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Ciência e Saúde

Mudanças climáticas podem deixar conta de energia mais cara

Com maior incidência de secas, dependência da água para gerar energia pesa no bolso do consumidor. Alterações no clima exigem adaptação do setor elétrico, e especialistas fazem previsão otimista para o Brasil.

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Hidrelétrica de Itaipu

Num mundo mais quente, quase tudo o que se sabe sobre o padrão de regimes de chuvas poderá ser descartado. No cenário atual, que registra um aumento da temperatura média global de 0,85˚C, várias regiões enfrentam secas que comprometem a sobrevivência de cidades, como no Nordeste do Brasil.

Enquanto isso, o setor elétrico ignora as mudanças previstas por cientistas dedicados aos estudos do clima. "Muitos países continuam planejando o desenvolvimento energético com base nas expectativas de custos econômicos das fontes", avalia Irving Mintzer, professor na Universidade John Hopkins, nos Estados Unidos.

No Brasil, essas considerações ainda aparecem de forma tímida nas decisões de quem planeja o futuro energético. "Ainda não existe muita certeza de como a mudança climática global vai afetar os climas regionais, existem simulações", relativizou Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) nesta quarta-feira (02/12), durante evento que faz parte da Conferência do Clima (COP21), em Paris.

Em 2015, uma combinação de fatores climáticos custou caro para o brasileiro, que enfrentou pelo menos três aumentos na conta de energia. A seca nos reservatórios que geram a maior parte da eletricidade consumida no país pesou no bolso do consumidor.

A falta de água nas hidrelétricas obrigou a ativação de todas as usinas térmicas brasileiras – são 2.842 unidades, que atualmente são responsáveis por 28,2% da geração de eletricidade. E o gás natural, principal combustível que move essas usinas, custa mais caro. Sem escolha, ao consumidor resta sentir o impacto na conta.

Energia e clima

O presidente da EPE, empresa pública brasileira vinculada ao Mistério de Minas e Energia, não teme o futuro. Uma das promessas feitas pelo Brasil na COP21 é aumentar a participação das fontes eólica, solar e biomassa para 23% da matriz energética – atualmente, não passam de 5%.

"A gente acha que temos que aumentar a participação o máximo possível das renováveis, independente da possibilidade de em 80 ou100 anos haver uma mudança que reduza a quantidade de água ou a quantidade de vento", disse à DW Brasil.

Segundo a visão da EPE, enquanto a fonte renovável evitar o uso de combustíveis fósseis, ela vai cumprir o seu papel – mesmo que seu tempo de vida seja diminuído pelas alterações no clima. "Se instalarmos uma hídrica, e a quantidade de água não for aquela prevista inicialmente, ela já vai ter evitado uma quantidade de emissões muito grande", argumentou, adicionando que o investimento se paga em 20 anos de uso da usina, em média.

A política da EPE é não impedir a instalação de usinas que usam fontes renováveis, incluindo hidrelétricas, mesmo com previsões que indicam mudanças em vazões de rios que abastecem as usinas. Um estudo recente encomendado pela Presidência da República, por exemplo, prevê a redução em 20% da capacidade da fonte hidrelétrica até 2040.

Num bom caminho

"Todos percebem que o ciclo hidrológico está começando a mudar", comenta Steve Sawyer, secretário-geral do Conselho Mundial de Energia Eólica. Mas o Brasil estaria se preparando bem. "O país está construindo usinas eólicas mesmo num momento em que a economia não vai bem. É justamente para compensar as possíveis perdas na geração das hidrelétricas."

Atrás de China e Rússia, o Brasil tem o terceiro maior potencial hidrelétrico do mundo. Cerca de 64% desse potencial continuam inexplorados, e a maior parte dos rios que poderiam abrigar usinas está no Norte, na região Amazônica.

O rápido crescimento das centrais eólicas virou um caso internacional de sucesso. A geração saiu de 29 MW em 2005 e saltou para a atual marca de 7.973 MW em 2015 – e deve chegar a 17.790 MW em 2019. "Eu acredito que o Brasil chegará a 2030 com 100% da geração elétrica a partir de fonte renovável", aposta Sawyer. A expectativa é que a implantação de energia fotovoltaica siga a mesma rota da eólica.

Até lá, as usinas termelétricas vão ser acionadas todas as vezes em que a água não for suficiente nas hidrelétricas. Além de mais cara, essa fonte também é mais suja quando abastecida com carvão. "Se não tivéssemos as térmicas, seria um caos em 2015", diz Tolmasquim sobre o risco de desabastecimento evitado. "Tudo volta ao normal quando os reservatórios encherem de novo."

Por enquanto, a previsão dos cientistas do clima é que a ocorrência de verões sem chuva aumente, o que vai afetar a disponibilidade, qualidade e quantidade da água, assim como a geração de energia hidrelétrica. É assim que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais prevê o fim século 21 no país.

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