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Brasil

"Museu da Língua Portuguesa será totalmente reconstruído"

Coordenadora da Secretaria da Cultura explica falta de alvarás para prédio centenário e afirma que há um seguro previsto em 45 milhões de reais para reconstrução. Acervo é digital e, portanto, completamente recuperável.

O

incêndio no Museu da Língua Portuguesa

, ocorrido nesta segunda-feira (22/12), causou a morte de um bombeiro civil e a destruição de parte do prédio centenário, que também abriga a Estação da Luz, no centro da cidade de São Paulo. O acervo, por outro lado, está intacto.

"O museu tem uma característica bastante singular de ser interativo e totalmente digital", disse a coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico da Secretaria Estadual da Cultura, Renata Motta, em entrevista à DW Brasil. Assim, os arquivos digitais estão salvos e são completamente recuperáveis.

Motta afirmou que ainda é cedo para prever os prejuízos financeiros, mas que o museu conta com uma apólice de seguro. "Estamos nos reunindo com a seguradora. Há uma cobertura para sinistros de incêndio prevista em 45 milhões de reais", garantiu. A criação do museu, inaugurado em 2006, custou 37 milhões de reais.

A coordenadora da Secretaria da Cultura disse que o plano agora é recuperar o Museu da Língua Portuguesa, um dos mais populares da capital. "Estamos muito consternados pela perda de um patrimônio tão importante. Mas temos agora o compromisso de efetuar essa reconstrução", disse Motta.

DW Brasil: Como vocês receberam a notícia?

Renata Motta: Com o início do foco do incêndio, o alarme interno soou, e imediatamente a equipe começou a evacuar o prédio. Felizmente era uma segunda-feira, dia em que o museu não está aberto ao público. Havia somente a equipe técnica e administrativa, trabalhando e fazendo os procedimentos de manutenção rotineiros do edifício, como é habitual às segundas-feiras.

Tão logo foi possível, eles nos telefonaram informando o início do foco de incêndio. Eu estava na Secretaria da Cultura, que fica num prédio próximo. Pela janela nós tínhamos acesso [vista ao museu]. A partir de então, passamos a acompanhar a evolução do incêndio do outro lado da rua, no edifício da Pinacoteca do Estado, que é um museu também vinculado à Secretaria da Cultura. Fizemos ali um posto de reunião para acompanhar o sinistro.

E o fogo se alastrou rapidamente?

Foi tudo muito rápido. Logo chegou o Corpo de Bombeiros, isolando a área após a evacuação. Somente eles tinham acesso. Eles agiram rápido, mas ainda assim não foi possível debelar o incêndio. Infelizmente, um brigadista civil veio a falecer, sendo a única vítima desse lamentável episódio.

Ronaldo Pereira era o responsável contratado pelo museu para todas as questões relacionadas a incêndio e segurança. Ele saiu e retornou ao local algumas vezes durante o incêndio. Dada a velocidade da evolução do fogo, ele acabou se intoxicando e veio a falecer no caminho para o hospital.

Há alguma ideia do que pode ter causado o incêndio?

É impossível ainda afirmar qualquer coisa. Hoje estão sendo realizadas as perícias, com a Defesa Civil e a área técnica. Inicialmente, eles devem efetuar a liberação da Estação da Luz – o edifício, além de abrigar o museu, é uma estação de trem de alto uso. Há esse primeiro foco de liberar a estação, e posteriormente será efetuado um segundo laudo para aferir exatamente as causas, e a situação da parte do edifício que abriga o museu.

Mas onde o fogo começou?

Sabemos que foi na área de exposições temporárias, no primeiro andar, mas não sabemos exatamente o ponto específico do foco. O fogo se alastrou muito rápido e acabou atingindo o segundo andar também.

Alguma parte da estrutura do prédio se salvou?

