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Cultura

Mulheres em armas

O Museu das Mulheres, em Bonn, apresenta a exposição "Women in Arms". As obras de artistas principalmente alemãs e norte-americanas abordam as relações da mulher com as Forças Armadas e a guerra.

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Exército russo quer recrutar mais mulheres

A idéia para a realização da mostra surgiu em Berlim, onde o tema "mulheres em armas" chegou a algumas artistas de forma curiosa: elas alugaram ateliers situados num antigo quartel do Exército alemão oriental. O visitante, porém, não deve esperar uma documentação sobre o papel da mulher na guerra, seja como soldado, guerrilheira, terrorista ou vítima.

Não à guerra

Cada artista procurou a sua maneira pessoal de abordar o tema "Mulheres em armas - Eva camuflada". O que se vê no Frauenmuseum são principalmente pinturas, vídeos e instalações. Os mais variados estilos, materiais e abordagens não ocultam o denominador comum de crítica à violência, ao militarismo e à guerra, o que ganha atualidade com a iminente operação militar contra o Iraque.

Chistine Schlegel, uma das alemãs, explica qual foi o ponto de partida para o seu trabalho. " É tão difícil construir algo positivo, que uma salva de tiros pode destruir num segundo. Eu pensei: quanto tempo demora até se criar e educar uma criança, e lá vem alguém armado e mata essa criança", disse à Deutsche Welle, expondo a idéia que levou à criação dos seus quadros. Eles não tem nada a ver com amazonas guerreiras, a glorificação da violência nos filmes americanos ou a pseudo emancipação das mulheres em uniforme.

Impotência e dor

O que mais impressiona a norte-americana Elizabeth Chandler é a sensação de impotência das vítimas e a dor de seus familiares. Ela pintou um grande número de quadros mórbidos de pequeno formato, retratando roupas rasgadas e manchadas de sangue. Eles cobrem duas paredes no museu. Sua obra é inspirada em fotografias de roupas e cadáveres não identificados na Bósnia-Herzegovina, que viu num livro da Cruz Vermelha. Com seu trabalho, Elizabeth Chandler quis chamar a atenção para o papel fatal que resta às mulheres em tempos de guerra: decifrar o destino de maridos e familiares a partir do que sobrou, como pedaços de sua roupa, restituindo um nome, uma identidade, aos corpos destroçados ou ausentes.

Inicialmente um projeto teuto-americano, também foram convidadas a expor a pintora sérvia Bilijana Djurdijevic e as ucranianas Natalia Golibroda e Solomia Savchuk. A artista sérvia apresenta em Bonn um tríptico de grande impacto: homens armados até os dentes, com rostos quadrados e capacetes de aço entram num salão de azulejos brancos, montados em seus cavalos de guerra e seguidos por cães de luta. Uma nova versão dos cavaleiros do apocalipse, como os que fizeram as carnificinas nas guerras recentes dos Bálcãs.

A própria estória como motivação

Eva Kohler, artista berlinense, dá um rosto à resistência das mulheres nos retratos que desenhou. São personagens da Rússia dos czares, da Nicaragua e da Palestina, da Alemanha durante o nazismo e do grupo alemão de extrema esquerda Fração do Exército Vermelho, que tornou-se conhecido por seus atentados nas décadas de 70 e 80. Entre esses portraits, vê-se o auto-retrato de Eva Kohler.

Trata-se de uma identificação ou de uma homenagem póstuma e artística a essas mulheres? "É o que eu me pergunto, desde que as descobri. Algumas são conhecidas, outras menos. E cada vez que me deparei com uma delas, eu me perguntava o que teria feito na sua situação. É correto recorrer à violência, como elas fizeram? Teria eu medo? Como teria me decidido?", indaga Eva Kohler, que participou do movimento estudantil de 68, embora não tenha acompanhado os que depois entraram na clandestinidade. "Eu achei errada essa opção, mas se discutia muito por que eles fizeram isso. Nós nos perguntávamos: será essa a única maneira de mudar alguma coisa?"

A exposição não dá resposta a essa questão, como não esgota o tema. Esse não era seu objetivo, uma vez que pretendia apenas provocar a discussão sobre a mulher e a violência. A mostra permanece em Bonn até 27 de abril e será exibida, a seguir, em Viena e Los Angeles.

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