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Cultura

Mulheres do rap também sabem combater com palavras

Uma rapper francesa e uma alemã estão fartas de ouvir as letras misóginas dos cantores homens. Elas deram uma resposta feminina ao raps machistas e não mediram palavras.

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Bretã Julie Budet, rapper 'Yelle'

A violência juvenil não se descarrega só nas ruas – na música também. Letras de rap costumam ser extremamente misóginas. Em músicas mais antigas, Eminem xinga mulheres e homossexuais; na Alemanha, Bushido mostra em um clip mulheres torturadas até sangrar; e na França há a banda TTC, que não fica muito atrás desses dois. Jovens cantoras de rap não estão dispostas a deixar por isso mesmo. Uma espécie de resposta ao rap machista, a música da francesa Yelle já virou hit. Na Alemanha, a Lady Bitch Ray, de Bremen, mostra a que veio aos cantores de rap chauvinistas. Sucesso com textos picantes Yelle, pseudônimo de Julie Budet, se lançou na França com "Je veux te voir" ("Quero te ver")."Certas letras de rap são quase brutais contra as mulheres. A gente queria dar uma resposta picante, mas com humor", explica ela. Yelle acha que o rápido sucesso da música se deve ao fato de jamais ter existido na França uma mulher que tenha se voltado contra o rap machista no mesmo tom usado pelos homens. Em setembro de 2005, a bretã de 24 anos lançou sua música na internet. Uma semana depois, ela computava 2 mil ouvintes; e não demorou muito a receber uma proposta de contrato. Yelle acabou de lançar seu primeiro álbum. Em suas letras, ela não hesita em revelar, por exemplo, que prefere ter busto pequeno a peitos gigantes. E na faixa "Meu melhor amigo" faz uma apologia do vibrador. "Isso tem um lado de provocação. Masturbação feminina é um grande tabu. Esse é um jeito de dizer que as meninas também sabem se virar muito bem sozinhas", declarou ela. "Puta é positivo"
Musikerin Lady Bitch Ray aka Reyhan Sahin

Reyhan Sahin, 'Lady Bitch Ray'

Uma mensagem semelhante está implícita nos textos provocadores da alemã Reyhan Şahin, conhecida como Lady Bitch Ray. O sentido da palavra bitch (puta) se inverte. "Para mim bitch é positivo. É uma mulher que sabe o que quer e toma aquilo que quer", diz a jovem de 26 anos e de ascendência turca. Paralelamente à sua carreira de rapper, Şahin faz pós-graduação na Universidade de Bremen. Com uma bolsa da Fundação Rosa Luxemburgo, ela está escrevendo seu doutorado sobre "semiótica da vestimenta". Em suas músicas "Du bist krank" (Você é doente), "Ich hasse dich" (Te odeio) ou "Deutsche Schwänze" (Paus alemães), a Lady Bitch Ray critica tanto os rappers alemães por sua atitude em relação às mulheres, quanto cantoras como Sarah Conner por se submeterem à imagem desses "machistas". A rapper alemã ainda não conseguiu nenhum contrato para gravar um álbum, mas na sua página do Myspace ela já tem 800 mil acessos. Em dezembro do ano passado, ela virou notícia após ter participado de um conhecido programa de entrevistas na televisão alemã. Feminina sim, feminista não As duas cantoras valorizam a feminilidade, mas rejeitam qualquer pressão de emagrecer ou seguir a moda, algo que afeta muitas jovens de hoje. Na música "A cause des garçons" (Por causa dos garotos), Julie Budet faz alusão a certas revistas femininas que prescrevem o que se deve vestir ou o quanto se deve pesar. O refrão diz "por causa delas a gente duvida da gente, se adapta às normas e se bate pelos melhores meninos". "As mulheres devem assumir sua feminilidade", recomenda Şahin, que em seus vídeos veste roupas transparentes. A francesa Julie Budet se sente feminina, mas "feminista" soa sério demais aos seus ouvidos. "Talvez a gente seja menos engajada que as mulheres nos anos 1970. Mas temos nossas pequenas lutas cotidianas, que – na minha opinião – também são importantes", opina. Para Julie, conversar com outra mulher sobre acessórios sexuais ou sobre um caso de amor também é uma forma de se impor. "Talvez a gente seja menos combativa, mas a gente nunca deixa de se defender e de ter convicções."

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