As áreas expositivas do museu foram completamente destruídas, ficando preservada somente a área administrativa. A principal perda é o próprio edifício, que é um prédio histórico muito importante e muito querido pela cidade de São Paulo. Está todo mundo muito consternado porque o edifício é de referência para a região central da cidade, e o museu também é um dos mais visitados da capital.

A ala que pegou fogo já havia sofrido um incêndio na década de 40, então o que foi destruído não era mais o edifício original do século 19, e sim uma reconstrução. A parte do prédio que ainda é original fica localizada onde hoje é a área administrativa do museu, que felizmente foi preservada. Nela ainda há todas as janelas, caixilhos e pisos originais do edifício.

O que impediu que o fogo chegasse a essa área?

Há uma torre no meio do prédio [a torre do relógio], que de alguma forma funcionou como um bloqueio vertical para o alastramento do fogo. Mas isso é ainda uma hipótese. De fato, os bombeiros atuaram rapidamente, de forma muito eficaz dentro do que foi a velocidade da evolução do incêndio.

Além do edifício em si, algo de histórico e irrecuperável foi destruído?

Não. Felizmente, o Museu da Língua Portuguesa tem essa característica bastante singular de ser um museu muito interativo, totalmente digital. Então não houve perda de acervo material. A parte de backup de dados, que fazem todo o funcionamento do museu, ficam no nosso Centro de Processamento de Dados (CPD), onde as portas corta-fogo funcionaram muito bem, preservando as informações.

Claro que também temos tudo isso guardado em outros backups, mas mesmo no local do incêndio o CPD foi preservado. A nossa expectativa é de que as informações estejam íntegras lá, mas ainda não tivemos acesso para fazer o teste.

Mas houve muita perda de equipamentos também. Já há alguma noção do prejuízo financeiro?

Não há ainda como quantificar essa parte mais custosa, relativa aos equipamentos multimídia do museu, como os de projeção audiovisual. Mas há uma apólice de seguro. Nós estamos nos reunindo com a seguradora, com uma cobertura para sinistros de incêndio prevista na ordem de 45 milhões de reais. Claro que tudo isso depende ainda da emissão de todos os laudos, e uma avaliação minuciosa por parte da seguradora, mas essa apólice de seguro existe, e havia sido renovada no final de novembro.

O museu não possui o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB) nem o alvará de funcionamento da Prefeitura de São Paulo. Por quê?

O museu atendia todos os requisitos e tinha todos os laudos atualizados de segurança. Isso viabilizava a abertura do museu com segurança para o público. A emissão dos laudos formais, que são o AVCB e o alvará, dependem de uma série de procedimentos de atendimento e de requisitos técnicos. Dada a complexidade do edifício histórico, que tem o uso compartilhado com uma estação de trem, até o momento nós não tínhamos conseguido essa emissão formal.

Mas nós atuávamos com segurança, já que os requisitos técnicos estavam sendo atendidos. É uma situação bastante complexa do edifício. Em 2006, quando o museu foi inaugurado, já havia essas emissões de alvarás e autorizações, mas ainda não o AVCB e o alvará definitivo. Desde então, o museu vem cumprindo sistematicamente procedimentos continuados, com um dossiê longo de documentação, visando a obtenção desses laudos formais.

E o plano agora é de reconstrução?

Sim. Ontem o governador Geraldo Alckmin, ainda durante a debelação do incêndio, esteve no local e deu uma breve entrevista, confirmando o compromisso do Estado de São Paulo na reconstrução do museu. Passadas essas primeiras etapas, nós iremos iniciar o planejamento de reconstrução.

Há alguma previsão?

Não. Nesse momento, é impossível. Nós ainda temos que receber os laudos, e a partir deles poderemos ter um cenário mais claro dos impasses, e portanto efetuar um planejamento adequado. De fato, foi uma tragédia. Estamos todos muito consternados pela perda de um patrimônio muito importante para todos nós. Por isso há um compromisso do governo e de toda a equipe técnica do museu e da Secretaria da Cultura para efetuar essa reconstrução.

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