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Cultura

"Munique" estréia na Alemanha

Filme do americano Steven Spielberg retrata não só o atentado à delegação israelense nas Olimpíadas de Munique, em 1972, como também, e principalmente, suas conseqüências.

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Cena de 'Munique', thriller político de Spielberg

A mais recente produção do cineasta norte-americano Steven Spielberg, lançada nesta quinta-feira (26/01) na Alemanha, origina nova polêmica na opinião pública mundial. Em Munique, o diretor utiliza o drama ocorrido durante os Jogos Olímpicos de Munique de 1972, quando a delegação israelense foi tomada como refém durante 18 horas por terroristas palestinos, como ponto de partida para uma análise sobre as conseqüências da tragédia.

Mas a megaprodução não se restringe à simples narrativa cronológica da tragédia, que acabou num verdadeiro banho de sangue. Sua idéia é apresentar, entre outras questões, o debate sobre a utilização da vingança como método de combate à violência. Especialistas e envolvidos na tragédia criticam a posição tomada pelo cineasta.

Spielberg já havia se ocupado com a questão do anti-semitismo em 1993, quando lançou A Lista de Schindler no circuito mundial. Agora, 16 anos depois, o cineasta de 58 anos volta a abordar a questão num filme bastante polêmico, principalmente entre os envolvidos no drama olímpico. Segundo o diretor, seu filme é mais uma "oração pela paz".

Filmplakat München - Polit-Thriller von Steven Spielberg

Cartaz de 'Munique'

Em entrevista à revista americana Time, Spielberg afirma que "o maior inimigo não são palestinos ou israelenses. O maior inimigo é a inflexibilidade." É claro que ele não acredita de fato conseguir interferir de alguma forma no conflito no Oriente Médio, mas, em todo caso, esta pode ser ao menos uma tentativa.

O que a imprensa diz sobre o filme

Munique apresenta um novo desafio para Spielberg, pois pela primeira vez ele aborda uma temática na qual não é tão simples dividir as personagens entre bons e maus, como na maioria de seus filmes anteriores. O desfecho da trama – por já ser conhecido em se tratando de fato histórico – não pode ser determinado pura e simplesmente por esta dicotomia. Não há bons, não há maus, não há inocentes: todos estão envolvidos na mesma injustiça – a vingança.

Em entrevista à revista alemã Spiegel, o diretor afirma estar "imensamente feliz" por ter tido a coragem de produzir Munique. Ele completa que está se arriscando, não somente por trabalhar com um novo gênero, como também por poder criar um novo conflito entre Israel e Palestina por conta de este ser um trabalho muito mais carregado de emoção e política como nenhum outro anterior.

Duras críticas

As mais severas censuras, entretanto, partem da comunidade judaica dos Estados Unidos: com este filme, Spielberg teria cometido uma "traição a Israel". Ehud Danoch, cônsul israelense em Los Angeles, por sua vez, considera seu trabalho "superficial e pretencioso", segundo a revista americana Variety.

O jornal Frankfurter Allgemeine Zeitung, entretanto, publica acusações ainda mais graves contra o filme, feitas por Yossi Melman e Steven Hartov, ex-agentes do serviço secreto de Israel, o Mossad. Numa análise do início do mês, Melman declara haver uma evidente falta de precisão histórica em Munique.

De acordo com Melman, Spielberg teria evitado conversar com os verdadeiros atores envolvidos na tragédia – tanto do lado dos familiares dos 11 atletas assassinados quanto com o chefe do Mossad da época, Zvi Zamir, ou mesmo Mohammed Daoud, o cabeça da organização terrorista palestina Setembro Negro, responsável pela invasão na Vila Olímpica de Munique.

Spielberg ignorou histórias pessoais

Forbes 2003 Regisseur Steven Spielberg Porträtfoto

Cineasta não teria dado devida atenção a especialistas no tema

Segundo relato publicado em dezembro passado no jornal Berliner Zeitung, Ankie Spitzer, de 58 anos, esposa de André Spitzer, um dos israelenses mortos no atentado, teria tentado entrar em contato com o cineasta para conversar sobre a história.

Segundo ela, a equipe de produção não tinha qualquer interesse no que ela tinha a dizer. Ao questionar a possibilidade de encaminhar um fax a Spielberg, uma assistente teria dito que ela até poderia fazê-lo, mas que todas as folhas seriam jogadas no lixo sem nem mesmo ser lidas antes.

Algum tempo depois, o diretor – ou mais especificamente o ator que interpreta o marido de Ankie – parece ter necessitado da ajuda da viúva e de seus conhecimentos sobre o caso. Quando a equipe de Spielberg entrou em contato com Spitzer, entretanto, recebeu a mesma orientação antes repassada a ela por uma de suas assistentes: "Não passe meu número de telefone. Se Spielberg quiser falar comigo, dê meu número de fax. Mas também diga a ele que todo fax irá parar no cesto de lixo."

O marketing em torno do lançamento do filme é bastante diferente da maioria de suas produções anteriores. Nada de grandes estréias mundiais, mas uma preocupação social e étnica: Spielberg planeja distribuir 250 câmeras a crianças palestinas e judias, para que elas produzam filmes sobre suas vidas que serão mostrados no respectivo país vizinho. Assim, as crianças não se verão mais como inimigas, mas como criaturas humanas, acredita ele.

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