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Cultura

Munique proíbe exposição e autópsia pública

A exposição "O mundo dos corpos", com cadáveres especialmente preparados, correu o mundo mas não será vista em Munique. A câmara municipal proibiu-a, bem como uma autópsia pública do professor de anatomia G. Hagens.

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Cadáveres plastinados fazem parte da exposição

A câmara municipal de Munique proibiu a realização da exposição "O mundo dos corpos", do controvertido professor de anatomia Gunther von Hagens, como também uma autópsia pública, que ele pretendia fazer na capital da Baviera. O estado tem um governo conservador e população majoritariamente católica. A proibição foi aprovada por ampla maioria da câmara municipal nesta quinta-feira (30). Dos 80 vereadores, apenas oito foram favoráveis à sua realização.

O principal argumento foi que tanto a exposição como a autópsia pública representam uma violação da dignidade humana, garantida pela Constituição. As autoridades de Munique também se basearam na lei estadual sobre enterro de pessoas, segundo a qual um cadáver "deve ser enterrado ao mais tardar 96 horas após a constatação da morte".

Lugar de cadáver é debaixo da terra

Exceções são previstas unicamente se os cadáveres forem usados ou submetidos à autópsia para fins científicos ou medicinais. O que não seria o caso dos 25 corpos que Hagens preparou pelo processo de plastinação, por ele inventado. Trata-se de cadáveres, constatou a câmara, como a dizer que seu lugar é debaixo da terra.

A última vez que Hagens atraiu a atenção da mídia foi em novembro, quando autopsiou o corpo de um alemão de 72 anos em Londres, perante 500 pessoas que pagaram entrada. Foi a primeira vez, nos últimos 170 anos, que a autópsia de um cadáver se deu em público.

Lição de anatomia ou atropelo da ética?

Controvertida também foi a exposição Körperwelten (O mundo dos corpos) que percorreu muitas cidades alemãs desde 1996 e também foi exibida em vários países do mundo. Ao todo, atraiu 11 milhões de pessoas, das quais 3,9 milhões na Alemanha, segundo o Instituto de Plastinação.

Se muitos que a viram apreciaram sobretudo o que aprenderam sobre anatomia, outros consideraram falta de ética estilizar a morte em obra de arte. E não foram poucos os que se chocaram só de saber que ali veriam cadáveres submetidos a manipulações químicas, sem pele - para melhor visibilidade de músculos e estruturas orgânicas - com órgãos retirados ou fatiados e conservados.

Perguntado por que Munique se opôs à exposição, ao contrário de tantas outras cidades que não viram problemas jurídicos, Wilfried Blume-Beyerle, da prefeitura, respondeu: "Ao que tudo indica, ninguém examinou detidamente a questão legal como nós o fizemos."

E pelo visto essa não será a última palavra no assunto, pois os organizadores da exposição anunciaram que pretendem ir à Justiça contra a decisão: "É uma censura inédita em todo o mundo desde o Renascimento". A exposição estava planejada para abrir ao público na capital bávara em 22 de fevereiro.

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