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Cultura

Museu britânico vai divulgar lista de "arte degenerada" confiscada por nazistas

Na tentativa de trazer mais transparência à busca por obras de arte roubadas pelos nazistas, museu londrino anuncia que vai publicar na internet lista com obras confiscadas pelo regime de Hitler.

Incumbido por Adolf Hitler, o historiador da arte Rolf Hetsch listou quais obras de arte foram confiscadas pelos nazistas para serem expostas na mostra "Arte Degenerada", que aconteceu em Munique em 1937. O inventário foi além das obras exibidas na exposição e também listou peças confiscadas logo depois da mostra.

Tratava-se de uma lista com mais de 16 mil obras, ordenadas alfabeticamente seguindo o nome dos museus de origem. Da lista constavam também os sobrenomes dos artistas e informações a respeito do destino das obras. Na letra K, por exemplo, estava categorizado o museu Kunsthalle Hamburg, dentro do qual estava registrada a obra Neujahrsgruß (Mensagem de Ano Novo), de Karl Schmidt-Rottluff – vendida a um certo

Hildebrand Gurlitt,

explica Martin Roth, diretor alemão do Museu Victoria e Albert de Londres.

Até agora, essa lista de obras só era acessível a pesquisadores. "No final de janeiro, vamos disponibilizar a lista para todo mundo na internet", diz Roth, que dirige o museu londrino desde 2011. Ele só se deu conta há pouco tempo de que a única cópia completa existente da "Lista Harry Fischer" é a que se encontra no Museu Victoria e Albert. "Isso é, a meu ver, espetacular, sendo quase constrangedor o fato de a lista não ter sido ainda publicada", completa o diretor.

Acesso a obras de arte confiscadas

Martin Roth

Martin Roth, diretor do Museu Victoria e Albert de Londres

A lista pertencia ao espólio do marchand (negociante) austríaco Heinrich Robert (Harry) Fischer, que fugiu para o Reino Unido em 1938. "Ninguém sabe ao certo até hoje como ele chegou a esse documento completo. Provavelmente, será segredo para sempre", acrescenta Roth.

Duas cópias do primeiro volume que inventaria as obras de arte dos museus cujos nomes começam com as letras de A a G (Aachen a Grefswald) já eram conhecidas desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Mas todas as cópias do segundo volume, contendo as listas de obras dos museus de H a Z (Hagen a Zwickau) permaneceram desaparecidas. Em 1996, uma cópia tida como verdadeira da listagem completa foi encontrada e entregue ao Museu Victoria e Albert de Londres pela viúva de Harry Fischer.

Historiadores da arte da Universidade Livre de Berlim já trabalharam com a lista, tendo criado, a partir dela, um banco de dados online com informações sobre o que os nazistas chamaram de "arte degenerada". O banco de dados pode ser acessado pela internet desde 2010. Ali é possível ver todas as obras de arte confiscadas pelos nazistas nos museus alemães.

Pistas sobre o paradeiro de obras de arte

Deutschland Ausstellungsführer Entartete Kunst München 1937

Cartaz da mostra de 'arte degenerada', de 1937

No final de janeiro, quando a Lista Harry Fischer for publicada, será possível obter novas pistas a respeito de obras de arte ainda desaparecidas, facilitando a busca de herdeiros de colecionadores judeus particulares e também de museus alemães. "Espera-se que mais coisas sejam esclarecidas a partir da trajetória comercial das obras e que, num caso ou em outro, chegue-se a peças cujos rastros tinham desaparecido", diz Gilbert Lupfer, diretor da Pesquisa de Proveniência das Coleções de Arte Estatais da cidade de Dresden.

Willi Korte, também pesquisador da área, recomenda a leitura da lista: "Espero que muita gente encontre imagens de obras que tenham desaparecido de uma coleção particular e que, através da lista, saibam em que museu a obra acabou indo parar".

Mas saber se a obra em questão ainda está no referido museu já é outra pergunta. A lista, contudo, parece ser uma peça importante no quebra-cabeça das pesquisas acerca da proveniência de obras de arte. E sua publicação um passo importante rumo à transparência, uma reivindicação reiterada de críticos em relação à coleção de Gurlitt, cuja

apreensão

foi divulgada em novembro do ano passado.

Exemplo em termos de transparência?

Willi Korte Provenienzforscher

O pesquisador Willi Korte

"Se, a partir disso, surgir uma exigência de que todo museu terá que publicar todos os seus documentos, haverá um pensamento muito simplista por trás deste raciocínio", diz o pesquisador Gilbert Lupfer. Para o especialista, é sobretudo tarefa dos museus pesquisar melhor seus acervos. "Se você cair de paraquedas no arquivo de um museu, sem qualquer ideia sobre aquilo, isso não vai levar você adiante", explica.

Willi Korte, por sua vez, critica o fato de que se tornou mais difícil obter informações de museus depois do caso que ficou conhecido como

"Tesouro de Munique".

"Insisto até hoje na luta para obter acesso às pastas de documentos dos museus", relata.

Autora: Annika Zeitler (sv)

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