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Copa do Mundo

Mundial de Futebol de Rua coroa projeto contra a violência

Berlim recebe 22 equipes de todo o mundo para a disputa do torneio, que reúne participantes de projetos sociais. A negativa de vistos para equipes africanas mancha o evento.

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O futebol é usado como ferramenta para incentivar a tolerância

Até este sábado (08/07), o "menor estádio da Copa", localizado no bairro de Kreuzberg, em Berlim, será o palco para a realização da Copa do Mundo de Futebol de Rua. No gramado de 35 por 45 metros, seleções formadas por participantes de projetos sociais de todo o mundo lutarão pelo título da Copa Andrés Escobar.

Assim como o torneio organizado pela Fifa, a Copa do Mundo de Futebol de Rua também tem a sua própria bola: ela traz o símbolo da Transfair, organização que defende um comércio mais justo entre as nações.

O projeto da Copa do Mundo de Futebol de Rua nasceu em Medellín, na Colômbia, e leva o nome do jogador colombiano Andrés Escobar, assassinado em 1994 após ter feito o gol contra que eliminou o seu país da Copa.

Na época, o esportista alemão Jürgen Griesbeck começou a desenvolver o projeto "Futebol pela paz", que usa o esporte para incentivar o convívio pacífico entre seus praticantes. Em dois anos, foram criadas cerca de 600 equipes, com 6 mil participantes, e a rivalidade entre as gangues passou a ser resolvida em campo.

Preconceitos destruídos

"Este projeto é um marco no desenvolvimento social do futebol", disse Griesbeck na cerimônia de abertura do evento, na última sexta-feira em Berlim. Hoje, ele é também diretor da organização Streetfootballwork.

Todas as equipes participantes do torneio trabalham em projetos sociais que usam o futebol como ferramenta contra a violência, as drogas e o racismo e a favor da paz e da tolerância. O torneio de futebol de rua é parte do programa cultural e artístico oficial da Copa 2006.

Os cerca de 200 jogadores de futebol de rua se mostraram impressionados com o clima na Alemanha durante o Mundial. "Aqui se tem a possibilidade de conhecer pessoas de outras culturas. Eu acho interessante descobrir como vivem os jovens nos outros países", disse Leonel Kenfack, que atuará como centroavante da equipe alemã "Futebol de Rua a favor da Tolerância" e vive há três anos na Alemanha.

O norueguês Leiki disse acreditar na expansão do projeto. "Por meio de eventos como esse, preconceitos podem ser destruídos. É fantástico como, após pouco dias, já nos entendemos bem."

Vistos negados

Apenas uma sombra paira sobre a festa. A embaixada alemã na Nigéria negou o visto para a viagem do time "Search and Groom", de Lagos. O mesmo aconteceu com a equipe de Accra, Gana, "Play Soccer". Segundo a embaixada, havia indícios de que alguns dos participantes tinham a intenção de permanecer na Alemanha depois do torneio para iniciar uma carreira no futebol profissional. Segundo uma porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, muitas crianças vêm de famílias arruinadas e não mantém vínculos fortes com o seu país de origem.

A equipe da Nigéria, que tem o apoio da Fifa, é composta também por meninos de rua. "Faz parte da natureza do projeto que os participantes não tenham sido criados em berço de ouro", disse Griesbeck. "Isso é ruim para o projeto. Os jovens tiveram de desfazer as suas malas", disse.

A ex-vice-presidente do Bundestag (câmara baixa do Parlamento), Antje Vollmer, que trabalhou no projeto durante seis anos, se declarou decepcionada com a negativa do visto para os africanos. "Negar o visto é a atitude errada." Para ela, são projetos como esse que reforçam o interesse dos participantes em permanecer no seu país de origem.

  • Data 02.07.2006
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