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Mundo

Mundo livre de armas nucleares ainda é sonho distante

Na semana em que Obama prometeu pressionar Rússia a reduzir número de ogivas, Coreia do Norte realiza novo teste atômico, e Irã segue dando pistas de que constrói bomba. Obstáculos a estratégia dos EUA são grandes.

Nenhum presidente estadunidense fez tanta pressão pelo desarmamento nuclear quanto Barack Obama, em seu famoso discurso em Praga, no início de 2009. "Declaro, com clareza e convicção, o compromisso americano com a paz e a segurança, num mundo sem armas atômicas", disse então. Na segunda semana de fevereiro, durante o discurso sobre o estado da nação, ele anunciou um novo impulso para tentar convencer a Rússia a reduzir seus arsenais, em consonância com os Estados Unidos.

Horas depois, a Coreia do Norte levava adiante seu terceiro teste atômico. Ao mesmo tempo, o Irã segue suspeito de continuar trabalhando em sua própria bomba; enquanto o Paquistão, país de instabilidade reconhecida, já possui a sua. Um mundo totalmente livre de armas nucleares, como Obama pregou há quatro anos, parece um sonho ainda distante.

"Temos alguns países problemáticos, em especial a Coreia do Norte e o Irã", diz Annette Schaper, do Instituto de Pesquisa da Paz de Frankfurt (PRIF, na sigla em inglês). “Mas também temos muitas histórias de sucesso que são com frequência ignoradas. Antigamente havia muito mais países preocupantes."

Progresso desde a Guerra Fria

Nos anos 1980, vários outros país também ambicionavam desenvolver armas atômicas. O Brasil e a Argentina, por exemplo, conduziam programa nucleares até decidirem assinar o Tratado de Não Proliferação Nuclear, na década seguinte.

A África do Sul tinha armas nucleares até o fim do apartheid, mas se desfez delas em 1991, com ajuda dos EUA. Outros países, como o Egito, Líbia, Austrália, Taiwan e até a Suíça também já trabalharam no desenvolvimento de armas nucleares.

USA - Präsident Obama zur Lage der Nation

Obama discursa à nação: promessa de pressionar Rússia ainda mais

O casos mais bem-sucedidos de redução de arsenais, no entanto, são os tratados assinados entre os EUA e a União Soviética, mais tarde Rússia. Hoje, os dois países ainda mantêm 90% de todas as armas nucleares do planeta.

Nos anos 80, estima-se que os dois países mantinham entre 50 e 70 mil ogivas nucleares em seus arsenais. Mas com os tratados Start, iniciados em 1982 pelo então presidente Ronald Reagan e, em 1991, assinados por George H.W. Bush e Mikhail Gorbachev, ambos acordaram em reduzir significativamente seus arsenais.

De acordo com o Instituto Internacional de Pesquisas de Paz de Estocolmo, os EUA tinham no ano passado 2.150 ogivas nucleares operativas, e a Rússia, 1.800. Em abril de 2010, os dois países assinaram um novo acordo Start, em que se comprometem a reduzir até 2018 o número de ogivas para 1.550 cada.

"Os norte-americanos estão atualmente discutindo um limite de mil ogivas nucleares", disse Herbert Maier, cientista político da Universidade de Regensburg, na Alemanha. “Olhando para isso num contexto histórico, pode-se ficar bem satisfeito. Mas, em se tratando de desarmamento total, ainda há muito a ser feito."

Sem interesse em desarmamento

Além das assim chamadas potências nucleares – EUA, Rússia, Reino Unido, França e China – pelo menos Índia, Paquistão e Coreia do Norte também possuem bombas atômicas. Acredita-se que também Israel, mas isso jamais foi confirmado por Tel Aviv. Nenhum desses quatro países são signatários do Tratado de Não Proliferação Nuclear, e não se espera que se apoem nenhum esforço global pelo desarmamento.

No caso do Paquistão e da Índia, adversários regionais, qualquer acordo que encerre o conflito – e culmine na redução dos arsenais – teria que ser alcançado bilateralmente. A Coreia do Norte também não está interessada em desarmamento, destaca Michael Paul, especialista em forças militares do Instituto Alemão para Assuntos Internacionais e de Segurança, em Berlim.

"É também parte da legitimidade nacional do regime e do prestígio entre a população poder dizer com orgulho: somos uma potência nuclear", explica Paul. "Mas no fim das contas, é claro, também tem a ver com a segurança do regime, isto é, garantir que os EUA não trabalhem no sentido de fazer cair o regime da Coreia do Norte."

Nordkorea Staatsfeier zum dritten Atomtest

Norte-coreanos nas ruas, no dia do terceiro teste de armas atômicas

Oriente Médio preocupa

Uma corrida armamentista na Ásia é, contudo, improvável, pelo menos enquanto os EUA conseguirem garantir a segurança da Coreia do Sul e do Japão. Bem mais complicada é a situação no Oriente Médio.

Israel já é uma potência nuclear, e o Irã presumivelmente está trabalhando para se tornar uma. Uma bomba atômica iraniana mudaria significativamente o já frágil equilíbrio de poderes na região.

"A Turquia, Arábia Saudita e Egito estão buscando supremacia no Oriente Médio, ou pelo menos tentando evitar que o Irã consiga", diz Maier. "Aqui, é claro, o problema mais agudo é impedir que o Irã construa armas nucleares e depois, também, outros Estados, de modo que não ocorra um efeito dominó."

O caminho para um mundo livre de armas nucleares, no entanto, é longo. E isso Obama também deixou claro no discurso de Praga. "Não sou ingênuo. Esse objetivo não será alcançado de forma rápida – provavelmente não durante a minha vida."

Autor: Christoph Ricking (rpr)
Revisão: Augusto Valente

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