Museu de História Natural de Berlim comemora 200 anos de existência | Novidades da ciência para melhorar a qualidade de vida | DW | 25.09.2010
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Ciência e Saúde

Museu de História Natural de Berlim comemora 200 anos de existência

Com 30 milhões de objetos e 6.600 metros quadrados de área, o museu berlinense, fundado pelos irmãos Humboldt, atrai anualmente milhares de visitantes – pesquisadores ou curiosos – de todo o mundo.

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Fachada do Museu, no centro de Berlim

O imenso globo de vidro chega até o teto da edificação de pé direito altíssimo. Dentro do globo há 276 mil recipientes de vidro, fechados e de diversos tamanhos. Em suas prateleiras estão armazenados vermes, aranhas, caranguejos, caracóis, peixes, lagartos e sapos – todos colecionados desde o ano de 1770 até hoje, desnaturados e conservados em uma solução com 70% de álcool.

Colecionar para pesquisar

Pois no álcool, explica Reinhold Leinfelder, diretor-geral do Museu, é possível conservar os tecidos e o DNA, o que, segundo ele, é especialmente importante para a pesquisa. A coleção completa de seres imersos no álcool só pode ser observada na nova e reaberta ala leste do Museu, cujo acesso foi liberado pela primeira vez ao público. "Queremos mostrar com isso que essas coleções são muito importantes para as pesquisas", completa Leinfelder.

Naturkundemuseum Berlin Flash-Galerie

Todos os objetos ali expostos são importantes do ponto de vista científico, não importando desde quando estão ali, pois, no âmbito das pesquisas, estão sempre surgindo questões novas. Ninguém que tenha embebido peixes em uma solução de álcool 200 anos atrás poderia imaginar, por exemplo, que outra pessoa iria, algum dia, fazer exames de DNA nos mesmos.

Tradicionais e modernos

O Museu de História Natural de Berlim tornou-se há um ano membro da Sociedade Leibniz, à qual estão ligados 100 cientistas que trabalham ali regularmente. Eles pesquisam a evolução da terra e da vida, as mudanças ambientais, a constituição do nosso planeta e também como esse tipo de saber é propagado na sociedade – tudo na melhor tradição herdada dos irmãos Wilhelm e Alexander von Humboldt, que há 200 anos fundaram o Museu de História Natural.

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"Principalmente Wilhelm von Humboldt defendia uma concepção muito moderna. Ele, que foi praticamente o fundador da universidade berlinense, dizia que só é possível educar através da pesquisa. E para a pesquisa, no campo das Ciências Naturais, são necessárias coleções", diz Leinfelder. Diante disso, Wilhelm von Humboldt acabou convencendo o rei prussiano de doar sua coleção própria, uma espécie de gabinete de raridades. Em cooperação com outras coleções especiais e privadas, eles criaram então a base do museu existente hoje.

Aventureiros e pioneiros

Uma exposição atual, no andar térreo da imponente edificação onde o Museu de História Natural funciona desde 1989, conta esse e outros detalhes da história do museu. Ali pode-se aprender sobre destemidos pesquisadores que se puseram a caminho dos mais longínquos lugares e trouxeram de volta tudo o que, de alguma forma, podia ser conservado, além de cadernetas de anotação, amostras de terra, besouros, peixes, pássaros e até mesmo pedaços de carapaça de fósseis de tatu. Uma armação tão alta quanto o teto é decorada com chifres e pele de antílope, trazidos das ex-colônias alemãs na África como troféus por ávidos caçadores.

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É claro que a história das coleções está intimamente ligada aos variados contextos políticos, diz Ferdinand Damaschun, responsável pela exposição. Nos tempos da Alemanha Oriental, por exemplo, as viagens dos cientistas eram limitadas. Eles só tinham permissão de ir até a Mongólia e esporadicamente a Cuba. "Ou seja, naquele tempo, os pesquisadores concentravam-se mais no que já tinham ali", conta Damaschun.

Do mundo todo a Berlim

Para os cientistas, havia material mais que suficiente, pois o Museu de História Natural havia se transformado há muito em um rico e abarrotado arquivo de histórias sobre a Terra e a vida, graças às expedições, doações e compras no decorrer dos anos. Somente depois da famosa expedição Tendaguru, rumo à região onde fica hoje a Tanzânia, na África, os pesquisadores levaram a Berlim nada menos que 250 toneladas de fósseis de dinossauros.

A maioria dos tesouros sobreviveram ilesos à Segunda Guerra Mundial; apenas a ala leste do Museu, com seus salões para insetos e mamíferos, foi destruída por uma bomba no ano de 1945. Os espaços restantes do prédio foram sendo reformados até os anos 1980 e rearranjados para o acesso público. A ala leste, contudo, só foi reconstruída agora, 20 anos após a queda do Muro.

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Aqui houve complementos, diz Leinfelder, diretor do Museu, de forma "que, à primeira vista, parece um todo harmônico, mas, ao se olhar uma segunda vez, percebe-se claramente que o que se vê não passa de uma impressão daquilo que foi destruído, quase como um esboço do que havia anteriormente".

Os arquitetos procederam na reconstrução do prédio quase como os paleontólogos na reconstituição dos dinossauros, completa Leinfelder. Pois também eles fazem a diferença entre original e cópia. Com a abertura da ala leste e com a nova exposição, o Museu de História Natural de Berlim demonstra visivelmente seu espírito de modernização, que marca o trabalho dos cientistas que atuam ali dentro, nos bastidores, e em redes por todo o mundo.

Autora: Silke Bartlick (sv)
Revisão: Simone Lopes

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