariz: museu não é lugar de moda, ela é venal. Mas isso a arte também é. Um museu de arte que se dedica à busca do Modernismo do século 21 não pode deixar de passar pela moda, na opinião de Markus Brüderlin, diretor do Museu de Arte de Wolfsburg.

Os termos Modernismo e moda não aparecem juntos por acaso. Repetidas vezes, os artistas estiveram envolvidos com a moda. O construtivista russo Alexander Rodtchenko desenhava uniformes de trabalho para a nova sociedade sem classes; a obra da estilista italiana Elsa Schiaparelli tem influência de Salvador Dalí e Alberto Giacometti. A ideia por trás disso: redesenhar o mundo moderno em todas as suas facetas visuais.

Achtung: Nur für Kulturkalender März 2011 - Ausstellung Art and Fashion in Wolfsburg

Da esq. para a dir.: Christophe Coppens, Walter van Beirendonck e Maison Martin Margiela

Inaceitável?

Mais de 40 peças fantasiosas espalham-se pelas salas do museu. Christophe Coppens, que vive na Bélgica e é conhecido por seu vanguardismo em chapéus de alta costura, apresenta uma capa em forma de corça, em padrão xadrez preto e branco.

Quem a veste, também carrega nos ombros uma corça em tamanho natural, feita do mesmo tecido. Para coroar a vestimenta, um chapéu em forma de chifres. Reforçada pela sombra da capa de corça projetada artisticamente na parede, uma surreal história onírica se desenrola na imaginação do observador.

Sandra Backlund, da Suécia, tricotou um colete especialmente quente: feito de lã e cabelo castanho-escuro. Com suas jubas e tranças, ele funciona como uma peruca corporal. Gigantes, quase peças de vestuário, as perucas de Charlie Le Mindus lembram animais. O francês residente em Londres também desenha, aliás, adereços para a cabeça da extravagante rainha do pop Lady Gaga.

Coisa de gente excêntrica

Um dos mais conhecidos viajantes na fronteira entre a moda e a arte, é Hussein Chalayan. Para o estilista, a moda é apenas um aspecto do processo artístico. Em Wolfsburg, o inglês apresenta sua instalação Microgeografia: um manequim vira-se dentro de um aquário. Seis telas na parede mostram detalhes ampliados de cabelo e tecido.

Walter van Beirendonck também se movimenta habilmente entre os dois polos. Em sua criação pop e colorida, ele trata da sexualidade ou do mundo da moda de forma bem humorada. A exposição mostra, por exemplo, sua fantasia "The Bee" (A abelha), da coleção Sex-Clown.

Flash-Galerie Ausstellung Art und Fashion Blick in die Ausstellung

Exposição espalha mais de 40 peças fantasiosas pelas salas do museu

Onde acaba a moda e começa a arte? Os limites são tênues, como mostra a exposição em Wolfsburg. A arte parece acabar ficando em segundo lugar, para triunfo da moda, tão sedenta de atenção. Quase passam despercebidos a cabeça de pelúcia cor-de-rosa da artista franco-americana Louise Bourgeois ou o sapato infantil de cera e cabelo masculino, do americano Robert Gober.

Serviriam eles apenas como um álibi para justificar uma coleção de moda dentro de um museu? Ou serão exemplos da convergência entre arte e moda? Seja como for, originalidade e espetáculo à parte, numa exposição com o título Art&Fashion, seria de se esperar um pouco mais de arte.

Autora: Susanne von Schenck (ff)
Revisão: Augusto Valente

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