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Cultura

Museu da imigração para renegociar identidade

Desde os distúrbios sociais envolvendo imigrantes, a França passou a rediscutir seu papel como país de imigração. Um museu promete suprir lacuna e mostrar a contribuição cultural dos imigrantes nos últimos dois séculos.

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Museu enfoca diversidade como garantia de riqueza cultural

A onda de violência nas periferias de diversas cidades francesas nas noites de outubro e novembro passados chamou a atenção pública para os imigrantes argelinos, marroquinos, tunisianos e da África Negra na França. Sua integração se tornou uma urgência para a opinião pública local.

No entanto, a discriminação de que os jovens imigrantes reclamam hoje também poderia ser testemunhada por poloneses, húngaros, italianos e portugueses imigrados há gerações.

Reunir a memória dos imigrantes na França é uma das principais metas de um museu a ser inaugurado no início de 2007, em Paris. Fanny Servole, porta-voz da instituição, ressalta que o foco desta iniciativa é bem diferente das notícias no horário nobre da tevê, onde só se viram carros queimando durante os conflitos do ano passado.

Picasso era estrangeiro

Pablo Picasso

Picasso era espanhol

História da cultura será a prioridade do museu. "Quando chegou à França, Picasso era um estrangeiro e também deve ter sido vítima de discriminação. Mas hoje o Museu Picasso [em Paris] é um dos mais visitados do mundo", lembra Servole.

A alemã Ute Sperrfechter, integrante da equipe do projeto, confirma que a idéia do museu é suprir a lacuna da historiografia oficial da França, enfatizando a história da imigração e valorizando a contribuição dos estrangeiros ao país.

A oferta do futuro museu de imigração de Paris será bem diversificada. Uma mostra permanente e exposições temporárias reunirão peças históricas, como passaportes, documentos de arquivos franceses, objetos da vida privada dos imigrantes, materiais e vestuário de trabalho, documentação de tradições.

A arte moderna será uma outra perspectiva de abordagem da imigração no museu. Tudo isso com recursos informativos audiovisuais sobre as estações da imigração na França desde a Revolução Francesa.

Intercâmbio autocrítico e dinâmico

Paris Unruhen 2

Para que a imigração não seja um caso de polícia

O museu vai se chamar "Cité nationale de l'histoire de l'immigration". "Cité" é o termo francês que denomina as periferias urbanas desfavorecidas, povoadas sobretudo por imigrantes e seus descendentes. Fanny Servole explica que o nome "cité" também implica diversidade: não é só museu, teatro ou centro cultural, mas um ponto de intercâmbio contemporâneo.

Segundo Ute Sperrfechter, "'cité' porque deverá ser um lugar de movimento, onde se poderá negociar sobre identidade, onde a mentalidade pode ser repensada, onde as pessoas entram e saem diferentes de como chegaram".

O museu deverá ser o primeiro passo para a futura criação de uma rede de informações sobre as conquistas dos imigrantes na França e em toda a Europa.

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