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América Latina

Multidão sai às ruas na Venezuela após prisão de López

Líder oposicionista Leopoldo López se entrega voluntariamente à Justiça. Segundo o presidente Maduro, ele terá de responder por chamar à rebelião contra o governo.

Uma multidão saiu às ruas de Caracas nesta terça-feira (18/02), depois de o líder oposicionista Leopoldo López entregar-se voluntariamente a agentes da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar). Ele é acusado pelo governo do presidente Nicolás Maduro de incitar à violência durante os protestos no país, que já causaram quatro mortes.

A oposição prevê que a prisão de López impulsione ainda mais os protestos contra Maduro, pressionado por causa dos graves problemas econômicos e da situação de insegurança no país.

López se entregou à polícia quando participava de uma manifestação na praça Brión, no leste de Caracas. Vestido de branco, com uma bandeira venezuelana na mão direita e uma flor na esquerda, ele entrou num veículo blindado depois de uma despedida emotiva da família. Um cordão policial conteve os manifestantes na praça.

Acompanhado do presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, López foi levado para o Palácio de Justiça e depois seria transportado para uma prisão, possivelmente fora da capital.

Leopoldo Lopez Demonstration in Caracas

López é escoltado por militares

"Se a minha prisão vale para o despertar de um povo, para que a Venezuela finalmente desperte e possamos construir essa mudança para a paz e a democracia, então esta prisão infame vale a pena", afirmou ao lado de uma estátua de José Martí, poeta herói da independência cubana.

Maduro disse que López deverá responder perante a Justiça por ter chamado à rebelião contra o governo. "Este chefe político da direita fascista venezuelana já está nas mãos da Justiça", afirmou o presidente, diante do palácio do governo, para apoiadores. "Terá que responder perante a promotoria, perante os tribunais a seus chamados para a rebelião, ao desconhecimento da Constituição."

Segundo a imprensa venezuelana, López é acusado por um tribunal dos delitos de "associação, instigação para cometer delito, intimidação pública, incêndio a edifício público, danos a propriedade pública e lesões graves" e de "homicídio intencional qualificado executado por motivos fúteis e não nobres".

A entrega voluntária de López gerou caos na região leste de Caracas. Milhares de apoiadores tomaram as ruas, de forma espontânea, para protestar contra a detenção. A agitação se estendeu ao municípios vizinhos de Chacao e Baruta, onde pneus foram queimados e estradas, bloqueadas.

Em Caracas, manifestantes se concentraram nas proximidades do aeroporto militar Francisco de Miranda, depois de boatos afirmarem que López seria levado de avião para uma prisão fora da capital. O trânsito na região foi bloqueado pelos manifestantes.

López, de 42 anos e atual líder do partido oposicionista Vontade Popular, é advogado e economista formado em Harvard. Foi prefeito do município de Chacao entre 2000 e 2008, quando foi impedido de se candidatar a cargos públicos pela Controladoria Geral da República.

Leopoldo Lopez Demonstration in Caracas

Apoiadores de López protestam em Caracas

AS/rtr/dpa/lusa